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Wesley Safadão, Os Mascarados, Ivete sem cordas, festa à fantasia e a bronca de Márcia Freire: saiba como foi o #day1 do site HT no Carnaval Baiano

O Carnaval de Salvador abriu os trabalhos nos circuitos com a pluralidade que tem marcado seus últimos anos e os camarotes mais fervidos do país. A gente estava lá!

Publicado em 05/02/2016 | Por Junior de Paula

Oficialmente o Carnaval baiano já está rolando desde quarta-feira (03), quando o prefeito da cidade, Antonio Carlos Magalhães Neto, fez a entrega simbólica da chave da cidade para o Rei Momo em uma cerimônia no centro histórico de Salvador, mas foi nessa quinta-feira, realmente, que o bicho começou a pegar.

E começou cedo, já que às 17h Ivete Sangalo fez sua estreia no Carnaval sem cordas no circuito Osmar, vestida de guerreira e comandando uma massa de milhares de foliões da pipoca. Tudo patrocinado pela Bahiatursa, o órgão do turismo do Governo do Estado, que foi devidamente agradecida durante a passagem pelo circuito. “Rui (Costa, o Governador da Bahia), obrigada pelo presente dessa pipoca! O Carnaval está lindo. Ano que vem quero de novo, viu? Dê seu jeito”, brincou a cantora do alto do trio elétrico.

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Na parte de trás do caminhão, aliás, via-se também o marido de Ivete, Daniel Cady. “Começou o Carnaval na minha terra, cantando minhas conquistas. Mas a maior de todas é o amor que sinto vindo de vocês. Hoje é nossa pipocona. Pipocona da Ivetona”, brincou a artista antes de cantar seus sucessos. Logo atrás de seu trio, veio outro peso-pesado da folia baiana, também arrastando a massa da pipoca, sem cordas ou venda de abadá. De quem estamos falando? De Bell Marques. Depois foi a vez do samba invadir a avenida, com os blocos comandados por nomes como Arlindo Cruz, Fundo de Quintal, Nelson Rufino, e clássicos baianos como Banda Eva, Tonho Matéria e Ricardo Chaves.

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Enquanto isso, o circuito Barra-Ondina pegava fogo com uma multidão ávida para começar os trabalhos de momo, com aquela vista da orla, o Farol da Barra, o morro do Cristo e a brisa da Baía de Todos os Santos deixando o clima bem agradável. Com as ruas cheias, mas ainda não insuportavelmente lotadas e sem maiores incidentes ou confusões, o que se viu atravessar a noite de quinta-feira foi uma mistura de gêneros musicais e gerações. Um bom exemplo disso era que os dois blocos mais esperados da noite eram tão diversos quanto sal e açúcar.

O primeiro a concentrar todas as atenções da Barra até Ondina foi o fenômeno Wesley Safadão, à frente do CocoBambu. Com abadás esgotados meses antes do Carnaval começar, ele arrastou cinco mil foliões dentro das cordas e muitos outros milhares na pipoca mais cheia da quinta-feira. “Se faz sucesso é porque alguma coisa boa tem. Sucesso não se discute. Independente de gênero, cada um tem que cumprir o seu papel”, disse o cantor que fez o povo sair do chão com “Camarote”, “Sou Ciumento Mesmo”, “Tim, Tim”, além de hits de outros artistas como “Aquele 1%” e a onipresente “Metralhadora”, da banda As Vingadoras.

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Mas o bloco mais esperado para quem curte o Carnaval baiano de verdade, de raiz, era, mesmo, Os Mascarados, que lotou o circuito desde sua saída no Farol da Barra até o fim, em Ondina, com milhares e milhares de foliões – com grande foco na turma LGBT – arrasando nas fantasias. Tinha de Uber até as clássicas baianas, passando por padres, Amy Winehouse, Madonna, Jack Sparrow e tudo o mais que a imaginação permitisse. A banda Os Mascarados recebeu a presença luminosa de Armandinho no alto do trio, cantando clássicos do cancioneiro como “Bloco na Rua”, “A Banda”, “Aquele Abraço” e outras tantas nas mais de cinco horas de percurso. No meio da pipoca via-se o cantor Linkier, Caio Braz, Felipe Veloso, Paulo Borges, Fause Haten, e, lá no alto do trio, Astrid Fontenelle, a rainha do bloco, e Gerônimo, o rei.

A noite, aliás, ainda teve Babado Novo, com Mari Antunes homenageando o Salgueiro, escola de samba carioca na qual ela vai sair de musa este ano, Alexandre Peixe comandando o bloco Harém, a Caetanave, com direito a participação de Carlinhos Brown, e Marcia Freire, que voltou a desfilar depois de oito anos afastada, e, em entrevista ao jornal Correio da Bahia, criticou a invasão de outros gêneros na folia baiana. “Sinceramente, não gosto dessa invasão de ritmos no Carnaval. Acho que é preciso valorizar a cultura baiana. Essa abertura não é legal porque toma o nosso espaço”, disse.

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Mas enquanto a avenida trepidava, os camarotes que margeiam todo o circuito também ferviam. No espaço da Skol Beats, por exemplo, a grande atração era o Aviões do Forró, que fez a turma dançar forró madrugada adentro e, no camarote de Lícia Fábio, lá no começo do circuito, a festa Badauê, de Mauro Braga, abriu os trabalhos em grande estilo, com uma turma de gente cool, que misturava fashionistas, a turma mais bacana da cidade e os turistas mais descolados para dançar em um baile à fantasia que fez a noite ainda mais especial. E que venha a sexta-feira!

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