Sem rusgas. Chico Buarque disse, por meio de Mario Canivello, seu porta-voz, que caso venha a ocorrer algum pedido de liberação de uso de suas músicas pelo ator Claudio Botelho, a retratação pública que ele fez nessa semana certamente será levada em consideração. Chico também “aceitou o pedido de desculpas”. É que Botelho, ator e diretor, no último dia 19, durante uma apresentação do musical “Todos os musicais de Chico Buarque em 90 minutos” em Belo Horizonte (MG), fugiu do roteiro original e se referiu à prisão de “um ex-presidente ladrão” e citou “uma presidente ladra” durante a peça. Após ser retaliado por Chico (com histórico de declarações em prol da presidenta Dilma Rousseff), ele redigiu uma carta aberta dizendo que o episódio o tem “causado enorme desgosto desde então”, incluindo ameaças à sua integridade física pelo Facebook, telefone, trotes e acusações em diversas vertentes. “Desde aquele momento, apenas sofro, penso e repenso, estou muito triste. Porém minha tristeza é o que menos interessa neste momento”, disse.
O ator pediu desculpas para Chico Buarque e falou que reconhece sua soberania a respeito de tudo que envolva seu nome e sua criação. “Não tenho nenhum direito de inferir, pressupor, fazer ilações com nada que se refira ao autor, seja Chico ou qualquer outro artista que me autorize a trabalhar com sua obra. Minha obrigação – por ética e respeito – é ser cuidadoso, reverente, e em nenhuma hipótese atingir a história, o pensamento, a identidade de quem me permite generosamente colocar em cena suas obras. Este é meu dever como diretor, ator, e produtor. Errei. Erro muito. Sou humano, mas isso não me desculpa. Aos 51 anos, sendo também autor e sendo um homem de história longa no teatro, eu tinha por obrigação preservar o autor e sua obra, não permitir que nada partindo de mim resvalasse nele, seja da forma que fosse”, disse.

Botelho em cena na peça “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos” (Foto: Pólobh / Divulgação)
Botelho ainda falou sobre o vazamento de um áudio, captado em seu camarim, onde ele foi flagrado, em suas próprias palavras, “num momento de enorme nervosismo, de destempero, de raiva”. Ele continuou: “Nada justifica que invadam minha privacidade, considero a gravação um ato criminoso e a divulgação dela pelas mídias sociais é uma agressão à minha intimidade. Portanto, isto está sendo tratado em esfera policial e jurídica. Mas mesmo assim, por ter sido duro, descortês, arrogante e destemperado (o momento era muito inflamado), peço desculpas a todos que ouviram aquele Claudio Botelho sem compostura. E, se atingi alguém, mesmo tendo sido violada minha privacidade, peço novamente desculpas. Minha exaltação e qualquer menção à obra do autor naquele dia são motivo de vergonha para mim neste momento”.
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