Próximo do centenário de Tom Jobim, Alexandre Elias revisita arte do compositor com show de jazz contemporâneo


O guitarrista e compositor Alexandre Elias apresenta o show “Alexandre Elias toca Jobim, The Composer of Desafinado” no dia 21 de janeiro, às 20h, no Palácio da Música, no Rio.A apresentação homenageia Tom Jobim em data próxima ao seu aniversário, às vésperas do centenário do compositor, celebrado em 2027.O repertório revisita o álbum “The Composer of Desafinado, Plays” e lança o projeto “The Composer of Desafinado Plays: Jobim Lofi Flips”, que mistura bossa nova, samba-jazz, jazz hop e lofi.O show reúne músicos do jazz contemporâneo e colaborações internacionais com produtores de Boom-Bap e Lofi dos EUA e das Filipinas.Além de Jobim, o setlist inclui composições autorais de Elias e clássicos de Carlos Lyra e João Donato

Aos mestres, a permanência. E é sob esse signo que se inscreve o espetáculo “Alexandre Elias toca Jobim, The Composer of Desafinado (show instrumental)”, no dia 21 de janeiro, às 20h, no Palácio da Música, no Rio de Janeiro. A data é próxima do aniversário do compositor, nascido em 25 de janeiro – coincidência que ganha espessura histórica diante do centenário que se aproxima, em 2027. Não se trata de celebração protocolar, mas de um gesto de continuidade: Jobim como linguagem viva, não como efeméride.

Alexandre Elias reconhece o acaso do calendário, mas aponta para algo mais duradouro. “Uma coincidência cair perto do aniversário dele. A importância de Jobim atravessa gerações.” A travessia, no entanto, não é retórica. Tornou-se concreta quando Elias apresentou à sua gravadora, em Los Angeles, um projeto solo, instrumental, revisitando o repertório de “The Composer of Desafinado, Plays”. A resposta veio afirmativa — e expandida. “Como resposta recebi um sim e a ideia da colaboração de quatro produtores de Boom-Bap e Lofi, todos muito jovens, 3 dos EUA e um das Filipinas, que adorariam trabalhar com a música de Jobim.” A música atravessava fronteiras, gerações e plataformas.

Alexandre Elias reverencia Jobim em show (Foto: Divulgação)

Diretor musical da Companhia de Dança Deborah Colker, Alexandre Elias ocupa, nesse show, o espaço do instrumentista que não disputa protagonismo com a obra que revisita. Sua guitarra conduz uma arquitetura sonora que mistura Bossa Nova, Samba-Jazz, Jazz Hop e Lofi Beats. O espetáculo marca o lançamento do álbum “The Composer of Desafinado Plays: Jobim Lofi Flips”, resultado de uma colaboração com quatro dos principais produtores de Lofi e Boom-Bap Jazz do circuito internacional, lançado pela Downtown Artists and Label, de Los Angeles.

Compositor, parceiro de Nelson Motta e Pedro Luís, Alexandre acumula mais de 20 mil ouvintes mensais no Spotify e canções que ultrapassam a marca de um milhão de reproduções. No palco, apresenta-se com um quarteto preciso: Domenico Botelho no contrabaixo acústico, Natan Gomes ao piano e Kim Pereira na bateria. O grupo sustenta uma escuta atenta e uma dinâmica contida, essenciais para revisitar “The Composer of Desafinado, Plays” — álbum lançado em 1963, o primeiro de Antônio Carlos Jobim no mercado americano, quando o Brasil começava a ser ouvido para além de seus próprios limites.

Alexandre Elias e uma homenagem ao Rio 60’s (Foto: Divulgação)

A estética do show — visual e sonora — evoca o Rio das décadas de 1950 e 1960, mas evita o verniz da reconstituição. O passado aparece como atmosfera, não como figurino. A ele se somam os caminhos do jazz contemporâneo, seus silêncios calculados, suas texturas digitais e pulsação. No encontro entre eras, Jobim não surge como peça de museu, mas como matéria ativa, aberta a releituras que não pedem licença ao tempo

No palco, Alexandre Elias não se limita ao papel de intérprete reverente. O repertório se expande e respira para além de Jobim. Ao longo do show, o músico apresenta faixas de #Jobim, álbum lançado em 2023, ao mesmo tempo em que abre espaço para a própria escrita musical — discreta, sofisticada, avessa a exibicionismos. Entre elas está o jazz “Since you told me”, composição que encontrou circulação internacional ao integrar a playlist editorial do Spotify “Fresh finds Jazz – Best of 2022” Também no setlist estão
clássicos de Carlos Lyra e João Donato.

Em “Antonio Brasileiro”, seu último álbum, deixou uma frase, na música “Querida”: “longa é a arte, tão breve a vida”. O tempo passou — três décadas longas e irrecusáveis — e a equação segue intacta. A vida encurtou, como sempre; a arte, não. Ela continua ali, reaparecendo em acordes familiares, em harmonias que parecem já ter existido antes mesmo de serem ouvidas pela primeira vez.