Música & Badalo

Vivendo uma nova fase da carreira, Micael posa no Rio Othon Palace para o site HT e conta das mudanças com a chegada de Anitta como empresária e de sua evolução como profissional: “Nunca tinha ido tão longe”

Nascido e criado no Vidigal, comunidade da Zona Sul carioca, o cantor começou sua trajetória nas artes como ator no Nós do Morro, Lá, Micael aprendeu o valor da cultura e entendeu que o projeto de Guti Fraga era mais do que transformar crianças em "atores das novelas da Globo". "No Nós do Morro a gente entra sem maldade e nem vaidade. Eu varria o chão, pegava personagem pequeno e estava tudo bem"

Publicado em 04/05/2018 | Por Julia Pimentel

Jaqueta, camisa e calça Forever 21/ Bota Ellus (Foto: Alex Santana/ Grooming: Vivi Gonzo/ Styling: Rafael Ourives)

“O ser humano sem sonhos é como um pássaro de asas quebradas”. A frase é de Guti Fraga, fundador do grupo Nós do Morro que, no Vidigal, comunidade da Zona Sul carioca, é a saída através da cultura para crianças e jovens. Entre os pupilos do idealizador do projeto está Micael, que hoje em dia é apadrinhado por outro nome importante da cena artística brasileira: Anitta. Mas, muito antes de ser empresariado pela cantora, o cantor e ator do Vidigal já tinha sua história para contar nas artes. E ela começou lá no Nós do Morro, de Guti Fraga. Por isso, para lembrar do começo da trajetória, destacar as mudanças com a chegada de Anitta como sua empresária e comentar as oportunidades de quem sonha em viver da arte, Micael é a estrela do novo editorial do site Heloisa Tolipan.

Jaqueta, camisa e calça Forever 21/ Bota Ellus (Foto: Alex Santana/ Grooming: Vivi Gonzo/ Styling: Rafael Ourives)

O dono do hit “A Noite Toda” posou para Alex Santana na suíte do Rio Othon Palace com a Praia de Copacabana como cenário dos cliques. O grooming teve o toque de Vivi Gonzo e o styling certeiro de Rafael Ourives. Do preto ao branco e da elegância ao streetwear, Micael mostrou sua versatilidade também através dos looks monocromáticos do ensaio. A moda, aliás, é algo que acompanha o cantor, compositor e ator desde sempre. Na verdade, apenas como uma consequência de sua playlist. “Desde quando eu andava de skate na rua, sempre gostei de usar roupas mais diferentes. E isso tem um pouco a ver com a música também. Se eu ouvia um som diferente, ia buscar o estilo de roupa daquele artista para ver se me identificava”, contou.

Mas, se uma é consequência da outra, o fato é que a música é a grande força da vida de Micael. E isso só se revelou com o tempo. Antes das experiências como cantor, ele foi ator no Nós do Morro. Aos cinco anos, Micael começou a fazer parte do projeto cultural de Guti Fraga no Vidigal e nunca mais abandonou as artes. “Eu comecei fazendo teatro no Nós do Morro, que é um projeto muito bacana que tem no Vidigal e deu visibilidade para muitos artistas, como Thiago Martins, Roberta Rodrigues e Marcelo Mello Junior”, disse ele que, embora tenha começado como ator, conheceu outras possibilidades da carreira sob a tutela do idealizador do projeto. “O legal do grupo é que, se a gente não se identificasse com uma área, tínhamos outras opções. Eu poderia ser ator, músico ou ir para o circo. É uma oficina bem legal”, ressaltou.

Tshirt e Calça Forever 21/ Tênis Vert (Foto: Alex Santana/ Grooming: Vivi Gonzo/ Styling: Rafael Ourives)

E assim ele foi. Na carreira, Micael já atuou em Malhação, Cidade de Deus, Rebelde e fez uma dezena de participações na telinha. Porém, até ser o artista de hoje, ele precisou amadurecer e subir degraus. “A minha profissão é uma evolução diária e eu estou em constante busca. Eu acho que continuo crescendo e ainda tenho muita coisa para aprender. Mas hoje, tudo o que eu sei, eu devo ao Nós do Morro. Por causa desse projeto, eu tive a oportunidade de fazer trabalhos incríveis”, lembrou Micael que, mesmo com o sucesso de hoje, ainda trabalha para conquistar seu lugar ao sol. “Eu acho que toda essa busca que tenho na minha carreira é para um dia ser uma pessoa relevante no mercado da música e da atuação. E é isso, estou em busca dessa evolução”, afirmou.

Neste caminho de crescimento, ele já foi cantor, ator, Micael, Micael Borges e Mika. Tudo uma mesma pessoa. “Como ator, eu usei Micael Borges desde muito novo. Era mais sério e forte porque precisava ter um nome artístico. Depois, quando eu me identifiquei com a música e vi que poderia seguir a carreira, senti a liberdade de usar meu apelido. A vida toda sempre fui chamado de Mika e, com isso, também quis separar a carreira de ator dessa musical”, lembrou. O Micael, como nos contou, veio quando Anitta assumiu sua carreira de cantor. “Foi muito simples. Não teve nada de numerologia e nem pesquisa. Eu quis mudar porque quando a gente buscava por Mika, aparecia o músico gringo e os trabalhos dele. Não aparecia muito sobre o Mika brasileiro”, brincou.

Tshirt e Calça Forever 21/ Tênis Vert (Foto: Alex Santana/ Grooming: Vivi Gonzo/ Styling: Rafael Ourives)

Assim apareceu Micael no mercado da música. Embora já tivesse experimentado o sucesso com “Quero Seu Amor” no começo do ano passado, o boom da carreira veio com “A Noite Toda”, lançada no final de 2017. A música, que segue em destaque nas rádios, teve cerca de quatro vezes mais visualizações no YouTube do que o hit anterior e uma repercussão enorme. Aliás, mais do que a esperada. “A Noite Toda” teve uma aceitação bem legal, está tocando bastante nas rádios e eu estou muito feliz com o resultado. Não é uma música que a gente estava pensando em ter números absurdos. Esse foi um projeto que surpreendeu e foi muito melhor do que imaginávamos”, revelou.

Inclusive, isso faz da música um marco em sua carreira. “Eu nunca tive um suporte desse tamanho para fazer algo que eu amo, que é a música. Para seguir essa minha carreira, eu fui contra muita gente que me chamou de louco porque estava abrindo mão de uma história na televisão. Porém, eu sentia que precisava ser verdadeiro comigo e procurar algo que, realmente, me completasse”, explicou.

Quem entendeu isso foi Anitta, que comprou a ideia de Micael e se lançou como empresária do cantor. Desde o anúncio desta parceria de negócios, a carreira dele mudou e oportunidades começaram a surgir. “Ser empresariado pela Anitta é um gancho muito forte e uma responsabilidade enorme. As pessoas ficam muito mais ligadas querendo saber porque ela está apostando em um novo artista”, reconheceu Micael que, por outro lado, destacou a importância de justificar o interesse da empresária pelo seu trabalho. “Não adianta nada a gente estar em uma grande empresa com pessoas incríveis dando suporte se a pessoa não honra com tudo isso. Eu preciso fazer a minha parte, me dedicar e trabalhar”, afirmou.

Jaqueta, camisa, calça e bota Levi’s (Foto: Alex Santana/ Grooming: Vivi Gonzo/ Styling: Rafael Ourives)

Fazendo a sua parte, Micael tem colecionado participações em programas, entrevistas e eventos pelo Brasil. Por boa parte desses passagens, é comum que seu nome esteja ligado a títulos e rótulos envolvendo Anitta. Se isso é um problema? Que nada! Para Micael, ser “o pupilo dela” é normal. “Não me incomoda em nenhum momento. Eu estou aí para mostrar o meu trabalho e, até que eu consiga fazer isso, acho super normal. Mesmo assim, acho tudo isso muito positivo porque eu acabo sendo ligado a um nome forte e que está se destacando cada vez mais. A gente vê tanta coisa boa dela, que isso é bom para mim também”, afirmou.

Porém, como destacamos, apesar do boom com a chegada de Anitta em sua carreira, antes mesmo da empresária, Micael já tinha uma trajetória com trabalhos importantes na televisão e no cinema. A diferença, segundo ele, é que hoje ele tem uma dedicação muito maior à profissão. Afinal, é muita gente poderosa do meio acreditando em seu potencial. “A minha postura mudou, seja no estúdio em casa, compondo ou em algum compromisso. O suporte que tenho hoje é algo incrível. Eu acho que todo artista precisa disso”, disse o cantor que, para isso, reforçou a importância de sua entrega e crescimento na carreira. “Não me vejo como um artista muito grande, mas sei que posso contribuir mais para o mercado musical. Por isso trabalho tanto em busca de me aperfeiçoar e evoluir cada vez mais”, completou.

Jaqueta, camisa, calça e bota Levi’s (Foto: Alex Santana/ Grooming: Vivi Gonzo/ Styling: Rafael Ourives)

Mas não é só de luta que Micael segue subindo seus degraus. De vez em quando, um respiro e um sentimento de conquista são importantes para continuar motivando a carreira artística. Entre todas as novas experiências que o cantor já viveu desde o lançamento de “A Noite Toda”, que como ele disse, é o marco de sua trajetória, Micael destacou um momento em especial. “Uma vez eu peguei um uber e o motorista cantarolou a música que estava tocando na rádio e perguntou se era eu que estava cantando. Foi muito bom, fiquei quietinho só guardando energia para poder gritar depois”, disse animado.

O objetivo de agora? Micael não segurou a imaginação e foi direto ao revelar seu sonho profissional: “Eu nunca tinha chegado tão longe. Agora eu quero dominar o Brasil e o mundo. Quero passar minha mensagem para todos os lugares e mostrar que é possível”. Sobre esta ideia que sonha em contar para os quatro cantos, Micael respirou e voltou ao começo de toda a sua história. “Não quero passar uma mensagem de “acredite nos seus sonhos”, mas “lute pelos seus objetivos”. Quem tem uma meta, precisa dedicar parte do dia para fazer isso acontecer. Nada é fácil. Eu venho de um lugar que era muito difícil a gente sonhar que poderíamos chegar em algum lugar como artista. Eu sou nascido e criado na favela e, mesmo assim, consegui”, apontou.

Casaco Renner/ Tshirt Foxton/ Calça Renner/ Bota Levi’s (Foto: Alex Santana/ Grooming: Vivi Gonzo/ Styling: Rafael Ourives)

Inclusive, o Vidigal é um importante capítulo dessa história. Na comunidade, além do Nós do Morro, Micael teve sua banda com Thiago Martins, a Guerreiros de Jorge, e fundou o Melanina Carioca. Em todas essas experiências, ele viu projetos de dentro da comunidade serem um trampolim para sua carreira e de alguns amigos, como o próprio Thiago, Marcelo Mello Junior e Roberta Rodrigues. Mas nada disso era algo consciente para eles, como confessou. “Nós percebemos que o Nós do Morro, por exemplo, era um trampolim quando uma galera de fora da favela começou a procurar o projeto para fazer teatro. Isso foi muito louco porque a ideologia do grupo sempre foi dar oportunidades para aqueles que não tinham. E, em determinado momento, quem podia estar estudando em qualquer escola de teatro estava subindo o morro”, lembrou.

Hoje, ainda mais consolidado, o Nós do Morro tem a missão de continuar estimulando novas gerações a se dedicarem a arte. Para isso, o idealizador do projeto, Guti Fraga, tem o apoio de seus pupilos que conseguiram ter uma carreira reconhecida, como Micael. “O Guti sempre implementou uma ideologia de que a gente precisava passar o que aprendíamos para os menores, assim como ele fazia. E foi assim. Eu me tornei multiplicador e ensinei aos pequenos aquilo que já tinha aprendido”, contou o cantor que sempre carregou o que chamou de “magia do projeto” em sua experiência no Nós do Morro. “Quando a gente entrava, o Guti Fraga nos dizia que aquilo não era para nos deixar famosos ou atores de novela da Globo. Para mim, essa é a magia. No Nós do Morro a gente entra sem maldade e nem vaidade. Eu varria o chão, pegava personagem pequeno e estava tudo bem”, destacou.

Casaco Renner/ Tshirt Foxton/ Calça Renner/ Bota Levi’s (Foto: Alex Santana/ Grooming: Vivi Gonzo/ Styling: Rafael Ourives)

Não só ele. E, na verdade, nem só quando era um dos meninos cheio de sonhos do projeto. Segundo Micael, o mais especial disso tudo é poder mostrar para crianças que a carreira de músico ou de ator é possível. Ah, e em uma troca direta de experiências. “O mais legal é poder falar a mesma língua dessa molecada. Independente do que está acontecendo na cidade, eu digo que a vida na comunidade é diferente. O Rio pode estar bom ou ruim, não vai fazer diferença. Para aquelas pessoas, vai estar ruim da mesma forma. Mas, o bom, é falar a mesma língua”, apontou Micael que emendou. “A gente está sempre mostrando exemplos para as crianças se inspirarem. E o mais legal é ter o Thiago Martins, quando entrou na Globo e até hoje, por exemplo, lá no Nós do Morro ajudando. Ele ia para conversar e, em determinado momento, estava varrendo a sala do projeto”, lembrou.

São essas histórias que fazem Micael continuar alimentando um olhar de criança sonhadora que, mesmo depois de ter descido a comunidade, ainda tem uma série de objetivos para conquistar. “Se não existisse o Nós do Morro na minha vida, eu precisaria ralar muito para ter a oportunidade de estudar, fazer uma faculdade e tentar ter uma carreira. Quando alguém tem um paitrocinador por trás, o poder de escolha do que queremos é maior e com mais possibilidades. Mas essa não é a realidade do nosso país, né? Uns podem escolher e outros não”, lamentou o cantor que, além de tudo, ainda trabalhou para desconstruir estereótipos. “Podem falar que somos coitadinhos ou que viemos da favela. O que importa é se a sua dedicação está valendo a pena”, ressaltou.

Terno e camisa Ricardo Almeida (Foto: Alex Santana/ Grooming: Vivi Gonzo/ Styling: Rafael Ourives)

No caso dele, Micael está justificando todo o apoio, visualizações e conquistas que tem tido desde o lançamento de “A Noite Toda”. E ele não quer parar por aí. Com novidades a caminho, o cantor afirmou que segue se dedicando à música e já tem diversos novos singles para lançar. “A gente tem música para lançar um disco, mas vamos trabalhar uma de cada vez. Até para sentir a recepção do público e ir aprimorando os detalhes”, adiantou o cantor que, neste momento, reserva todas suas energias para isso. “Eu só penso em fazer música. É só isso o que planejo. Quero lançar mais músicas, fazer shows pelo Brasil inteiro, poder voltar para casa e encontrar meu filho e minha mulher. É isso o que eu quero. Minha luta é para dedicar meus dias ao que eu amo”, concluiu o cantor Micael.

Equipe

Foto: Alex Santana
Grooming: Vivi Gonzo
Styling: Rafael Ourives
Tratamento de imagem: Phellipe Souza

Agradecimentos

Hoteis Othon
Rio Othon Palace
Mattoni Comunicação
Paulo Pimenta
Laura Alonso
Beatriz Pestana
Barbara Noval

Terno e camisa Ricardo Almeida (Foto: Alex Santana/ Grooming: Vivi Gonzo/ Styling: Rafael Ourives)

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