O Multishow deu início à sétima temporada de “Tô de Graça”. À frente da trupe desajustada, mas absolutamente carismática, está novamente Rodrigo Sant’Anna no papel da matriarca Maria da Graça. Ao lado dele, um elenco que mistura talento, amizade e química de cena. E entre os destaques está Maico Marrone Jackson, interpretado por Andy Gercker, que retorna trazendo seu humor afiado, seus looks duvidosos (ou ousados, dependendo do ponto de vista), e aquele drama digno de novela mexicana em horário nobre. Maico, é uma verdadeira colagem de exageros, emoções e verdades. E isso não é à toa: ele nasceu da própria vivência do ator.
“Ele é o filho gay e afeminado criado em uma comunidade. Fui emprestando para o Maico as experiências que vivi na minha própria casa, a minha infância, a escassez, os dramas exagerados, as ironias afiadas, as gentilezas com segundas intenções. Ali defendo uma existência. De alguém que foi subjugado, apontado e criticado. É terapêutico porque naquele ambiente, naquele contexto familiar, eu consigo cuidar um pouco da minha criança ferida. Que não pôde se expressar livremente e que cresceu com medo de ser quem é”, revela Andy, com a franqueza de quem faz arte para cicatrizar.
O reencontro com o papel tem sabor de lar. O ator compara o retorno ao estúdio a uma espécie de volta para casa. “Essa é a sensação. No intervalo de temporadas, fizemos o filme inspirado no programa, mas voltar a atuar no formato sitcom, nesse cenário que já temos tanta familiaridade, me causa uma alegria especial pela intimidade que tenho com o projeto e principalmente pela parceria que tenho com os meus amigos de cena. Estávamos com saudades um do outro e com saudades de gravar esse projeto que tanto gostamos de fazer”, comenta o ator, que já coleciona mais de 200 episódios ao lado dos colegas.

Andy Gercker inspirou em si próprio para compor Maico (Foto: Jefferson Medrado)
A amizade com Rodrigo Sant’Anna, aliás, precede o sucesso do programa. São duas décadas de parceria e confiança mútua. “Em 2016 eu estava morando em Buenos Aires e o Rodrigo foi me visitar. Lá ele me convidou pra fazer parte do sitcom. Ele me disse que queria montar um elenco de amigos e de pessoas legais pra se divertir. Acredito que esse argumento foi a fagulha que despertou todo o sucesso desse projeto. Algo que nasce no intuito de ser leve só pode ter um destino feliz”, lembra.
Nesta nova leva de episódios, “Tô de Graça” mergulha ainda mais fundo nas peripécias da família. Maria da Graça agora ostenta o título de ex-BBB e aproveita a fama do jeito mais escrachado possível. Briti (Isabelle Marques) e Vilso (Lindsay Paulino) agora têm um bebê, que promete colocar a vizinhança de pernas pro ar. Maico, solteiro, deslumbrado e morando — ou “acampando” — na casa da mãe, tem feito do banheiro do shopping seu novo point de diversão.

Andy Gercker. Ator é um dos destaques de “Tô de Graça” (Foto: Jefferson Medrado)
Com direção geral de Silvio Guindane e produção agora sob a batuta da TV Globo, a série segue firme como um retrato ácido, carinhoso e escancarado da “família brasileira disfuncional” que todo mundo conhece. “É uma família disfuncional, e por isso mesmo, muito divertida. Apesar das dificuldades financeiras, consegue manter o bom humor e dar a volta por cima. Eles são capazes de ofender um ao outro, mas não permitem que alguém de fora faça o mesmo. Acredito que seja esse aspecto familiar que cause tanta identificação no público geral”, reflete Andy.
Em 2025, Andy Gercker celebra 25 anos de carreira — 15 deles dedicados à Rede Globo, onde iniciou trajetória em “A Diarista” (2003) e ganhou projeção em “Zorra Total”, a partir de 2010, contracenando com Sant’Anna pela primeira vez. Entre risos e dramas, seu currículo também inclui a novela “O Outro Lado do Paraíso” e os programas “Os Suburbanos” e “Plantão Sem Fim”, ambos do Multishow.

Andy Gercker: “A família da série é disfuncional, e por isso mesmo, muito divertida” (foto: Jefferson Medrado)
Mas o palco foi seu primeiro grande amor. Natural de Joinville (SC), Gercker se mudou para Curitiba aos 18 anos para estudar Teatro. Em 12 anos na cidade, foram mais de 40 espetáculos — uma maratona que vai da comédia rasgada ao teatro infantil, passando por performances e montagens autorais. “Tenho muito carinho por todos os espetáculos que já realizei, mas destaco: ‘Coração de Gás Neon’, meu primeiro solo com contos de Caio Fernando Abreu, e ‘Mahatma Andy e a batata filosofal’, minha peça mais recente, comédia de minha autoria e direção, que foi resultado de uma pós graduação em Neurociência. Cada trabalho ocupa um momento muito significativo na vida de um ator. Tenho tantos outros xodós, fracassos e boas peças que fiz com muita gente talentosa que tudo é muito importante para mim”, diz.
E como quem tem estrada sempre tem planos, 2025 ainda tem muito trabalho. Além de voltar à TV com a comédia romântica “Casos & Casais”, dirigida por Bruno Garcia, e com a série “Verônika”, da Globoplay, Andy planeja produzir uma nova peça, dirigir um texto inédito e talvez até compartilhar seu conhecimento com jovens atores através de uma oficina de comédia. Afinal, se rir é o melhor remédio, Andy Gercker é daqueles que prescrevem com assinatura, talento e verdade.
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