De um lado, a vontade de passar para frente objetos de um grande artista da cultura brasileira e ajudar uma instituição. Do outro, uma família que quer ficar com todas as lembranças. Esta é a atual situação dos objetos de Renato Russo que, após serem expostos em uma mostra no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, agora estão em um conflito de interesses.
Filho do cantor e responsável pelo acervo de Renato Russo, Guiliano Manfredini procurou o Retiro dos Artistas no Rio para fazer uma grande doação com mais de 200 peças. “Há cerca de um ano, o Giuliano resolveu desmanchar o apartamento de Ipanema e nos procurou para fazer a doação. Ele disse que o Renato ficaria muito feliz de poder ajudar uma instituição como o Retiro dos Artistas, que dá apoio a artistas de todas áreas. Ele adorou a ideia do bazar”, contou Cida Cabral, diretora da instituição, ao G1.

Acervo de Renato Russo doado para o Retiro dos Artistas (Foto: Reprodução/G1)
No entanto, do outro lado da família, a irmã de Renato Russo divulgou uma carta manifestando opinião contrária à atitude de Giuliano Manfredini. Carmem Teresa, que também é cantora, disse que se preocupa com o espólio do artista e que a decisão do filho trouxe grande tristeza a todos. “Como pode Giuliano Manfredini, filho de Renato Russo, que deveria zelar por todo esse patrimônio, leiloar simplesmente tudo? Se desfazer do mesmo como não significasse nada? A tristeza é muito grande porque esses objetos, ou seja, todo o seu acervo cultural e artístico, foi guardado com muito esmero e carinho pelo seu pai, Renato Manfredini, minha mãe e por mim desde a sua morte em 1996. Cuidávamos de tudo, absolutamente tudo. Agora ele quer doar tudo como se nada valesse para nós? E os nossos sentimentos? E alguns objetos, que são meus também, por direito, como livros e LPS de infância, fotos? E também alguns que pertencem à minha mãe?”, escreveu.

Acervo de Renato Russo doado para o Retiro dos Artistas (Foto: Reprodução/G1)
Nesta doação de Giuliano Manfredini ao Retiro dos Artistas existem diversos tipos de objetos que pertenceram a Renato Russo, como fitas de vídeo que ele assistia, roupas de shows, LPs e CDs de sua coleção. De acordo com a diretora da instituição, o bazar teria preços variados a partir de R$ 200 e a renda arrecadada seria para ajudar as 50 pessoas que hoje vivem no retiro. Em meio a este conflito de interesses, Giuliano Manfredini não quis comentar a polêmica. “Com todo respeito, não vou comentar assunto de foro íntimo e familiar, mesmo se tratando de missiva irascível por parte de um parente que não tem nada a ver com o legado. E que os 3 mil itens de acervo intelectual e artístico do artista Renato Russo continuam sob a responsabilidade integral do Museu da Imagem e do Som, na cidade de São Paulo”, disse o filho do líder da Legião Urbana em entrevista ao UOL.
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