É tácito: os aparatos tecnológicos – e tudo que eles podem trazer de facilidade para o homem moderno – são as tendências que têm ditado a economia – seja ela criativa ou não. E não é diferente quando buscamos entender melhor o setor calçadista. Durante o 25º SICC, o Salão Internacional do Couro e do Calçado, realizado semana passada no Serra Park, em Gramado (RS), pudemos conferir, na prática, como esses aparatos se dão e fazem acontecer. É que por lá conhecemos a M Store, uma espécie de showroom exclusivo feito em parceria com a Seta Digital e a Merkator Feiras e Eventos (organizadora do SICC, da Zero Grau e da 40 graus), que se apresentou como um modelo inteligente de loja. Por lá, todos os calçados são distribuídos por estações numeradas com os tamanhos. Sem a necessidade de vendedores, cada comprador passa um cartão magnético que recebe, ao entrar na loja, em um totém, acrescentando o produto escolhido em seu carrinho imaginário. Se lembrou das compras na internet, né? Pois é. Exatamente essa a intenção: modernizar e facilitar a experiência de clientes e lojistas, trazendo inovação e agilizando os processos de compra e venda.

(Foto: Henrique Fonseca)
A diretora de relacionamento da Seta Digital, Rosi Kichel, nos entregou o caminho das pedras: “Estamos há 10 anos como uma empresa desenvolvedora de software e somos especialistas em lojas de calçados. Vendo as dificuldades dos nossos clientes para estimular a venda e diminuir os custos com despesas operacionais. Junto com a Merkator, conversamos sobre a possibilidade de criar uma loja modelo. Mas tinha que ser algo além disso. E com pesquisas no exterior, vendo como funciona as lojas de calçado lá fora, pensamos no que poderíamos fazer para melhorar a eficiência dentro de uma”. Foi quando a Seta Digital, uma empresa de tecnologia de sistemas para lojistas de calçados, há cerca de um mês, criou uma loja laboratório semelhante a do SICC, em Cascavel, no Paraná, para testar aparatos tecnológicos e inovações para o setor calçadista. Batizada de Sapati, essa loja, ainda segundo Rosi, “tem todos os benefícios do e-commerce, porém em uma loja física, como se fosse um ‘e-commerce físico”. “A Sapati não é uma loja convencional com o intuito de ter fins lucrativos. Os lucros gerados são aplicados em novas tecnologias”, explicou.
E prosseguiu: “Ela é uma loja laboratório criada com o intuito de testar os aparatos tecnológicos da Seta Digital, para ver se o que pensamos sobre tecnologia realmente são usadas pelo consumidor final”. Ah, e pelo fato da loja ter caráter exclusivamente experimental, não há intenções de expandi-lá ou abrir filiais. A nossa constatação ao conhecer o projeto? É que a experiência de unir aparatos tecnológicos aplicados ao varejo proporcionará ao lojista e também ao consumidor acesso à facilidades e processos que irão mostrar um modelo de compra bem mais ágil, assim como um entendimento do consumidor de cada loja. “Quando as pessoas consomem online, elas estão programadas a comprar o produto imediatamente. Agora, quando a pessoa sai de casa e vai até a loja física, ela quer uma experiência de compra diferente. Então, nesse momento, ela precisa do produto. Setenta e cinco por cento das mulheres preferem a loja física à loja virtual. Então é isso o que estimulamos dentro do projeto. A loja física ainda tem a preferência, mas o que elas estão fazendo para inovar e atualizar para não perder esse espaço? Assim como a tecnologia está avançando, como o e-commerce está crescendo, as lojas físicas precisam fazer esse mesmo processo”, explicou.

(Foto: Henrique Fonseca)
Segundo HT apurou, o investimento no empreendimento foi de R$ 2 milhões. Em um momento de pessimismo econômico, reinventar-se, mesmo com alto custo, é o melhor ataque para fugir do fantasma da crise. E a transformação é necessária em todas as instâncias de uma loja. “A loja é inteligente, porque mostra para o cliente que é possível, em um momento de crise, onde é necessário se reinventar, com processos de tecnologias e treinamentos de pessoas, ser mais eficaz. O que interessa para o lojista são resultados”, justificou – não que precisasse – Rosi. E quem pensa que crise e tecnologia são sinônimos de demissão, devido à modernização e prejuízo no setor, se engana. “Existe a opção do cliente não ter contato com o vendedor, caso ele não o queria. Inclusive nos questionaram sobre a geração de desemprego dessa forma, mas na verdade o que a gente vai fazer é estimular os vendedores a evoluírem e se tornarem consultores de venda”.
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