No mês do Orgulho LGBTQIA+, Lucas Drummond vive amor com motoqueiro em filme e fala de série sobre HIV nos Anos 80


O ator vive um momento de destaque na carreira ao estrear como protagonista no cinema com ‘Apenas Coisas Boas’, de Daniel Nolasco, exibido em festivais de Guadalajara e Los Angeles. No filme, ambientado em Goiás nos anos 80, ele interpreta Antônio, um homem recluso que vive um romance transformador com Marcelo, papel de Liev Carlos. Seu trabalho imprime uma força sensível às imagens, revelando as nuances do desejo, do afeto e da dor ao longo do tempo. Lucas também integra a minissérie ‘Máscaras de Oxigênio (Não) Cairão Automaticamente’, da HBO Max, sobre a epidemia de AIDS. Lucas Drummond também marca presença na minissérie Máscaras de Oxigênio (Não) Cairão Automaticamente, produção original da HBO Max inspirada em fatos reais. A trama acompanha um grupo de comissários de bordo que, em meio à epidemia de AIDS, passa a traficar AZT — um medicamento antirretroviral essencial no tratamento da doença — dos Estados Unidos para o Brasil, numa época em que o remédio ainda não era fabricado no país

Lucas Drummond vive um momento especial em sua trajetória artística ao se preparar para estrear como protagonista no cinema com o longa-metragem “Apenas Coisas Boas”, dirigido por Daniel Nolasco. A produção, gravada em 2024, teve sua primeira exibição no dia 11 de junho no Festival Internacional de Cinema em Guadalajara, no México — o maior da América Latina. No Brasil, o filme será exibido pela primeira vez dia 17, durante o prestigiado Olhar de Cinema, em Curitiba. Ainda neste mês, no dia 27, chega ao Frameline, tradicional festival LGBTQIAP+ de São Francisco, nos Estados Unidos.

Ambientado em Catalão, cidade do interior de Goiás, o filme se passa no ano de 1984 e acompanha a rotina solitária de Antônio, interpretado por Lucas Drummond, um homem recluso que vive exclusivamente dos trabalhos de sua pequena fazenda. Sua rotina muda abruptamente quando ele encontra Marcelo (Liev Carlos), um motoqueiro acidentado que cruzava a região. Antônio oferece abrigo e cuidados, e o que começa como um gesto de solidariedade evolui para um envolvimento afetivo profundo. A relação entre os dois dá início a uma transformação radical, tanto interna quanto externa, provocando abalos nas estruturas emocionais dos personagens.

Lucas Drummond em cena de “Apenas Coisas Boas” (Foto: Divulgação)

Ao falar sobre seu personagem, Lucas compartilha: “Antônio é um caubói do interior de Goiás. O típico matuto: um homem do campo, rústico, introspectivo e sem muito traquejo social. Vive isolado em uma fazenda, onde suas únicas companhias são os animais, que ele cria como se fossem família, já que a relação com seu pai e único familiar vivo é bastante complicada. Talvez ele nunca tenha vivido um romance. Isso muda quando ele encontra o Marcelo na estrada, e os dois acabam se apaixonando”.

Apenas Coisas Boas apresenta um retrato poético e visceral das múltiplas camadas do amor romântico — ora libertador, ora aprisionador. O longa mergulha no florescimento de uma paixão entre dois homens no interior do Brasil durante os anos 1980, explorando não apenas o início avassalador do romance, mas também suas consequências quatro décadas depois. Com uma filmografia marcada por narrativas LGBTQIAP+, o diretor Daniel Nolasco constrói uma atmosfera cinematográfica densa, que une paisagens do cerrado goiano a elementos de romance, erotismo, tensão e ação. Seu trabalho imprime uma força sensível às imagens, revelando as nuances do desejo, do afeto e da dor ao longo do tempo.

O primeiro longa-metragem como protagonista é sempre um momento importante na carreira de um ator. Estou ansioso para finalmente poder compartilhar este trabalho, do qual tenho tanto orgulho, com o público. E feliz com a estreia em um festival tão importante. Estrear em um festival de prestígio é sempre bom para a carreira de um filme! – Lucas Drummond

Lucas Drummond também marca presença na minissérie Máscaras de Oxigênio (Não) Cairão Automaticamente, produção original da HBO Max inspirada em fatos reais. A trama acompanha um grupo de comissários de bordo que, em meio à epidemia de AIDS, passa a traficar AZT — um medicamento antirretroviral essencial no tratamento da doença — dos Estados Unidos para o Brasil, numa época em que o remédio ainda não era fabricado no país. Lucas vive Wes, um dermatologista norte-americano que mantém um envolvimento afetivo com o protagonista, interpretado por Johnny Massaro. Cabe a Wes fornecer as receitas médicas que possibilitam a compra e o transporte do AZT.

Refletindo sobre o papel e a importância social da obra, Lucas comenta: “É um projeto que retrata um capítulo muito importante da nossa história e ainda muito pouco explorado na dramaturgia brasileira, porque o HIV ainda é motivo de muito estigma e preconceito na nossa sociedade. Apesar de não ter cura, o HIV tem tratamento e a gente precisa falar sobre isso. Foi um projeto que me desafiou porque, como as minhas cenas se passam todas nos Estados Unidos e o personagem é norte-americano, os diálogos são todos em inglês.”

Lucas Drummond está em série que debate o HIV nos Anos 1980 (Foto: Divulgação)

Expandindo seus horizontes criativos, Lucas retorna ao teatro com o espetáculo O Formigueiro, que tem estreia prevista para o segundo semestre de 2025. A peça, de tom cômico-dramático, narra o reencontro de três irmãos por ocasião do aniversário da mãe, que enfrenta os estágios finais do Alzheimer. Durante essa reunião, afloram conflitos familiares, memórias reprimidas e um segredo guardado por anos — oculto sob as camadas de silêncio e as formigas que invadem o antigo apartamento da infância. Além de atuar ao lado de Diego de Abreu, Roberta Brisson e Rodrigo Fagundes, Lucas também assina a idealização e produção do projeto.

Em depoimento sobre o processo de criação, ele relembra: “Três anos atrás, Thiago Marinho, autor e diretor do espetáculo, e que escreveu O Pescador e a Estrela junto comigo, me apresentou esse texto que ele havia escrito a partir da sua experiência com a avó, que teve Alzheimer por 10 anos. O projeto surgiu do desejo de falar como a convivência com uma doença sem cura pode transformar completamente a dinâmica de uma família. A peça, além de promover a conscientização sobre uma das principais doenças da contemporaneidade, é o equilíbrio perfeito entre comédia e drama, em uma obra extremamente popular. O tipo de espetáculo que eu gosto”.

“A peça, além de promover a conscientização sobre uma das principais doenças da contemporaneidade, é o equilíbrio perfeito entre comédia e drama, em uma obra extremamente popular” (Foto: Divulgação)

Ainda em 2025, Lucas também poderá ser visto em dois curtas-metragens com estreia prevista para o segundo semestre em festivais, antes de chegarem ao streaming. Em Nesta Data Querida, musical de linguagem pop e atmosfera leve, ele interpreta João, o melhor amigo do protagonista André (Vitor Rocha), por quem nutre um crush não correspondido. O filme, com roteiro de Vitor Rocha, músicas originais de Elton Towersey e direção de André Leão, aposta no frescor da juventude e nas dores do amor platônico.

Já em O Motorista, também sob direção de André Leão, o tom muda radicalmente: trata-se de um thriller tenso e urbano sobre um motorista de aplicativo que decide caçar um serial killer em atividade na cidade. Lucas dá vida a Vitor, um dos passageiros do carro, que se vê no lugar errado, na hora errada — tornando-se peça inesperada em uma noite de terror. Os dois filmes mostram a versatilidade de Lucas em gêneros distintos e reafirmam sua presença como um dos nomes mais promissores da nova geração do audiovisual brasileiro.