*Por Jeff Lessa
No mês passado, Nova Jersey tornou-se o segundo estado americano a aprovar uma lei que permite as escolas públicas a ensinar história LGBTQ. De que forma isso será feito? De acordo com a medida, as escolas deverão incluir em seus currículos aulas sobre contribuições políticas, econômicas e sociais de indivíduos homossexuais e transgêneros a partir do ano escolar de 2020/2021. Um bom exemplo poderia ser Harvey Milk, o primeiro homem declaradamente gay a assumir um cargo público na Califórnia, como supervisor da cidade de São Francisco, em 1977.

Nova Jersey é o segundo estado americano a tornar obrigatório o ensino de história LGBTQ
Obviamente, grupos conservadores se manifestaram contra a nova lei, afirmando que se trata de um assunto “sensível” que deveria ser deixado para os pais decidirem sobre entrar ou não na educação de seus filhos. Esqueceram-se, porém, de que as escolas tratam de casamentos e envolvimentos românticos de figuras históricas hétero o tempo todo e que, nem por isso, as crianças se mostram especialmente “sensibilizadas”.

Capitólio de Trenton, capital do estado de Nova Jersey
Em 2012, a Califórnia aprovou uma lei similar à de Nova Jersey. Nossos opositores de plantão estavam lá para chamar a medida de “lavagem cerebral sexual”, mas foram derrotados. Afinal, o currículo naquele estado apenas passou a abordar estruturas familiares “diferentes” e relações de gênero em mudança durante a Revolução Industrial e a era do Oeste Selvagem nas classes mais elementares. A partir do Ensino Médio, as aulas passaram a mencionar indivíduos LGBTQs e a história da opressão e da luta pelos Direitos Civis nos Estados Unidos.

Capitólio de Trenton, capital do estado de Nova Jersey
De acordo com a pesquisadora Stacie Bensilver-Berman, que está terminando seu PhD em Estudos Sociais em Educação na Nova York University, 63 livros escolares contêm nenhuma ou pouquíssima informação sobre a participação de LGBTQs na História. A maioria deles tem uma ou duas linhas sobre a revolta de Stonewall ou, pior, textos curtos culpando os homossexuais pela epidemia de Aids nos anos 1980/90.
A educação inclusiva é considerada importante por seus defensores para combater a influência das chamadas Leis No Promo Homo (leis que combateriam a “promoção” de valores homossexuais). Elas proíbem professores de abordar qualquer assunto ligado a sexualidades “variantes” sob uma luz positiva. Sete estados americanos adotam as Leis No Promo Homo: Alabama, Arizona, Louisiana, Mississippi, Oklahoma, South Carolina e Texas.
Não deve ser por acaso que são exatamente os que apresentam as piores taxas de HIV no país.
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