*por Vítor Antunes
Na última noite de desfiles do Grupo Especial, um acidente marcou o desfile da Beija-Flor. O segundo chassi, dos três que compunham o carro abre alas, pegou fogo. O incêndio foi rapidamente debelado ainda na concentração, porém o espaço destinado ao componente que viria de destaque veio vazio, o que pode gerar penalização no julgamento. Em 1998, a Soberana de Nilópolis também passou por um princípio de incêndio na alegoria abre-alas, mas ainda assim foi a campeã do carnaval daquele ano. Em 1994, a azul e branca da Baixada também foi afetada por chamas em uma de suas alegorias, no ano de estreia do Milton Cunha como carnavalesco. Naquela ocasião, quando o curto circuito atingiu o carro, ele estava no meio da avenida e só pôde passar com seus efeitos na íntegra no desfile das campeãs. Em 2007, no sábado em que há o desfile celebrativo das escolas vendedoras do Carnaval do Rio, a Unidos da Tijuca também passou por um incêndio na sua alegoria abre-alas. Como o desfile de sábado não é competitivo a agremiação tijucana não foi penalizada.
O caso mais grave relacionado ao fogo numa escola de samba deu-se em 1992, quando uma das alegorias da Unidos do Viradouro incendiou sozinho no meio da Avenida. Ainda hoje não se sabe com clareza o que motivou o acidente, porém as enormes labaredas que lamberam o carro que homenageava a Rússia, no enredo sobre os ciganos ficaram imortalizadas. Não houve feridos, mas a escola niteroiense, que estava cotada para receber o título, acabou com o nono lugar.

Desfile de 1998 da Beija-Flor. A alegoria abre alas da escola passou por um princípio de incêndio no início de seu desfile (Foto: Armando Borges/Wikimedia)
Brava Gente! O Grito dos Excluídos no Bicentenário da Independência (Beija-Flor, 2023)
Em 2023 a Beija-Flor entrou na avenida como uma das cotadas a título num projeto grandioso liderado pelos carnavalescos André Rodrigues e Alexandre Louzada. A escola de Nilópolis trouxe como enredo uma proposta crítica de se fazer uma releitura dos 200 Anos da Independência do Brasil, concedendo protagonismo a personagens que, costumeiramente, são excluídas da História oficial. O carro abre-alas da nilopolitana, dividido em três chassis, sofreu uma avaria em um dos elementos, que teve um princípio de incêndio ainda na concentração. Por mais que o fogo tenha sido controlado antes de a escola entrar na avenida e não tenha havido feridos, a escola deve ser penalizada no julgamento, já que que, além do pedaço chamuscado, o “queijo” onde viria o destaque desfilou vazio. Ainda assim, a Beija recebeu o Estandarte de Ouro de Melhor Escola e segue sendo uma das favoritas a título, junto com a Viradouro e a Mangueira.

Segundo chassi do Abre-Alas da Beija-Flor pegou fogo ainda na concentração (Foto: Reprodução/TV Globo)
Pará – O Mundo Místico Dos Caruanas Nas Águas do Patu-anu (Beija-Flor, 1998)
O ocorrido na primeira alegoria nilopolitana não é novo. Em 1998, a azul e branca passou por um princípio de incêndio quando já pisava na Avenida e que precisou ser debelado imediatamente, não apenas por ser o principal carro da agremiação, mas por haver uma ala com crianças imediatamente atrás de si. O enredo que tratava sobre o folclore do estado do Pará e a pajé Zeneida Lima sagrou-se campeão do carnaval daquele ano, mesmo com esses contratempos, e a Beija dividiu o título com a Estação Primeira de Mangueira.

Beija-Flor passou por um incêndio em 1998. Mesmo assim a escola foi campeã (Foto: Reprodução/TV Globo)
“Margareth Mee, a Dama das Bromélias” (Beija-Flor, 1994)
Quatro anos antes, em 1994, a azul e branca de Nilópolis desfilou um enredo em homenagem à botânica inglesa Margareth Mee (1909 – 1988) no ano de estreia de Milton Cunha como carnavalesco. Um dos carros alegóricos da agremiação, o “Carrossel Beija-Flor“, passou por problemas elétricos e incendiou logo no início do seu desfile. Ainda que o fogo tenha sido controlado com ligeireza, a alegoria contou com uma maciça presença dos bombeiros que ocuparam o carro e suas laterais. As avarias no carro e os problemas de evolução acabaram custando à escola a quinta colocação naquele carnaval, vencido pela Imperatriz Leopoldinense. A alegoria só pôde desfilar como foi inicialmente concebida no desfile das campeãs daquele ano.

Incêndio no carro “Carrossel Beija Flor”, em 1994 (Foto: Reprodução/TV Globo)
De Lambida Em Lambida, a Tijuca Dá Um Click Na Avenida (Unidos da Tijuca, 2007)
Em 2007, a Unidos da Tijuca desfilou um enredo sobre a história da fotografia. Os carnavalescos eram Luiz Carlos Bruno e Lane Santana. No desfile principal, a escola do Morro do Borel não passou nenhum grande apuro, o que permitiu a ela ficar na quinta colocação. Porém, no desfile das Campeãs, no sábado subsequente ao desfile da tijucana, o carro abre alas avariou no local onde havia um efeito especial. Nas mãos da escultura principal do carro abre-alas, havia um efeito que simulava um flash fotográfico e este acabou dando origem a um pequeno incêndio que avolumou-se durante o desfile e precisou de uma intervenção mais enérgica do Corpo de Bombeiros. Como tratava-se de um desfile comemorativo, a Tijuca não foi penalizada diante do incêndio.

Carro Abre-Alas da Unidos da Tijuca, em 2007, no desfile das campeãs (Foto: Acervo/O Globo)
… E a Magia da Sorte Chegou! (Viradouro, 1992)
O caso mais grave de incêndio na Marquês de Sapucaí foi em 1992, durante o desfile da Unidos do Viradouro. A escola de Niteroi vinha como uma das cotadas a título já em seu segundo ano no Grupo Especial. O enredo do carnavalesco Max Lopes tratava sobre a história do povo cigano e foi marcada por muito luxo e opulência. Porém, quando a alegoria que representava os ciganos da Rússia estava na altura do quarto módulo de julgamento, houve um incêndio de grandes proporções e difícil controle. Houve a necessidade da entrada de um caminhão dos bombeiros no meio da Avenida para tentar controlar as chamas do carro, totalmente composto por material inflamável. Quando o fogo foi debelado, a Viradouro atrasou o fim do seu desfile em treze minutos e já entrou na apuração com treze pontos a menos, além dos outros reflexos oriundos da perda total da alegoria na dispersão. Ninguém se feriu. O favoritismo da Viradouro se confirmou, pois que não fossem descontados os tais pontos, a escola ficaria com o terceiro lugar na classificação geral.

Alegoria que representava os ciganos russos na Viradouro, em 1992. O maior incêndio da história do Sambódromo (Foto: Acervo/O Globo)
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