Por Nayanne Louise
Que sertão que nada! Foi a Lapa que virou mar nesta última sexta (22), e não estamos falando da chuva que não deu trégua, mas de um “mar de gente”. O bairro carioca ficou pequenininho para tantos ritmos, estilos e pessoas de diferentes tribos, reunidos no show de lançamento do novo álbum de Marcelo D2, no Rio. Mergulhado no conceito do disco ‘Nada pode me parar’, o cantor transformou cada pedacinho do Circo Voador em uma deliciosa surpresa para seus fãs: batalha de vídeo-game, palco improvisado, uma rádio ‘ambulante’ com participações artísticas e jogos interativos compuseram o parquinho temático no qual a diversão era garantida pelo anfitrião da noite.
Para dar tempo de aproveitar todas as atividades interativas, os portões do Circo foram abertos mais cedo do que o comum. A partir das 20h, o público começava a entrar para curtir um ambiente totalmente interativo inspirado no conceito amplo do disco. Uma rádio ao vivo e um mini palco foram montados em um dos espaços da casa de shows, no qual o DJ Marcos Bocayuva comandava as atrações que chegavam para fazer pockets shows, rapidinhos e calorosos, de acordo com a quantidade de gente que rodeava o palco. Entre os artistas convidados, passaram por ali medalhões tipo Arlindo Cruz, Mart’nalia, Start (banda do filho mais velho de Marcelo), o rapper carioca Felipe Ret e o grupo Cabeza de Panda.
Já em um outro espaço da arena, dessa vez em local coberto, foi criada uma pop up store com uma exposição especial de produtos e fotos da carreira do cantor. Além disso, havia estandes espalhados por todo o Circo Voador com aquelas brincadeiras tradicionais dos parques de diversões americanos, subvertidas para o conceito da noite, como o irreverente ‘acerte o baseado na boca do D2’. Teve torneio de FIFA 14 com profissionais e até karaokê – tudo foi especialmente pensado para que realmente ninguém ficasse parado. E deu certo. Apesar da chuvinha ininterrupta, nada impossibilitou que o evento estivesse tomado pela multidão. Talvez até tenha sido um dos maiores públicos presentes, esse ano, em apresentações no Circo Voador.
Por volta de 00h30, o cantor, que é mestre em misturar gêneros musicais diferentes, subiu ao palco para dar início ao lançamento de seu disco. Em comemoração, ele recebeu os amigos Black Alien e B Negão (ambos ex-Planet Hemp), o filho (e também cantor de rap), Stephan, + Hélio Bentes, do grupo de reggae Ponto de Equilíbrio, para embalar o público com boas parcerias musicais. Já na seleção do setlist, ficou visível o cuidado do músico ao rechear o repertório com sucessos que familiarizassem a plateia, alternados com as faixas de lançamento. Bingo: hits como ‘Qual é‘, ‘Meu samba é assim‘, ‘Loadeando‘ e ‘A maldição do samba‘, entre outros, foram entoados na ponta da língua pelo público. Depois de mais de duas horas de show, D2 saudou a garotada presente com um agradecimento: “Estou muito feliz que vocês vieram aqui me ver. O Circo Voador é minha casa. Já fiz grandes noites aqui”.
O singular carisma, a ginga e as rimas irreverentes fizeram dele uma das figuras mais polêmicas de sua geração desde a criação do grupo Planet Hemp. Um dos responsáveis pela reformulação do rock nacional ao experimentar misturas entre rap, hip-hop e samba, com suas letras impactantes e cheias de ideologias, seu trabalho caiu no gosto popular e, atualmente, ele recebe reconhecimento de grandes artistas da música brasileira. Sua música cosmopolita também proporcionou a derrubada de barreiras, reduzindo o preconceito com sons provenientes da periferia (hip-hop, rap, samba). O cantor mostrou, mais uma vez, que nada pode detê-lo quando o assunto é música.
Fotos: Vinícius Pereira
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