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Amado Batista revela ter sido torturado na ditadura e defende o regime militar: “Prefiro a ditadura do que essa anarquia que está aqui hoje”

Não satisfeito em errar uma vez, o cantor - que tem mais de 1 bilhão de visualizações na internet - apoiou o candidato Jair Bolsonaro para as eleições presidenciais de 2018.

Publicado em 06/04/2017 | Por Rodrigo Cohen

Parece que nem todos conseguiram aprender com os erros do passado. O cantor goiano ícone da música romântica brasileira Amado Batista é um dos nomes que parece estar fora da casinha. Foi no Programa do Porchat, exibido nessa quarta-feira, 05 de abril, que o artista revelou ter sido preso e torturado durante a ditadura, um dos períodos mais sombrios e violentos da história desse país. O raciocínio lógico leva todos a pensarem que o cantor repudiaria qualquer outro sintoma fascista como esse, mas ele – no mesmo programa – deu algumas declarações que contradizem o bom senso:

“Foram censuradas quatro músicas minhas. Eu ia pessoalmente a Brasília e entendia o que estava sendo censurado então eu mudava uma palavra ou uma frase e eram liberadas. Eu tinha que respeitar. Era a regra da época”, disse o cantor. Enquanto Amado tentava normalizar a censura dos militares como algo correto, o apresentador da atração Fábio Porchat tentou com muito bom humor e elegância reverter o quadro e mostrar as consequências extremas e sangrentas que o governo da época poderia tomar contra ele. A revelação sobre a prisão e a tortura foram feitas da maneira mais natural possível de forma onde o goiano conseguiu dar razão para os militares.

“Eu trabalhava em uma livraria e um grupo de comunistas frequentava lá para fazer suas reuniões. Eu nunca participei de nada, mas como eu permitia e os deixava ler os livros que era proibidos, a Polícia Federal estava de olho e me prendeu. Fiquei dois meses preso e eles pegaram todo mundo também. Eu não me arrependi de nada. Se você anda com alguém que está fazendo as coisas erradas, você está errado também”, contou Amado. Porchat tenta argumentar com o cantor que eles estavam apenas querendo ler livros e a resposta do cantor foi: “Eram livros que influenciavam a revolução política. Pessoas que queriam pegar o país com a mão armada custe o que custasse. Eles queriam transformar isso daqui em Cuba.”

Não satisfeito em não prestar atenção aos dados e a uma realidade histórica, Amado Batista não consegue ter consciência nem do presente momento que o Brasil vive. Ele disse com todas as letras que o seu candidato ideal para as eleições de 2018 é o deputado acusados por diversas agressões machistas e homofóbicas Jair Bolsonaro e ainda classificou o atual quadro da política brasileira como anárquico. “Eu adoro a democracia, mas uma democracia tipo a dos Estados Unidos, por exemplo, onde as leis são cumpridas, não quero ditadura não, quero democracia, mas do jeito que está hoje eu prefiro a ditadura. A ditadura foi maravilhosa, foi ruim só para políticos que queriam tomar o poder a força, não tinha pivete na rua. Será que alguém defenderia essa anarquia que tá hoje aqui? Prefiro a ditadura do que essa anarquia que tá aqui hoje”

Para quem quiser conferir a entrevista na íntegra, o vídeo está disponível abaixo. No momento, só resta esperar que o cantor retorne a livraria em que trabalhava nos anos 1970 e passe um bom tempo pesquisando e estudando sobre a história do país em que vive antes de exaltar e enaltecer um regime governamental que matou mais de 400 pessoas durante o seu tempo vigente apenas pela vontade delas se expressarem.

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