Eliot Tosta observa diferenças culturais nos sets europeus enquanto amplia presença no audiovisual nacional


O ator vive uma fase de intensa atuação entre o Brasil e a Europa, com trabalhos em séries, cinema e novelas exibidas em diferentes países. Morando em Madri desde 2019, o ator acumula experiências em produções brasileiras, portuguesas e espanholas, ampliando sua presença no mercado internacional. Ele destaca que, embora os sets sigam estruturas semelhantes, as maiores diferenças estão no fator humano e nas culturas locais. Atualmente no ar em “Arcanjo Renegado” e “Santo”, produção internacional da Netflix, Tosta também aguarda novos lançamentos no streaming. Mesmo com a expansão das plataformas, o ator reforça a força da teledramaturgia brasileira e afirma que a novela segue sendo fundamental para a projeção de artistas nacionais

Eliot Tosta vive um momento de circulação profissional entre o Brasil e a Europa, consolidando uma trajetória marcada pela versatilidade e pela presença em diferentes formatos do audiovisual. Atualmente, o ator integra o elenco da quarta temporada da série “Arcanjo Renegado”, disponível no Globoplay, está em cartaz nos cinemas com o filme Asa Branca, a voz da arena” e também pode ser visto pelo público português na novela “Terra Forte”, exibida naquele país. A diversidade de projetos evidencia um período de alta produtividade e reafirma seu trânsito entre mercados distintos.

Nos próximos meses, novos trabalhos devem ampliar ainda mais essa visibilidade. Eliot Tosta participa da sexta temporada de “Impuros”, produção brasileira da Disney+, e integra o elenco do longa-metragem “Por um fio”, cinebiografia que aborda a vida do médico e escritor Dráuzio Varella. Aos 37 anos de idade e com 16 anos de carreira, o ator soma experiências em televisão, cinema e teatro, com atuações que dialogam tanto com o público brasileiro quanto com o europeu.

Desde 2019, Tosta mora em Madri, na Espanha, onde passou a desenvolver também projetos como produtor. No país, esteve à frente do espetáculo “Mi tio Paula” e integrou o elenco da série “Santo”, da Netflix, ampliando sua atuação no mercado audiovisual espanhol. A vivência fora do Brasil, segundo ele, tem contribuído para uma percepção mais ampla sobre os modos de produção e sobre as diferenças culturais que atravessam os sets de filmagem.

Eliot Tosta fala das diferenças culturais entre Brasil e Europa (Foto: Carolina Schievenin)

Ao comentar sua experiência em produções europeias, especialmente em Portugal e na Espanha, o ator destaca o aspecto humano como elemento central desse processo. “Posso dizer que essa experiência tem sido cheia de afetos. O elenco com quem trabalhei — em grande parte português — me acolheu de um jeito muito generoso, me fazendo sentir em casa desde o início. O que muda bastante é o material humano. As pessoas que compõem esses ambientes, vindas de culturas e realidades diferentes, fazem toda a diferença. No set português, apesar de termos muitos brasileiros e falarmos a mesma língua, existem particularidades. O próprio sotaque exige atenção para não dar nenhuma bola fora. Na Espanha, acontece algo parecido: o sistema é semelhante, mas a textura vem das pessoas. Uma coisa que noto nos sets europeus, de modo geral, é que eles são muito práticos. Tenho muita vontade de fazer novelas brasileiras. De onde eu venho, só era considerado ator ou atriz quem estava na televisão. As novelas fizeram parte do meu imaginário. E uma coisa que percebo, morando fora, é o quanto a nossa teledramaturgia é forte. Conheci muitas pessoas ao longo da vida que, quando descobrem que sou brasileiro, citam novelas, personagens e até textos inteiros de nossas novelas”.

A fala evidencia não apenas o impacto afetivo das trocas culturais, mas também o olhar crítico de quem observa, à distância, a força simbólica da teledramaturgia brasileira. Mesmo estabelecido na Europa, Eliot Tosta mantém o desejo de aprofundar sua relação com as novelas produzidas no Brasil, reconhecendo nelas um patrimônio cultural de grande alcance internacional. Entre sets europeus e produções nacionais, o ator segue construindo uma carreira que dialoga com diferentes públicos e reafirma a potência do audiovisual brasileiro no exterior.

Antes, as oportunidades muitas vezes surgiam por sorte. Hoje, com o crescimento das produções brasileiras, surge também uma curiosidade — e, com ela, caminhos e possibilidades para conhecerem melhor o nosso molho – Eliot Tosta

Eliot Tosta aponta haver mais similaridade entre as produções de audiovusual brasileiras e estrangeiras (Foto: Carolina Schievenin)

Com uma trajetória que atravessa diferentes mercados audiovisuais, Eliot Tosta acumula experiências em sets de gravação no Brasil, em Portugal e na Espanha, país onde vive atualmente. A vivência internacional permite ao ator observar, com certa distância crítica, semelhanças estruturais e contrastes culturais entre os modos de produção. Para ele, embora os sistemas de trabalho obedeçam a lógicas organizacionais parecidas, o que realmente define a dinâmica de um set são as pessoas que o compõem.

Ao comentar as diferenças entre os ambientes profissionais que conheceu ao longo da carreira, Tosta ressalta que a hierarquia e a organização seguem padrões relativamente universais, sobretudo no audiovisual. Ainda assim, segundo ele, é no fator humano que surgem as maiores distinções, capazes de transformar completamente a experiência de trabalho. “Os sets por onde passei, em diferentes países, seguem um formato hierárquico bastante parecido. O trabalho é sistematizado, então, organizacionalmente, eles se assemelham muito. O que muda — e muda bastante — é o material humano. Ou seja, a estrutura é semelhante, mas o ‘recheio’ muda completamente. As pessoas que compõem esses ambientes, vindas de culturas e realidades diferentes, fazem toda a diferença. No set português, apesar de termos muitos brasileiros e falarmos a mesma língua, existem particularidades. O próprio sotaque exige atenção para não dar nenhuma bola fora — seja por não compreender algo, seja por palavras que têm significados diferentes. Na Espanha, acontece algo parecido: o sistema é semelhante, mas a textura vem das pessoas. Uma coisa que noto nos sets europeus, de modo geral, é que eles são muito práticos — às vezes até rápidos demais. Acho que isso vem de uma objetividade muito direta. É pá pum”.

Eliot Tosta aponta que o sotaque português dificulta a compreensão (Foto: Carolina Schievenin)

Atualmente, o ator pode ser visto pelo público brasileiro na série “Arcanjo Renegado”, disponível no Globoplay, e também em “Santo”, produção internacional da Netflix. Além desses trabalhos já lançados, ele aguarda a estreia de novos projetos no streaming, que devem ampliar ainda mais sua presença nas plataformas digitais. Apesar da diversidade de formatos que marcam sua carreira — entre cinema, séries, teatro e produções internacionais —, Eliot Tosta não esconde o desejo de atuar em novelas brasileiras, formato que considera central na formação e na projeção de atores no país.

Ao refletir sobre esse desejo, o ator associa a importância da telenovela tanto à sua história pessoal quanto ao papel cultural que esse gênero ocupa no Brasil e no exterior. Para ele, a novela continua sendo um instrumento fundamental de visibilidade e reconhecimento profissional. “Tenho muita vontade de fazer novelas brasileiras. Filmes, séries, streaming, teatro — tudo! Mas a novela ocupa um lugar muito especial no meu imaginário infantil. De onde eu venho, só era considerado ator ou atriz quem estava na televisão. Então, mesmo fazendo teatro amador, quando eu via uma novela com crianças, pensava: ‘como foi que essa criança foi parar aí?’. Essa vontade vem daí. As novelas fizeram parte do meu imaginário e influenciaram toda uma geração. E uma coisa que percebo, morando fora, é o quanto a nossa teledramaturgia é forte. Hoje temos plataformas que fazem o conteúdo nacional atravessar fronteiras, mas, antes mesmo disso, quantas pessoas eu conheci ao longo da vida que, quando descobrem que sou brasileiro, citam novelas, personagens e até textos inteiros. Isso dá um orgulho imenso. Pessoas de outras partes do mundo conhecem personagens que, às vezes, nem eu lembrava mais — mas que marcaram profundamente a vida delas. Aí penso: olha o caminho que esse produto fez. Se ele causa esse impacto fora do país, imagino que sim, que a novela ainda é um grande aliado para um artista nacional ganhar destaque.”

A partir dessa perspectiva, Eliot Tosta reafirma a força simbólica e cultural da teledramaturgia brasileira, mesmo em um cenário cada vez mais dominado por produções sob demanda. Entre experiências internacionais e o desejo de se conectar novamente com o público das novelas, o ator segue construindo uma carreira que dialoga com diferentes linguagens e reforça a relevância do audiovisual brasileiro além de suas fronteiras.