Aos 16 anos, e já emancipado, Agyei Augusto se projetou nacionalmente ao protagonizar, em 2021, a série “Sintonia”, da Netflix. Desde então, sua carreira acumula desdobramentos. Desde outubro, o paulistano aparece em “Clube Spelunca”, produção da MAX e da TNT, onde interpreta Gabito, um adolescente de astral expansivo e entusiasmado pela cultura K-pop.
Ator, cantor e compositor, ele se prepara para lançar seu novo single, “Baila Bebecita”. A faixa, de autoria própria e com pegada R&B, chega às plataformas em 27 de novembro como parte do trabalho que desembocará em seu primeiro álbum, previsto para 2026. O EP de estreia, porém, já circula por aí.
“’Baila Bebecita’ representa um marco pra mim, porque sinto que é o pontapé inicial de uma nova fase da minha carreira. É uma faixa totalmente dançante, quente, com essa latinidade forte misturada às minhas raízes do pop e do R&B. Ela traz uma sonoridade diferente do que eu vinha lançando, mas ao mesmo tempo necessária pra essa renovação que está acontecendo na cena musical. Ela representa um Agyei mais maduro, mais seguro e pronto pra alcançar um público maior”, diz ele, que cita Michael Jackson, Chris Brown e Usher como influências de formação.
Paralelamente, segue atuando como dublador: emprestou voz a Grover, na série “Percy Jackson”, da Disney, e a Barney em “Ron Bugado”, da Pixar. “As três vertentes profissionais revelam um lado diferente meu como artista, embora todas estejam conectadas entre si. O fato de eu ter começado no teatro musical me permitiu transitar por todas essas áreas. Foi ali que aprendi a cantar, dançar e atuar, e a partir disso fui migrando para outros caminhos”.

Agyei Augusto é ator, dublador e lança seu primeiro álbum (Foto: Juliana Sabattina)
Ele vai alinhavando essa trajetória até o presente. “Agora estou entrando numa fase mais madura da minha carreira musical. Estou prestes a lançar meu disco em 2026 e, nesta sexta-feira, dia 28, lanço Baila Bebecita, que abre essa nova era. Minhas letras evoluíram, minha visão mudou, mas minha essência do R&B e do pop continua igual.” O gênero, ainda marcado por metáforas explícitas e narrativas sexualizadas, levanta uma questão: que cuidados toma um jovem artista ao falar para um público igualmente jovem?
Agyei responde sem hesitar: “Eu tenho muito cuidado com isso. Meu propósito sempre foi inspirar as pessoas. Eu quero que, se alguém estiver num dia ruim, escute minha música e se sinta melhor — que dance, que sorria, que se identifique com alguma história. Eu só escrevo sobre coisas que realmente vivi. Nunca escrevo uma história inventada ou que não tenha relação comigo. Falo de amor, de desilusão, de amizade, de aproveitar a vida, de momentos reais. E sim, eu cuido muito do que escrevo. Evito palavras pejorativas, não objetifico ninguém, principalmente as mulheres. Isso é meu mesmo, é da minha personalidade. Não quero ser só mais um artista que faz algo porque ‘vende mais’.”
Quero fazer música com verdade, com respeito, com energia boa, e ainda assim moderna e com a vibração do R&B que eu amo – Agyei Augusto.
Ela fala sobre como se descobriu compositor. “Eu me descobri compositor na pandemia, quando tinha uns 11 anos. A gente estava muito em casa, meio entediado, e a música sempre foi meu lugar seguro. Minha mãe sempre ouviu muito pagode, meu pai sempre gostou de R&B, então eu cresci com Michael Jackson, Bruno Mars, Chris Brown… eu vivia imitando o Michael desde pequeno. Na pandemia, comecei a brincar de compor. Um dia eu estava cantarolando uma melodia, jogando umas palavras por cima e percebi que aquilo tinha virado uma música. Essa primeira composição se tornou meu primeiro single: “Te Amo Como Sempre Te Amei“. Passei a pandemia inteira escrevendo. Todas as músicas do meu EP Agyei Na Área nasceram ali. A última faixa foi lançada agora em 2025”.

Agyei Augusto começou a carreira em programas como o de Raul Gil (Foto: Juliana Sabbatina)
A dublagem entrou na vida do artista com a mesma naturalidade com que crianças descobrem passagens secretas atrás do guarda-roupa. “Minha primeira experiência com dublagem foi no desenho ‘Fancy Nancy Clancy’. Foi ali que eu fiz minha primeira escala de verdade, dublando o Lionel — primeiro como voz cantada do personagem. Mais tarde, quando o dublador original da voz falada passou pela mudança de voz, abriram testes, e como eu já fazia as músicas, me chamaram. Fiz o teste e acabei ficando também como voz falada dele. Essa escala foi a que realmente marcou minha entrada na dublagem e abriu portas pra tudo que veio depois. A partir daí surgiram outros trabalhos importantes, como o Barney de ‘Ron Bugado’, o Tyler de ‘Red: Crescer é Uma Fera’, entre muitos outros personagens.”
No estúdio, o rigor vocal se impõe. “Eu cuido muito da minha voz — hidratação diária, aquecimento vocal da fono e das aulas de canto, e uma boa noite de sono sempre que dá. Nem sempre dá tempo de pesquisar antes, porque às vezes a gente só descobre o personagem na hora da escala. Por isso, ouvir a direção e ir construindo a interpretação junto no estúdio é essencial.”

Agyei Augusto olha como generosidade para a própria história (Foto: Juliana Sabbatina)
Artista desde cedo, ele revisita o início da carreira com a nitidez de quem ainda consegue enxergar o próprio tamanho aos quatro anos de idade. “Com quatro anos, eu participava do Estúdio Eudóxio Junior, e por causa disso eu comecei a ir pra vários programas do SBT, como o Raul Gil, fazendo apresentações como ‘mini Balão Mágico’, ‘mini Jairzinho’, ‘mini Jackson 5’… tudo muito lúdico e divertido. Eu entrei no meio artístico muito cedo, com dois anos de idade, e foi totalmente por acaso. Minha mãe queria fazer umas fotos minhas — como toda mãe — e me levou numa agência pra um ensaio. Eu fiz as fotos, elas ficaram lá na agência, e um dia precisaram de uma família pra uma publicidade. Mandaram nossas fotos, gostaram e me chamaram. Ao mesmo tempo meus pais sempre me levavam ao teatro. Quando era folga da minha mãe, ela me levava; quando era folga do meu pai, ele me levava. Eu fui pegando amor por aquilo e pedi pra minha mãe me colocar num curso. Entrei no teatro musical bem pequeno — tão pequeno que eu nem era alfabetizado ainda. Minhas colegas do curso me ajudavam a decorar as falas e isso virou parte da minha rotina.”
Ele segue amarrando os fios. “Depois vieram as audições, e eu passei no meu primeiro musical profissional, “Escola do Rock”. Foi um divisor de águas para mim. E foi justamente nesse musical que diretores de dublagem me viram e me chamaram para fazer testes. A partir daí, várias portas foram se abrindo, tanto na dublagem quanto na atuação e na música. Hoje as três áreas caminham juntas na minha carreira.”

“Entrei no teatro musical bem pequeno — tão pequeno que eu nem era alfabetizado ainda” (Foto: Juliana Sabbatina)
Agyei parece mover-se como alguém que conhece o próprio compasso: oscila entre o palco, o estúdio e a cabine de dublagem com a naturalidade de quem cresceu afinando a vida entre melodias e personagens. Aos 19 anos, ainda tateia os contornos daquilo que chama de maturidade artística, mas já sabe que sua obra nasce do mesmo impulso que o fez cantarolar palavras soltas na pandemia — a tentativa de transformar o cotidiano em música, e a música em algum tipo de abrigo. Seu percurso, costurado por improvisos, testes inesperados e madrugadas de gravação, agora desemboca numa fase em que ele próprio conduz o ritmo. Se o futuro cabe numa faixa dançante ou num personagem de voz adolescente, ele não arrisca prever. Por ora, parece satisfeito com a ideia de seguir criando — no volume certo, na vibração certa — enquanto descobre, aos poucos, qual é exatamente o som da sua própria história.
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