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Salvador pegou fogo com a passagem de Cláudia Leitte, Bell Marques, Márcio Vitor e Daniela Mercury

Publicado em 14/02/2015 | Por Heloisa Tolipan

* Por Junior de Paula

Dormir é para os fracos em Salvador. A ordem é aproveitar da hora que abre os olhos até a hora que eles insistem em fechar, cansados, depois de pular por horas e horas nos circuitos do Carnaval de Salvador. No Campo Grande, o mais tradicional da cidade, a festa começou cedo com a sensação do Carnaval, o BaianaSystem, que levou uma turma de descolados para curtir o trio, como Marina Morena e Riccardo Tisci, Fernanda Paes Leme, Pedro Tourinho e outros. Riccardo, aliás, ainda emendou uma passada pelo Camarote Expresso 2222 e o Camarote Salvador, sem perder o pique.

Já na Barra, uma das primeiras a atravessar a avenida foi Claudia Leitte com o Coco Bambu, que se mostrou um dos favoritos da turma GLS. O clima dentro das cordas era de vale tudo, principalmente dançar homem com homem e mulher com mulher. Tudo na paz, com respeito e tolerância. Bem que essa fantasia poderia ser eterna, né? Que esse microcosmos do Carnaval pudesse ser replicado Brasil afora, com um mundo mais aberto às diversidades. Claudia, aliás, deu seu apoio à pegação dizendo que “o que acontece no bloco, fica no bloco”.

Cláudia Leitte arrastou uma multidão em sua passagem pelo carnaval da Bahia

Cláudia Leitte arrastou uma multidão em sua passagem pelo carnaval da Bahia (Fred Pontes/Divulgação)

Depois foi a vez de Bell Marques, fazendo sua estreia como cantor solo no Carnaval, mas sem deixar de levantar os guerreiros com hits do Chiclete com Banana, mas tendo o cuidado de evitar cantar o nome da ex-banda. Nos refrões que eram inevitáveis, ele omitia o Chiclete e cantava só o Banana da frase. Para Bell, a música do Carnaval é Rede do Amor, da banda Oito7nove4, que não por acaso é de seus filhos. A música é boa, simples, e cheia de coreografia, como todo mundo adora no Carnaval, mas nada deve tirar o título de Xenhenhem, do Psirico, que também arrasou na sua passagem pelo circuito Barra-Ondina nessa sexta.

Márcio Vitor, o líder do Psirico, carregou seu trio sem cordas com a força que a banda tem e o prestígio de ser a favorita de Caetano Veloso, já que Márcio foi da banda do baiano por muitos anos. Para quem não está ligando o nome à pessoa: é deles também o hit de 2014, o Lepo Lepo. Ou seja, força para emplacar mais uma, certamente eles têm. Mas ainda é cedo para a eleição, já que Gordinho Gostoso também vem com tudo na bolsa de apostas e é cantada por 9 em cada dez trios que atravessam as ruas de Salvador.

Daniela Mercury vai sempre na contramão do que é feito e é sempre uma atração à parte. Neste ano, ela encarnou a Rainha Má do Axé e se apresentou em cima de um caixão, rodeada de caveiras – meio inspiradas na festa dos mortos dos mexicanos – e até simulou a sua morte no alto do trio, que, na concepção dela representava a morte da arte. Uma coisa meio Marina Abramovic meets Deborah Colker no alto do trio com muito axé. Daniela é um mito e pode fazer o que quiser, mas, desta vez, injetando um pouco de filosofia existencialista na folia ela deu um passo à frente. E o público, que aplaudia e cantava tudo com vontade, parece ter apoiado o manifesto antropofágico.

E hoje tem mais!

 

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