Após passar por São Paulo, o espetáculo “Amor e Outras Revoluções” retorna ao Rio de Janeiro para uma curta temporada no Teatro Glauce Rocha, no Centro (RJ). Com dramaturgia de Tati Villela, a peça estará em cartaz de 24 a 27 de outubro, com sessões de quinta a sábado às 19h e domingo às 18h. Livremente inspirada nos textos “Vivendo de Amor“, de Bell Hooks, a obra narra as vivências de duas mulheres negras, prestes a se casar. Tati Villela e Mariana Nunes estrelam a peça, interpretando, respectivamente, Aynah e Luzia.
“Amor e Outras Revoluções” busca destacar a importância do amor na sociedade, o ato de sonhar e de abrir o coração para o outro. “Amor é ação, é desconstrução, é trabalho”, afirma Mariana Nunes, ecoando bell hooks. A trama gira em torno de Aynah e Luzia, que, às vésperas do casamento, começam a questionar se devem ou não seguir adiante com a cerimônia. A viagem emocional pelas suas próprias histórias inicia uma revolução interna sobre a presença e a ausência do amor.

Na montagem as atrizes discutem a representatividade LGBT (Foto: Divulgação)
Aynah, moradora da periferia do Rio de Janeiro, acaba de ser promovida no trabalho e reflete sobre sua vida. Ela é profundamente apaixonada por Luzia, uma recém-doutora em Ciências Sociais e Políticas Públicas, formada por instituições como Harvard, mas atualmente desempregada. Juntas, elas enfrentam um momento de incertezas, revisitando suas crenças e sentimentos sobre o casamento.
Tati Villela, que divide o protagonismo com Mariana Nunes, ressalta o pioneirismo do espetáculo: “O espetáculo apresenta o amor universal, mas coloca no centro a relação entre duas mulheres negras, reverberando em pessoas de todas as camadas sociais. Falar sobre amor a partir de uma perspectiva negra é uma forma de empoderar essa população e aproximar outras, abordando algo universal: o amor.” Ela destaca que o Rio de Janeiro, uma cidade que “respira amor”, é o cenário perfeito para essa narrativa.

Mariana Nunes e Tati Vilela (Foto: Divulgação)
A motivação central de Tati para criar a peça é a oportunidade de discutir o amor entre pessoas negras, especialmente num contexto de racismo estrutural. “Precisamos falar sobre o amor entre pessoas negras, sobretudo no Brasil, onde o racismo deixa suas marcas profundas. Estamos aprendendo a amar nosso reflexo, nosso espelho”, diz a autora, que acredita na produção de novos imaginários como uma ferramenta crucial para o avanço das pautas raciais e LGBTQIAPN+.
O subúrbio carioca é um dos principais cenários da peça, que busca mostrar como o amor também faz parte das vivências periféricas. A obra questiona como histórias de amor podem empoderar esses territórios. “Estamos muito felizes em apresentar ‘Amor e Outras Revoluções’ em mais uma temporada no Rio. Esperamos que essa história toque diversas pessoas e que essa diversidade continue enriquecendo a peça”, concluem as protagonistas.
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