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Fause Haten: em entrevista exclusiva, estilista afirma que expô performática serve para pensar a moda

Assim como o lendário Yves-Saint Laurent, o estilista acredita que moda não sobrevive sem arte

Publicado em 30/10/2013 | Por Alexandre Schnabl

A poucas horas do desfile-surpresa que Fause Haten apresenta nesta quarta feira, durante a SPFW, fomos conferir a exposição que o estilista montou no Museu de Arte Brasileira, na FAAP, onde transformou o processo de backstage em uma inédita performance. Aproveitamos esta proximidade do desfile, inclusive, para entrevistar Fause, já que é nesses momentos que a coisa pega fogo. Mas, surpreendentemente,  ele estava muito calmo. Logo de cara, foi brincando e confessou que “o desejo de mostrar a roupa de outra forma só pode ser idéia de uma mente conturbada.” Para ele, é importante peitar o conceito, já que tudo não passa de um experimento, um projeto de risco sem expectativa alguma. E completou: “estamos no momento em que se vive entre a mesmice da fast fashion e a alta costura. O importante nem é mais a roupa em si, mas a experiência de quem a veste.”  E, diante da controvérsia criada em torno do suspense por não revelar onde será seu desfile (cujo endereço será fornecido aos convidados somente nesta quarta, uma hora antes, por sms), ele ainda afirmou que teve esta ideia no intuito de sair do convencional e criar um ruído, fazendo com que o público tivesse uma experiência fora do padrão. “Afinal, pode ser que você nem consiga chegar ao lugar do desfile e essa será sua experiência”, afirmou. É, pode ser…

No museu, o objetivo foi (segundo ele) revelar aquilo que se esconde e enconder o que se explana. Filosófico? Sem dúvida! “Quero mostrar como é este processo de criação em todos os detalhes que envolvem minha equipe e meu trabalho”, alegou. Tudo, no mínimo, sensorial. Nesta instalação, por exemplo, Fause apelou para recursos cenográficos que estimulam os sentidos como um paredão com uma faixa central de papel impressa com um céu e nuvens, lâmpadas de LED e até uma estrutura com perucas suspensas por fios, assim como os vestidos, montados em manequins negros, mas flutuando no ar. Lúdico.

E, como o estilista adora um bom teatro, logo na entrada as pessoas encontravam um enorme piano de cauda, onde um personagem chamado Maestro Tesoura usava a tal tesoura de costura para emitir sons, já que não havia teclado algum no instrumento. Tudo parte desse tal processo criativo do designer. “Todas as peças expostas, como sapatos e perucas, de fato serão usadas no desfile”, completou Fause, reiteirando ainda que a roupa tem uma função muito rápida na vida das pessoas, motivo pelo qual escolheu fazer peças trabalhosas e ricas em detalhes como forma de valorizar o trabalho. E terminou a entrevista, parafraseando Yves-Saint Laurent: “A moda não é arte, mas precisa desesperadamente de artistas para sobreviver.”  Bom, resta esperar o desfile hoje, nesta quarta, para ver se tudo faz mesmo sentido.

Fotos: divulgação

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