Romeu Benedicto vive político que busca legalizar o bicho em “Os Donos do Jogo”: “Não tenho nada em comum com ele”


A série “Os Donos do Jogo”, top 1 na Netflix, volta a discutir o jogo do bicho e seus desdobramentos políticos. Romeu Benedicto vive o deputado Mandele Neto, autor de um projeto que tenta legalizar o jogo e outras apostas, figura que o ator define como “um personagem oposto a mim”. Ambientada no Rio de Janeiro, a produção aborda as relações entre poder, corrupção e moralidade. No elenco, nomes como Juliana Paes, André Lamoglia, Chico Díaz, Xamã, Tuca Andrada e Otávio Müller. Além da série, Benedicto participa da nova temporada de “Arcanjo Renegado” e de quatro longas em fase de finalização

A série “Os Donos do Jogo”, mais uma produção sobre o jogo do bicho, reacende o debate em torno do tema. Na trama, o ator Romeu Benedicto interpreta o deputado Mandele Neto, autor de um projeto de lei que tenta legalizar o jogo do bicho, além de liberar outras modalidades, como caça-níqueis e cassinos. “É um personagem oposto a mim. Não é difícil de encontrar exemplos na vida real, temos vários, daqueles que não importam muito com interesse do povo, sempre tão pro jogo, para o lado que pende aos seus interesses particulares. Eu procurei não o julgar, o que é uma tarefa difícil, mas necessária na composição, porque na verdade, na cabeça desse personagem, está tudo bem fazer algo errado”, comenta o ator.

O jogo do bicho é um fenômeno entranhado na cultura brasileira — especialmente no Rio de Janeiro, cenário da produção. Desde sua criação, o jogo atravessou décadas e se consolidou como parte do cotidiano carioca. Apesar de ilegal, continua a refletir tanto o espírito de aposta e sorte quanto as brechas morais e institucionais que o país insiste em cultivar.

“A ética e a moral para Mandele Neto são valores pra inglês ver, mas aos seus olhos só importa o que lhe beneficia. Ele vai pra onda a banda toca, com todas as suas falhas morais e éticas e cheia de suas hipocrisias, ele tá pro jogo. Tem suas maneiras de resolver as coisas que pode chegar a ser na bala se preciso for. Ele tem em seu histórico ser uma personalidade política aberta a negociações, ou seja, ele é do jogo, e dessa atmosfera de vários interesses nacionais e internacionais. Ele entra na história para esquentar o jogo. Com certeza ele será pressionado, inclusive ameaçado, e não posso falar mais. A história desse deputado não é diferente do que temos visto no Congresso, os interesses pessoais sobrepondo ao do povo”, diz Benedicto.

Romeu Benedicto: Série torna a trazer ao debate a questão do jogo do bicho (Foto: Raí Reis)

A série, que estreou no final de outubro na Netflix, traz direção de Rafael Miranda Sejes e conta com Fabien Caleyre, ator francês que contracena com Benedicto. No elenco, também estão André Lamoglia, Juliana Paes, Chico Díaz, Mel Maia e Xamã, além de Tuca Andrada e Otávio Müller, antigos parceiros de cena do ator. “Estive em ‘Guerreiros do Sol’ com Otávio Müller e Tuca Andrada. Além deles, temos Chico Dias, Juliana Paes e o protagonismo de André Lamoglia, que está maravilhoso junto com Xamã, e muitos outros grandes atores que estão no projeto. Tudo isto ainda se soma a essa grande saga das famílias da cúpula do jogo do bicho. Com certeza será um sucesso”, conta.

Romeu gravou sua participação em fevereiro, no Rio de Janeiro, e destaca o gosto por interpretar personagens inspirados na realidade. “Toda história baseada em fatos reais por si só já vem com uma força tremenda, e ainda mais com a experiência e o incrível talento que o Heitor Dhalia tem em contar essas histórias. É uma história que está muito bem contada, dirigida, filmada e interpretada”, afirma o ator.

Romeu diz preferir personagens que sejam inspirados em pessoas reais (Foto: Raí reis)

Além da série da Netflix, o ator poderá ser visto também na quarta temporada de “Arcanjo Renegado” que estreia em novembro no Globoplay. “Em “Arcanjo Renegado” eu faço um ex-policial chamado Cristino Monteiro, contraceno com o personagem de Álamo Faco. No cinema estou em Religare, filme de Marite Azevedo, onde contraceno com Letícia Sabatella; interpreto Rafael, um agrônomo que se redime e junto com D. Heloa, personagem de Letícia, propõe um projeto agroflorestal piloto na trama”.

O ator pode ser visto também em “Bonifacia”, filme de Matogrosso, com Zezé Motta, que conta a história de resistência negra”. Ela foi uma líder que ajudava os escravos que fugiam da senzala em Cuiabá, Mato Grosso, nele vivo o chefe de guarnição Major Chagas, que era a lei da região daquela época, e tem o longa “Coroa Branca” de Felipe Damian, onde interpreto Jovenir, chefe de segurança, sombrio, que emprega o protagonista da história e o vai conduzindo aos seus interesses. Todos eles estão em fase de finalização. Além disso, estou em pesquisa e elaboração do roteiro do filme sobre a história do meu pai”, finaliza.