Letramento racial e aventura: “O Pequeno Herói Preto” vira livro e reafirma protagonismo negro na literatura infantil


Após sucesso nos palcos, o espetáculo ‘O Pequeno Herói Preto’ chega às livrarias em versão literária pela Editora Malê. O livro será lançado no dia 5 de julho, na Livraria da Travessa de Botafogo, no Rio, com entrada gratuita. A obra narra a jornada de Super Nagô, um menino preto que descobre seus poderes por meio da ancestralidade. Com humor, cor e representatividade, o projeto reforça o protagonismo negro positivo na literatura infantil brasileira

Após emocionar plateias no Brasil e no exterior, o espetáculo infantojuvenil O Pequeno Herói Preto ganha vida nova nas páginas de um livro homônimo, publicado pela Editora Malê. Com lançamento oficial marcado para o dia 5 de julho, às 16h, na Livraria da Travessa de Botafogo (RJ), a obra reafirma seu compromisso com o letramento racial das infâncias, agora em formato literário — acessível, vibrante e cheio de propósito.

Criado pelo ator e contador de histórias Junior Dantas, em parceria com a diretora e coreógrafa Cristina Moura, e ilustrado por Rodrigo Andrade, o livro apresenta Super Nagô, um menino preto de 10 anos, youtuber e herdeiro dos poderes dos seus ancestrais. Ao longo da narrativa, ele encontra figuras históricas fundamentais como Tereza de Benguela, Ruth de Souza (1921-2019) e Elza Soares (1930-2022), costurando uma história que conecta passado e presente com ternura e potência.

Dupla de autores escreveu livro sobre letramento racial negro (Foto: Rodrigo Mendes)

A publicação mantém o espírito da peça: aposta no humor, nas cores e na oralidade para alcançar as crianças, inclusive aquelas que ainda escutam histórias com mediação. Mais do que entreter, o livro ocupa um território ainda rarefeito na literatura infantil brasileira: o de protagonistas negros que não nascem da dor, mas da potência, da alegria e do direito de imaginar futuros.

Junior afirma que o desejo de transformar o espetáculo em livro nasceu das primeiras sessões da peça, quando famílias queriam levar aquela história para casa. “A mensagem precisa ir além dos palcos. Queremos que ela esteja nas escolas, nas bibliotecas, nas rodas de leitura. Que o herói preto da infância brasileira não seja exceção, mas referência”, defende.

Os autores destacam que o lançamento na Bienal foi algo importante para eles. Foi uma alegria imensa ver as crianças descobrindo o livro e também os adultos desfrutando dele.

, do nosso país e de protagonismo preto. E também é importante criar e compartilhar narrativas positivas e divertidas com crianças pretas, criar e projetar uma possibilidade de futuro mais inclusivo, um futuro melhor para todos. Sempre houve o desejo de que o texto da peça virasse livro, que pudesse alcançar mais gentes e estar na casa das pessoas, escolas, bibliotecas pelo país afora. É uma história que vem do coração, que fala de transformação e fala da gente”.

“É muito importante e cada vez mais criar histórias que falem com os mais jovens de representatividade, de lugar no mundo”

Para Cristina Moura, coautora, fazer um livro e uma peça tem seus desafios particulares. “Cada um tem sua especificidade e seus desafios. Como já dirigi e criei alguns espetáculos teatrais de sucesso para a infância, este terreno já era conhecido para mim. Transformar o texto da peça em livro foi uma novidade gostosa e inspiradora. Os dois processos foram muito prazerosos e gratificantes. E espero que também seja assim para os pequenos leitores”.

Inspirado pelas vivências de crianças negras e pela força das raízes brasileiras, O Pequeno Herói Preto oferece uma nova lente para o universo dos super-heróis. Super Nagô é brasileiro, é alegre, e quer mudar o mundo — uma construção simbólica que diz, sem rodeios: todo menino e menina preto pode, sim, ser herói da própria vida.