Livro mergulha no universo dos vilões da teledramaturgia e resgata os bastidores de suas criações


O livro 101 Grandes Vilões e Vilãs da Telenovela Brasileira, de Gil Marcel Cordeiro, analisa 101 antagonistas marcantes da teledramaturgia nacional, cobrindo o período de 1963 a 2024. A obra explora a evolução dos vilões, seus impactos nas narrativas e suas repercussões sociais e culturais. Cordeiro destaca a importância desses personagens para o sucesso das novelas e critica a tendência recente de criar vilões apenas para viralizar. O livro conta com prefácio de Ary Coslov e será lançado em abril, com evento oficial em Curitiba no dia 26 de março

Se há algo que une noveleiras e noveleiras de todo o Brasil, é a paixão por um grande vilão. Essas figuras magnéticas, que despertam amor e ódio em igual medida, fazem parte da nossa cultura e memória afetiva. Mas o que torna um vilão inesquecível? Como esses personagens evoluíram ao longo dos anos? E qual é o impacto deles na construção de narrativas televisivas? Essas são algumas das questões exploradas em 101 Grandes Vilões e Vilãs da Telenovela Brasileira, livro que reúne, uma análise aprofundada dos antagonistas mais marcantes da nossa teledramaturgia. Da elegância de Odete Roitman à teatralidade de Nazaré Tedesco, do sadismo de Leôncio à dualidade de Flora, a obra traça um panorama que atravessa décadas e gêneros, destacando o impacto de cada personagem. Segundo o autor, Gil Marcel Cordeiro,“as novelas fazem parte do imaginário brasileiro, e seus vilões são figuras essenciais para que as histórias sejam envolventes. Meu objetivo com este livro foi reunir alguns desses personagens de forma crítica e também afetiva, criando um verdadeiro guia para quem ama telenovelas e seus antagonistas mais cônicos e curiosos”.

‘101 Grandes Vilões e Vilãs’ cobre um período que vai de 1963 – ano da primeira novela diária brasileira – até 2024, revisitando cronologicamente 101 personagens. Além de apresentar seus perfis e características marcantes, o livro também investiga os bastidores de cada criação, explorando as interpretações dos atores, as reações do público e a importância desses tipos dentro do contexto social e cultural de suas épocas. “Até hoje nunca tivemos um guia completo e dedicado exclusivamente aos vilões e vilãs,  pautada numa pesquisa de resgate de notícias publicadas na época em que cada novela esteve no ar. Meu objetivo foi costurar um panorama sobre a recepção desses personagens, não só pela crítica, mas especialmente pelo espectador. Nosso país tem um dos maiores e mais ricos acervos de novelas do mundo, e os antagonistas sempre tiveram um papel fundamental nesse sucesso. Reunir esses personagens foi, acima de tudo, uma forma de celebrar a história desse gênero, que é tão nosso”, destaca Gil.

Livro se dispõe a discutir e revisitar as vilãs das novelas (Foto: Divulgação)

MEU VILÃO, MEU HERÓI

Quando perguntado sobre seu malvado favorito, Gil destaca a interpretação de Cláudia Abreu como Laura, de Celebridade. “Ela tinha uma malemolência, era uma personagem construída com inteligência e carisma”. Com o tempo, no entanto, novas preferências surgiram. Mas, com o passar dos anos e tantas novelas assistidas, foi impossível não ampliar as referências e revisitar outras grandes personagens: “Hoje em dia, tenho um grande apreço por tipos como Dona Idalina (Nathalia Timberg), de Força de um Desejo, uma novela que, felizmente, tem sido redescoberta pelos noveleiros”, relembra. “Aquela mulher é um exemplo de vilania refinada e implacável”.

Já sobre os vilões que não o convencem, Gil reflete sobre a tendência recente de personagens que buscam, cada vez mais, impactar as redes sociais: “Um grande antagonista não é apenas mau por ser mau. Ele age por convicção, por ambição ou por um senso distorcido de justiça. Quando um vilão existe apenas para viralizar, com maldades calculadas e frases de efeito para ‘lacrar’ na internet, ele pode perder muito em profundidade.

Um antagonista deve se mover por razões que fazem sentido dentro da narrativa, e não para gerar engajamento. Quando a história é bem escrita e os personagens são sólidos, esse engajamento acontece naturalmente – Gil Marcel Cordeiro

Odete Roitman é uma vilã icônica (Foto: Divulgação/Globo)

Além de pesquisador e roteirista, Gil também é o criador do Novelesco, o primeiro podcast dedicado exclusivamente às novelas, lançado durante a pandemia, em 2020. O podcast já teve quatro temporadas e, ao longo dos anos, discutiu não apenas os mais diversos temas relacionados às tramas televisivas, mas também sua relação com a identidade e o cotidiano do brasileiro. O livro conta com prefácio assinado por Ary Coslov, diretor e roteirista que esteve à frente de grandes produções da TV Globo, e será publicado pela Editora Appris.

A partir de abril, a obra estará disponível nas livrarias de todo o Brasil, mas já pode ser adquirida em pré-venda no site da Amazon ou da Editora ApprisE para quem está em Curitiba, o lançamento oficial acontece no dia 26 de março, na Livraria da Vila do Pátio Batel, justamente no dia em que Avenida Brasil completa 13 anos.