Música & Badalo

Toque floral na boemia: água doce de Vanessa da Mata banha a sexta da Lapa!

Faixas antigas, álbum de inéditas e a cachoeira de Jovelina Pérola Negra marcam o debut da cantora no Circo Voador

Publicado em 26/04/2014 | Por Heloisa Tolipan

“Filha das Flores”, título de seu livro recentemente lançado, “Moça-Onça”, apelido dado por Gilberto Gil, “Clara Nunes Contemporânea”, como foi chamada por alguns da plateia; Vanessa da Mata pode ser todas as opções acima. A cantora e compositora é carregada de adjetivos em tons terrosos, com suas flores sempre no cabelão a la Clara Nunes. Com sua atmosfera romântico-tropical, a mato-grossense nascida na cidade banhada por cachoeiras de Alto Graças (MT), fez seu primeiro show no Circo Voador nesta sexta-feira (25/4), apostando em clássicos mesclados a inéditas do álbum “Segue o Som” e uma apimentada de 1991 de Jovelina Pérola Negra: o samba “No mesmo manto”.

Quando a moça chegou com seu figurino assinado por ela mesma, com um belo vestido floral na abertura e uma composição com transparências em tons golden, e cantou “Vou me banhar, vou me jogar / Na cachoeira / Não valeu rezar / A noite inteira / Pra me ganhar, pra me ganhar”, o público da Lapa, que é chegado a uma roda de samba, se empolgou. E este mesmo público cantou a plenos pulmões clássicos como “Amado”, “Vermelho”, além da já estourada nas rádios “Segue o som”.

O show marca a estreia da turnê de “Segue o Som”, seu mais recente disco e é produzido pela sua nova empresária, Paula Lavigne. A artista é corajosa em fazer um show com 12 das 13 faixas do novo álbum, mesmo recorrendo às antigas musicas e pequenas novidades ajustadas ao público do dia. Além disso, a estreia foi anunciada luxuosamente pelo rapper Emicida. O cenário foi simples e funcional, mostrando mais uma daquelas cantoras de peso da MPB, do tipo que evita apetrechos e parafernálias de apelo visual disputando com a música e expressão natural das intérpretes. As novas canções também fizeram a plateia suspirar como “Toda humanidade nasceu de uma mulher”, “Homem de Preto”, “Não sei dizer adeus”, e a própria canção homônima, “Segue o som”. A banda, de primeira linha, conta com o próprio diretor musical Alexandre Kassin no baixo e tem ainda o baterista Stephan San Juan, o tecladista Danilo Andrade e os guitarristas Junior Boca e Maurício Pacheco. Da Mata está em sensação típica de boa estreia, nas nuvens: “Que dia feliz, espero que para todos! Ontem no circo foi um carregamento de sorriso e maravilhas! Lindeza!”, diz a cantora em rede social.

Produzido pela renomada dupla Liminha e Kassin, “Segue o som” é o quinto disco autoral da carreira da compositora e ela mesma o descreve como o “mais solar de seus 12 anos de estrada”. Seu quinto álbum de estúdio traz canções 13 dançantes e pops, com direito a remix como faixa bônus, sendo 12 de sua própria autoria. O disco chegou às lojas em março. Tem 14 faixas e seu lançamento passou por longa espera, enquanto Vanessa dedicava-se ao projeto de cantar exclusivamente músicas de Tom Jobim em dezenas de apresentações. Este último também rendeu boas críticas e casas lotadas, o que mostra a fase boa e renovada da artista.

Confira o show nas fotos de Vinícius Pereira!

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