*por Vítor Antunes
Não é novidade. O último ano confirmou, em alto e bom som, o que já se anunciava: a música latina está no centro do mundo. Bad Bunny, Shakira no Rio — o brilho hispânico nunca esteve tão em evidência. E agora, mais um nome ganha projeção global: Jay Wheeler, cantor porto-riquenho com dois Grammy Latino no currículo e 9 milhões de seguidores nas redes, acaba de lançar “De Lejitos”, primeiro single de seu novo álbum.
A faixa não é apenas uma música. É a abertura de um conceito: “La Voz Favorita” — apelido que seus fãs já usavam há tempos e que Wheeler transforma agora em identidade criativa oficial de toda uma nova fase. O nome, aliás, tem história. Foi o próprio público que o escolheu, numa convocatória que o artista fez nas redes ainda no início da carreira, pedindo um sobrenome que combinasse com “Jay”. Wheeler foi a sugestão vencedora. E “Jay Wheeler, La Voz Favorita” simplesmente soou bem — e ficou.

Jay Wheeler explodiu com “De Lejitos” no Spotify (Foto: Ricardo Whartoon)
“De Lejitos” chegou às plataformas com forte repercussão, alcançando o #78 do Spotify Global Top 200. O crescimento da faixa tem um motor claro: a presença ativa de Wheeler no livestream, especialmente na Kick, onde acumula milhões de visualizações. Um dos momentos que aceleraram o lançamento foi um vídeo de sua filha, Aiunii, dançando um trecho da música — conteúdo espontâneo que viralizou nas redes e criou expectativa real em torno do projeto.
O conceito ganhou ainda mais tração durante o Premio Lo Nuestro 2026, onde Wheeler marcou presença e reforçou sua conexão com o público. Além da música, o artista vem expandindo seu universo por meio do podcast RandomChat e de conteúdos em tempo real — acompanhando uma tendência consolidada na indústria, onde o livestream deixou de ser apêndice para se tornar ferramenta central de narrativa e engajamento.
“De Lejitos” chega depois de um ciclo consistente: duas noites com ingressos esgotados no Coliseo de Puerto Rico e uma indicação ao Latin GRAMMY Awards 2025 pela faixa “Roma”. Jay Wheeler não está chegando — já chegou.

Jay exporta a força latina (Foto: Ricardo Whartoon)
¡QUÉ RICO!
O Brasil tem ouvido apurado para o som que vem de fora — especialmente quando esse som fala espanhol e tem sotaque caribenho. A história é longa, e começa antes mesmo de qualquer streaming. Nos anos 1980, o Menudo explodiu no Brasil com uma força que deixou marcas na discografia e nas rádios por anos. A febre foi tão intensa que chegou a movimentar o mercado local: surgiram bandas como Tremendo, Polegar e Só Dominó, todas tentando capturar um pouco daquela energia porto-riquenha que havia tomado conta do país. Músicas da banda entraram em trilhas de novela e não saíram mais do imaginário afetivo de uma geração.
Nos anos 1990, foi a vez de Ricky Martin — também porto-riquenho — fazer o Brasil parar. Em 1996, a TV Globo escolheu “María”, que fazia muito sucesso na época, para o tema de abertura da novela Salsa & Merengue. A emissora foi além: encomendou uma regravação com o título da trama inserido no refrão, que ficou assim: “Un, Dos, Tres / Baila salsa e merengue, María”. A versão virou parte da memória coletiva do país. E ainda veio mais: “Por Arriba, Por Abajo” entrou na trilha de Torre de Babel, solidificando Ricky como um nome incontornável da televisão brasileira.

Jay Wheeler tem tudo para ser o novo rosto latino no Brasil (Foto: Ricardo Whartoon)
Os hermanos não pararam por aí. A dupla Pimpinela teve seu momento, Gloria Estefan emplacou nas rádios, e Shakira iniciou sua conquista do Brasil logo ao sair da Colômbia em busca de uma carreira internacional. Mas nenhum caso foi tão emblemático quanto o da mexicana Thalía. Sua trilogia das Marias tomou o SBT de assalto, e o Brasil respondeu com fervor proporcional. No carnaval de 1998, ela foi convidada para desfilar na Imperatriz Leopoldinense, arrasando na Sapucaí. Seu nome virou febre entre mães brasileiras — mulheres que batizaram as filhas de Thalía como tributo àquela passagem.
O padrão é claro. O Brasil acolhe esses talentos vizinhos com uma generosidade que poucos mercados oferecem. Abre espaço, adapta, faz a música entrar em novela e em coração. Agora, com Jay Wheeler em ascensão e “De Lejitos” ganhando tração nas plataformas, a pergunta que fica é natural — e justa: quando é que La Voz Favorita chega ao Brasil? Nós seguiremos esperando.
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