O ator Mouhamed Harfouch marca seus 30 anos de carreira com a estreia de “Meu Remédio”, um monólogo autobiográfico que promete emocionar e provocar reflexões no público. A peça, que entra em cartaz amanhã, dia 10, no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, apresenta um relato honesto e profundo sobre identidade, preconceito e a complexa relação do ator com sua ascendência árabe.
O espetáculo nasceu de um mergulho nas memórias de Mouhamed. “Fui me virando do avesso para jogar na tela sem pudor. Mas falar de si é perigoso, o ego pode trazer ciladas. Não queria uma auto celebração, queria expor minhas fraquezas, dificuldades e a minha inabilidade, muitas vezes, em aceitar e entender a minha própria história,” compartilhou. No ano passado, o ator já havia revelado ao site seu desejo de criar um monólogo.

Mouhamed Harfouch em seu primeiro monólogo “Meu Remédio” (Foto: Gustavo Freitas Lara)
Sob a direção de João Fonseca, “Meu Remédio” equilibra humor e emoção para abordar temas universais por meio de experiências pessoais marcantes. A peça, que transita entre momentos de profunda introspecção e leves toques de comicidade, reflete as complexidades da identidade, do preconceito e da conexão com as origens.
Monólogo é algo solitário. Precisei me desapegar das minhas certezas e me jogar de cabeça. Dá medo e desconforto, mas tem coisa melhor para um ator do que se sentir exposto e desafiado? – Mouhamed Harfouch
O espetáculo não apenas revela as nuances emocionais do ator, mas também destaca sua versatilidade artística ao incorporar a música como elemento central. Mouhamed, que tem no canto um talento pouco explorado em cena até então, optou por integrar canções à narrativa de forma fluida e orgânica. “Quando terminei o texto e começamos os ensaios, a música apareceu como uma solução natural, potencializando a história. No fundo, acho que elas sempre estiveram ali, só faltava eu enxergar,” brincou. As músicas, escolhidas com cuidado, ajudam a criar uma atmosfera intimista, reforçando a conexão entre o público e a jornada apresentada no palco.

Mouhamed Harfouch: “Quero explorar minhas fragilidades” (Foto: Gustavo Freitas Lara)
O cenário, minimalista mas carregado de simbolismos, contribui para manter o foco na atuação visceral de Mouhamed. Já a iluminação, cuidadosamente elaborada, enfatiza as diferentes camadas de emoção que permeiam o espetáculo. Esses elementos, combinados com a direção sensível de João Fonseca, resultam em uma experiência teatral única e envolvente.
O palco do Teatro Ipanema, onde a peça estreia, carrega um valor especial para Mouhamed. Foi nesse mesmo espaço, há exatos 30 anos, que ele deu seus primeiros passos como ator profissional. A escolha do local para o início de uma nova fase artística não é apenas simbólica, mas também emocional. “Minha expectativa é contar uma história que passa por mim, mas que fala, sobretudo, dessa imensa mistura que é o Brasil, um país acolhedor, pluricultural e diverso,” destacou o ator, refletindo sobre o propósito maior de sua obra.
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