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Empresa ‘eco-friendly’ e ‘sweatshop free’ de Seattle produtora de ‘underwear’ inclusivo é a queridinha da vez no universo LGBTQ+

Criada em 2013, a TomboyX fabrica peças que podem ser usadas por pessoas de todos os gêneros e tamanhos e não para de crescer

Publicado em 10/06/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Jeff Lessa

Capas para laptop nas cores do arco-íris. Garrafa de água mineral nas cores do arco-íris. Embalagem de enxaguante bucal com as cores do arco-íris. Não importa para onde se olhe nas grandes cidades americanas, o que não falta é produto associado ao maior símbolo LGBTQ+. Afinal, junho é o Mês do Orgulho. No entanto, pouquíssimas empresas podem afirmar que não estão apenas surfando a onda do momento. A maioria aproveita o hype para fazer dinheiro rápido e fácil e, em seguida, dá tchauzinho para a comunidade queer. Sem culpa, é claro.

O underwear da TomboyX vêm em todos os tamanhos que se possa imaginar (Foto: Divulgação)

É por isso, entre outros motivos, que a TomboyX, empresa de Seattle especializada em underwear, tem chamado a atenção da comunidade. Criada há seis anos, a companhia cresce constantemente ano após ano, fortalecendo sua imagem junto ao público e marcando território como fornecedora de roupas de todos os tamanhos, do P ao XL, com a intenção de oferecer ainda mais opções. Além disso, todos os produtos são eco-friendly e sweatshop free (produzidos sem trabalho aviltante).

“Não fazemos isso para aproveitar uma tendência ou uma novidade”, diz a co-fundadora Fran Dunaway. “Estamos aqui há muito tempo. Somos uma empresa de gays operada por gays, isso é pessoal para nós. É parte do nosso DNA”.

A TomboyX foi fundada em 2013 por Dunaway e sua mulher, Naomi Gonzalez. A dupla dinâmica teve a ideia de abrir companhia depois de Dunaway ter penado para encontrar uma camisa de que gostasse e perceber que não havia opções para mulheres em busca de roupas no estilo masculino.

Fran Dunaway e Naomi Gonzalez são parceiras nos negócios e na vida (Foto: Divulgação)

As duas começaram com o básico: sapatos, camisas, cintos e chapéus. Até que alguém ligou para Gonzalez perguntando sobre cuecas boxer para mulheres. Nesse momento, ela teve uma inspiração. Fez uma pesquisa online rápida procurando essas peças e notou que havia um gap no mercado. O casal viu que tinha algo novo nas mãos. Tinha mesmo: depois que começaram a vender roupa de baixo, a renda triplicou em seis meses – e vem crescendo desde então.

“É impressionante, e às vezes inacreditável” diz Dunaway. “As apostas estão mais altas mas, ao mesmo tempo, estamos maravilhadas com onde a gente conseguiu chegar num tempo tão curto”.

Além de oferecer peças que podem ser usadas por todos os gêneros (a mesma cueca boxer, por exemplo, pode ser usada por um homem, uma mulher, uma trans, um travesti etc), a empresa também disponibiliza embalagens neutras. Para um público tão segmentado como o americano, trata-se de uma opção importante. O fato é que a TomboyX oferece mais que underwear. Ela vem proporcionando uma base para as pessoas se sentirem bem consigo mesmas, independentemente de gênero, sexualidade ou identidade.

Modelo de ‘underwear’ inclusivo da TomboyX serve para todos os gêneros (Foto: Divulgação)

“Essa é a nossa marca, a nossa empresa, e não temos que pedir desculpas pelo que somos nem pelo que representamos”.

E com o Mês do Orgulho à toda, ela não poderia estar mais ansiosa, pois espera “lotar as praias” com sua última coleção.

“Orgulho tem a ver com comunidade e é, no fundo, um momento para celebrarmos e não termos vergonha de ser quem somos. Orgulho não tem a ver com você ou comigo. Tem a ver com ‘nós’. E nós queremos que as pessoas realmente comemorem”, afirma.

 

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