Em comemoração ao Bicentenário da Independência, o Teatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta em seu foyer, no dia 7 de setembro, às 16h, a ópera “Domitila“, dirigida por André Heller-Lopes e estrelada por Gabriella Pace (soprano). O espetáculo ainda terá apresentações no dia 10, no Conservatório de Tatuí (SP), e no dia 13, no Teatro Municipal de São Paulo. O libreto é inspirado pela correspondência amorosa entre D. Pedro I e Domitila de Castro, e as músicas do espetáculo levam a assinatura de João Guilherme Ripper. Durante os sete anos em que o Imperador do Brasil manteve um romance com a Marquesa de Santos, eles trocaram 143 cartas, que mostram a história íntima e não-oficial do regente do Brasil e sua mais famosa amante, que já foi retratada na TV nas minisséries “O Quinto dos Infernos” (2002, na Globo) e “Marquesa de Santos” (1984, na Manchete).
“Domitila é uma mulher, de certa forma, contemporânea, pois passa por situações que vemos acontecer todos os dias. Ela lutou para sair de um casamento desastroso, foi atrás do imperador para conseguir a guarda dos filhos, virou sua amante, teve filhos com ele e circulava pelo meio político da época exercendo bastante influência”, recorda Gabriella Pace.

Ópera “Domitila” celebra o bicentenário da Independência com apresentações no Teatro Municipal do Rio e no de São Paulo (Foto: Stig de Lavor)
Por meio da ópera “Domitila”, renascem as palavras de paixão do Imperador à sua amante e também seus conflitos políticos por causa dessa polêmica relação, que existiu entre 1822 e 1829. O relacionamento acabou com uma carta de despedida para a Marquesa, que foi forçada a deixar o Rio de Janeiro na época em que D. Pedro I se casou com Dona Amélia, princesa de Leuchtenberg, o que pacificou a imagem do Imperador nas cortes europeias. “Quando ela lê a carta de despedida de D. Pedro I, em que lhe é pedido que não se magoe, é um misto gigante de beleza e crueldade. Certamente, é um dos momentos mais belos da ópera. Durante o espetáculo, há muitas mudanças dramáticas e expressivas da Marquesa. Está sendo, para mim, um grande desafio”, explica a cantora, que flerta ainda com a ária lírica italiana e com a canção brasileira.
“Domitila” utiliza uma fusão entre o erudito e o lundus, modinhas ou choros, para revisitar a famosa história de amor da corte brasileira. Nas escadarias dentro do Municipal, a ópera é conduzida pelos músicos Priscila Bomfim (piano), Lisiane de Los Santos (violoncelo) e Cristiano Alves (clarineta). A ação acontece nas escadarias, cobertas por milhares de rosas.
“D. Pedro I, sabidamente, teve muitas amantes, mas nenhuma ocupou o mesmo lugar que Domitila. Ela está no imaginário do Brasil como a grande história de paixão, a mais especial da vida do Imperador — que assinava as cartas como ‘Demonão’ ou ‘Foguinho’. Na montagem, Gabriella conversa com sua imaginação e com o público, resgatando cartas e revivendo as diferentes fases dessa história de amor. Elas são ora divertidas, ora dramáticas, e também alegres e tristes”, pontua o diretor André Heller-Lopes.
Escrita em 2000 por João Guilherme Ripper para a série “Palavras Brasileiras”, concebida e dirigida por André Heller-Lopes, “Domitila” se tornou uma das óperas mais bem-sucedidas, com inúmeras montagens não só no Brasil como em Portugal, onde também foi gravada em CD, também disponível no streaming, por Carla Caramujo e Toy Ensemble.

Ópera “Domitila” celebra o bicentenário da Independência com apresentações no Teatro Municipal do Rio e no de São Paulo (Foto: Stig de Lavor)
Serviço
Local: Foyer do Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Data: 7 de setembro de 2022
Horário: 16 h
Entrada Franca (Os ingressos poderão ser retirados a partir do dia 29/08 no site do Theatro Municipal: Lotação limitada a 100 lugares)
Classificação: Livre
Duração: 50 minutos
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