*Por Júnior de Paula
Letícia Sabatella é um das grandes atrizes brasileiras e ninguém tem dúvida disso. Mas, mais ainda, Letícia é há muito tempo um exemplo de mulher forte (quase um pleonasmo, né? Ou alguém conhece uma mulher fraca?), de opinião, que luta pelos seus ideais e por suas convicções. Pois bem: tudo isso é para podermos falar de um quase linchamento público do qual a atriz foi alvo ao ter fotos suas em um bar de Brasília, onde comemorava a temporada de sua peça “Trágica. 3”, em cartaz até o dia 30 na capital federal. Nas tais imagens, vê-se Letícia bebendo vodca com os amigos, se divertindo e deitada no asfalto pós-drinks. Foi a senha para que se começasse a inquisição moral e machista. Muitos diziam que é feio mulher que bebe, outros que ela deveria ter responsabilidade com a sua imagem e, alguns, diziam que artistas eram todos iguais e adoram a “pouca vergonha”. Tudo registrado nos comentários da matéria em questão. Letícia ficou preocupada com isso? Claro que não. Nas redes sociais, ela soltou seu posicionamento em relação ao caso, que a gente reproduz aqui:
“Que auê por causa de uma noitada de cantoria e pisco sauer [aguardente destilada de uvas] com os amigos! Deitar no chão de tanto rir, e beber do céu as estrelas! Quem não precisa rir de si mesmo de vez em quando? Me recuso a sentir vergonha com esta pedra [bos**] moralista com que tentam me atingir. A vocês, queridos acusadores, ofereço um brinde!”
As pessoas precisam olhar com mais delicadeza para o outro, com mais compreensão e com menos pedras e julgamentos. Qual o problema de uma artista após o seu horário de trabalho se reunir com alguns amigos para beber, deitar no asfalto para olhar as estrelas, ou para rir, ou por sono mesmo, o que quer que seja, contanto que não atrapalhe o trânsito, o direito de ir e vir das pessoas? Qual o problema em ser feliz, em brindar à vida e fazer exatamente o que se quer sem se importar com o que vão pensar? Aqui também entra o adendo de que contanto não incomode ou atrapalhe o direito das outras pessoas. Problema é achar que uma mulher não deveria beber, que uma atriz não deveria se expor, que uma pessoa não tem o direito de fazer o que bem entende da sua vida nas horas livres. Problema é criticar por criticar, é se incomodar com a felicidade alheia e querer que o outro viva de acordo com os nosso preceitos e preconceitos.
Brinde aceito, Letícia, apesar de não sermos os acusadores. Mas não tem como recusar um brinde vindo de você. Que a vida tenha mais brindes, mais felicidade e menos comprometimento com a falsa moralidade. Viva e deixe viver.
* Junior de Paula é jornalista, trabalhou com alguns dos maiores nomes do jornalismo de moda e cultura do Brasil, como Joyce Pascowitch e Erika Palomino, e foi editor da coluna de Heloisa Tolipan, no Jornal do Brasil. Apaixonado por viagens, é dono do site Viajante Aleatório, e, mais recentemente, vem se dedicando à dramaturgia teatral e à literatura
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