Indo para a sua 9ª edição, em 2026, marcada para 30 de março no BTG Pactual Hall, em São Paulo, o Prêmio do Humor, idealizado por Fábio Porchat, chega a um ponto de maturidade que já não depende de efemérides para se justificar. Ao longo de quase uma década, consolidou-se como uma espécie de cartografia do riso brasileiro, acumulando, até aqui, 400 indicados (até 2026), 75 premiados (até 2025) e 16 homenageados (até 2026). Para o diretor de criação Marcos Guimarães, responsável pela identidade visual da premiação desde o início, os números ajudam a contar uma história que é, antes de tudo, de legitimação.
A cada ano, um tema organiza a narrativa estética da cerimônia. Em 2026, Guimarães escolheu a commedia dell’arte como eixo. “Primeiro, porque a origem do teatro como a gente conhece hoje veio da commedia dell’arte. William Shakespeare, Martins Pena, além de tudo o que se vê hoje nos estereótipos do carnaval (pierrô, arlequim, colombina), vieram desse lugar. Foi a commedia dell’arte que estabeleceu os alicerces para a comédia atual”, diz.
O homenageado da edição é Marco Nanini. “O Marco Nanini é um oráculo da comédia para quase todo humorista, ator. Ele é uma figura mítica, que transita pelo drama e pela comédia de maneira muito profunda e, ao mesmo tempo, muito acessível. Sem querer ser clichê, mas ele é uma lenda viva e por isso precisa ser homenageado e valorizado.”

Troféu em homenagem a Marcos nanini (Foto: Divulgação)
Guimarães descreve como surge o conceito da premiação. “Para criar o universo conceitual e visual do Prêmio do Humor, procuro focar mais no que une todas as formas de fazer comédia, no que gera conexão. Eu acredito que a essência disso é que uma boa risada derruba qualquer muro, baixa qualquer escudo para a gente receber uma mensagem disfarçada de piada. A minha intenção, quando estou fazendo as escolhas de temas e concepção criativa de cada edição, é fazer com que o humor impacte cada pessoa, emocione e faça pensar. Não tento apelar para o racional das pessoas. O mais importante é alcançar os sentidos e aflorar os sentimentos. Tento caminhar pela via da memória afetiva. O humor pode emocionar também.”
Historicamente pouco contemplado por premiações voltadas a si, o humor encontrou no prêmio um território próprio. Artistas consagrados, ainda que amplamente populares, nem sempre eram reconhecidos por seu ofício, enquanto os prêmios de teatro tendiam a privilegiar montagens dramáticas. A contradição é conhecida: espetáculos de comédia lotam salas, sustentam temporadas e movimentam uma cadeia econômica robusta.

Marcos Guimarães é uma das cabeças pensantes do projeto (Foto: Moises Piazinotto)
“A intenção do prêmio sempre foi essa: valorizar a comédia brasileira, valorizar os profissionais que trabalham para esse gênero. O texto, a atuação, a direção, a técnica e qualquer outra engrenagem na construção das obras do humor precisam ser exaltados e destacados, pois, como você mesmo disse, a comédia é considerada pelas premiações o patinho feio da dramaturgia, sempre foi assim, embora lote teatros e cinemas pelo Brasil. Movimenta e faz para a economia mais do que muitos outros setores jamais farão. Mas, para mim, não é sobre mostrar quem é maior ou melhor, pois todos os formatos artísticos são bem-vindos e importantes para contribuir para a nossa cultura. Relegar a comédia a uma classe inferior nunca foi e nunca será justo. Desde o início, esta sempre foi a intenção do Fábio Porchat como idealizador dessa iniciativa. Ele criou um oásis no deserto quando lançou o prêmio. Concebeu um espaço de orgulho e de alegria para a classe.”
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