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Toni Garrido confirma a volta do Cidade Negra aos palcos do Rock in Rio em 2017: “Vamos cantar apenas reggaes do nosso mestre Gilberto Gil”

Cantor ainda admitiu que o gênero precisa de mais visibilidade no mercado fonográfico: "Por mais popularidade que o reggae tenha atingido em algumas épocas, ele ainda não conseguiu criar o seu próprio mercado"

Publicado em 25/01/2017 | Por Leonardo Rocha

Depois de um show espetacular na última edição do Rock in Rio, o Cidade Negra promete voltar aos palcos do evento que já se tornou uma das grandes grifes do país. Pelo menos foi o quer garantiu com exclusividade ao site HT o vocalista Toni Garrido. Muito antes de ser anunciado oficialmente no line-up, o cantor adiantou todas as novidades que estão por vir para esta super apresentação. Agora, diferentemente de 2015, quando a grupo de reggae reuniu grandes clássicos dos mais de 30 anos de carreira, desta vez eles farão uma belíssima homenagem ao cantor Gilberto Gil. Ficou empolgado com a novidade? A gente também. Desce mais!

Cidade Negra volta ao Rock in Rio neste ano (Foto: Felipe Panfili)

Cidade Negra volta ao Rock in Rio neste ano (Foto: Felipe Panfili)

“O Cidade Negra tem um ano forte de muito trabalho. Nós temos um álbum prontinho para lançar, mas demos uma segurada, porque fomos convidados para fazer o Rock in Rio neste ano. Vamos cantar apenas os reggae do nosso mestre Gilberto Gil. A gente vai se debruçar por esse projeto durante os próximos seis meses. Assim como o Gil fez uma homenagem ao Bob Marley, com o ‘Caia na Gandaia’, a gente vai mergulhar no ‘Se Toda Menina É Baiana, Todas as Cidades São Gil'”, declarou o artista, que revelou ser fã do compositor baiano. “É muito importante que o Brasil saiba que o Gil é um grande transformador. Foi muito importante essa ponte que ele fez com o reggae. Ele sempre tem uma palavra positiva, entende a linguagem como ninguém”, disse.

Toni Garrido fala sobre a homenagem a Gilberto Gil no evento (Foto: Felipe Panfili)

Toni Garrido fala sobre a homenagem a Gilberto Gil no evento (Foto: Felipe Panfili)

Um dos maiores expoentes no que diz respeito ao reggae music no Brasil, Toni entende que, mais do que nunca, a música se apresenta no mainstream de uma forma cíclica. Para ele, a chegada das plataformas digitais aumentam a rotatividade dos artistas, no entanto, acredita que o gênero que canta ainda não conseguiu seu espaço. “Por mais popularidade que o reggae tenha atingido em algumas épocas, ele ainda não conseguiu criar o seu próprio mercado. Bandas e ouvintes existem, claro. Tanto que quando um artista faz um show dedicado a reggae roots, você junta 70, 80 mil pessoas em um só lugar, mas geralmente o reggae se aproveita do pop ou do rock quando estão indo bem. Eu espero um dia ver o momento em que a gente assistia a todos os setores da musica felizes, caminhando juntos e tendo o destaque que cada um merece. É chato quando a gente tem uma massificação”, avaliou.

Após o evento a banda volta a trabalhar o novo álbum (Foto: Divulgação)

Após o evento a banda volta a trabalhar o novo álbum (Foto: Divulgação)

Engajado socialmente, o cantor já sentiu na pele as marcas do racismo enraizado em nosso país. No entanto, apesar de abominar o crime, ele acredita que a chegada da era digital mostrou a cara do Brasil e seus diversos preconceitos. “Isso acontece há 500 anos, agora estamos vendo mais porque temos as redes sociais. Isso é muito ruim para identidade de uma pessoa que é brasileira e passa a ser estereotipada por causa da sua etnia. O Brasil é um país preconceituoso, sim, e não só pela cultura negra. Mas a gente já passou tanto disso, que hoje os preconceitos maiores estão mais ligados aos gêneros, à sexualidade e à religião”, completou.

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