Guilherme Rodio chega ao Globoplay com estreia de peso. O ator integra o elenco de “Pico dos Marins: O Caso do Escoteiro Marco Aurélio”, docudrama em oito episódios dirigido por Marcelo Mesquita e produzido pela Paranoid Filmes, disponível na plataforma. A série revisita um dos casos mais perturbadores da história recente do país: o desaparecimento de Marco Aurélio Bezerra Bosaja Simon, escoteiro de 15 anos que, em 8 de junho de 1985, subiu o Pico dos Marins, em Piquete, no interior de São Paulo, com um grupo de escoteiros. Quando um dos companheiros se machucou na trilha, Marco Aurélio se ofereceu para descer sozinho em busca de ajuda. Nunca mais foi visto. Quarenta anos depois, a família ainda aguarda respostas. Equipes de resgate, voluntários e moradores da região vasculharam cada palmo do terreno na época — sem encontrar vestígio algum. A produção expande o podcast homônimo lançado em 2022, que ultrapassou 1 milhão de downloads e foi fenômeno de audiência. Hoje, a série está no Top 10 do Globoplay. Na trama, Guilherme interpreta Juan, o chefe dos escoteiros.
O artista aponta o crescimento do gênero true crime no audiovisual. “Estamos vivendo um boom de produções audiovisuais no gênero true crime. Pico dos Marins vem fazendo sucesso por que promove um impacto social. Para além do entretenimento, o true crime instiga o público, estimula conjecturas, gera debates sobre a sociedade em que vivemos e sobre o sistema de justiça. Claro que temos que cuidar, e no Pico foi uma prioridade, do impacto dessa exposição na vida da família do Marco Aurélio”.

No Top 10 do Globoplay, série com Guilherme Rodio encara caso real e reforça força do true crime no audiovisual (Foto: Julieta Bacchin)
O assunto que norteia “Pico dos Marins” é o desaparecimento, e o caso central do documentário é um ocorrido – e não concluído – há mais de 40 anos. “Desaparecimentos são muito delicados. Contar uma história como a do Marco Aurélio gera um grande fascínio e comoção pública, por que nos coloca frente a frente ao mistério e expõe a nossa vulnerabilidade de não ter respostas. O Brasil registra cerca de 230 desaparecimentos por dia. São histórias tristes e que deixam muitas famílias, como os Simon, em um estado de suspensão que corrói a saúde física e mental dos envolvidos. Algumas tornam-se emblemáticas e são contadas e recontadas como quebra-cabeças. A ausência de um desfecho mobiliza a nossa empatia e transforma a tragédia, para o público, em uma narrativa de suspense. Por isso é preciso cuidado e respeito”.

Guilherme Rodio: “Desaparecimento depende de cuidado e respeito” (Foto: Julieta Bacchin)
Com quase 20 anos de carreira, Guilherme reconhece em “Pico dos Marins” um divisor de águas. “Criar um personagem real, em uma situação tão delicada, foi uma experiência de muita responsabilidade — e que evidencia o quanto a arte tem uma função social poderosa. Acredito que pode ajudar a mudar o desfecho de um caso tão emblemático da história recente do Brasil”, afirma.
Na fila, dois longas inéditos aguardam lançamento. Em “Casarão”, dirigido por Cíntia Domit Bittar — título que integrou a vitrine de filmes em pós-produção no Fantastic Cuts do Marché du Film 2025, em Cannes —, Guilherme vive o personagem Giovani. Já em “Furnas Fundas“, comédia de terror dirigida por Beto Marquez, divide cenas com Eriberto Leão e Otávio Muller. “O Otávio tem uma espontaneidade e uma naturalidade que contagiam. Estar em cena com ele, respondendo a cada olhar e cada gesto, foi mágico”, entrega o ator.
Ator, roteirista e produtor, Guilherme não se limita a interpretar — ele cria. Entre os curtas que assina como produtor, em parceria com diretores de talento, dois títulos se impõem. Em “Batalha de Flores” (2024), dirigido por Luis Villaverde, conquistou o Prêmio de Melhor Ator no Festival Comunicurtas 2024 no papel do protagonista Agripino. Em “Sal” (2016), levou uma dobradinha: Melhor Ator no Canadian Diversity Film Festival e no Festival Comunicurtas, ambos em 2016, vivendo Márcio. Já em “A Volta Para Casa” (2019), dirigido por Diego Freitas — roteiro que também assina —, foi premiado como Melhor Ator Coadjuvante no Festival Guarnicê 2020, pelo personagem Anselmo. No set deste último, dividiu cenas com Lima Duarte. “Gravar o curta que eu criei, contracenando com o Lima Duarte, foi um processo maravilhoso de aprendizado, troca e de conhecer histórias que são lendas da TV e do cinema do Brasil”, recorda.

O ator acredita que é no teatro que pode exercer melhor a sua arte (Foto: Julieta Bacchin)
Filho do teatro — onde, segundo ele, o ator encontra sua maior autonomia —, Guilherme carrega o palco na visão que tem do cinema. “Cada pessoa presente num set de filmagem é uma peça pequena e imprescindível de uma máquina mágica de sonhos. O silêncio de toda uma equipe focada na resolução de uma cena, entre um ‘ação!’ e um ‘corta!’, é um exemplo formidável de como nós humanos podemos cooperar poderosamente uns com os outros”, define.
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