Música & Badalo

Todo Carnaval tem seu fim: o amado bloco Me Beija Que Eu Sou Cineasta anuncia que não vai pra rua em 2016. A gente conversou com a turma! Vem!

"Não sabemos ainda se é adeus, talvez seja até breve", explicou o grupo por trás do projeto, que inclui nomes como Otto, Maria Padilha, Lírio Ferreira, Natalia Nery e outros. O Site HT está arrasado!

Publicado em 18/09/2015 | Por Junior de Paula

Para quem gosta de carnaval de rua, de cinema, de gente legal, de quarta-feira de cinzas com gosto de quero mais e loucurinhas que não acabam nunca, o bloco Me Beija Que Eu Sou Cineasta era a salvação da lavoura ao incendiar o coreto da praça Santos Dumont, no Baixo Gávea, na manhã de nove quartas-feiras de cinza dos últimos dez anos. O deste ano, 2015, foi transferido para o Parque dos Patins, a pedido da associação de moradores da Gávea, e prontamente atendido pela turma responsável pelo amado bloco.  Tudo está escrito no passado porque, de acordo com a organização do Me Beija, não teremos o último – e cheio de charme – grito de folia em 2016. Um comunicado na página oficial jogou um balde de água fria em todo mundo.

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“Queridos todos, é com imensa alegria e enorme prazer que anunciamos que o Me Beija não sairá em 2016. Foram 10 lindos carnavais, 10 musos/musas estupendas, várias festas e milhões de Beijos. Tudo o que queríamos era um lugar no seu coração e tenho certeza que conseguimos. Nem temos como agradecer a todos que nestes 10 anos nos ajudaram a botar a boca na rua. Mas nosso carinho maior vai para a Banda mais gostosa do Brasil, nossos queridos músicos tocaram no chão, na chuva, no trio, na praia, no campo e no chafariz, para eles nosso beijo maior. Não sabemos ainda se é adeus, talvez seja até breve. Um beijo imenso para todos os beijoqueiros”.

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A gente, claro, quis entender melhor esta história e fomos atrás de explicações e, quem sabe, um fiapo de esperança para que algo mude a ideia do grupo por trás do Me Beija, que inclui nomes como Otto, Maria Padilha, Natara Ney, Clélia Bessa, Lírio Ferreira e Juliana Carapeba. Mas, ao que parece, a decisão, pelo menos em 2016, é definitiva. Portanto, nada de Mariana Ximenes de rainha do bloco, Otto cantando no alto do trio, ou no chão, ou no chafariz, ou em qualquer lugar no meio da multidão, Sophie Charlotte de indiazinha ou Thaila Ayala de freira, Lázaro Ramos e Taís Araújo se jogando sem lenço nem documento e assim por diante, como foram tantas as histórias nestes dez anos. A gente do site HT está arrasado! Com a palavra, o bloco:

HT: Por que não teremos Me Beija Que Eu Sou Cineasta em 2016? Falta de grana, cansaço, vontade de ter o carnaval livre pra pensar em outras coisas?
MBQESC: Como diz o poeta, foi um ajuntamento de coisas. Todos nós que fazemos o Me Beija trabalhamos diretamente com cinema e aconteceu deste ano estarmos todos com projetos e não gostaríamos de montar o bloco de qualquer forma. O Me Beija é nossa declaração de amor para os amigos, para a cidade e para o cinema. Essa declaração não pode ser feita de qualquer forma. São quase seis meses de trabalho para realizar a festa.

HT: Qual foi o momento mais inesquecível desses 10 anos?
MBQESC: Os banhos no Chafariz da praça, todo mundo pulava, era um acontecimento. Teve um ano em que Otto chegou de Recife perto do final do bloco e puxou uma cirand. Imagine quase 3 mil pessoas dançando em roda? Junio Barreto cantado “A Mesma Rosa Amarela”, à capella em cima do trio foi de arrepiar.

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HT:  O que fariam tudo de novo e o que não repetiriam dessa experiência?
MBQESC: “Começaria tudo outra vez se preciso for” – Faríamos tudo igual, tudo do mesmo jeito, tudo com o mesmo coração.

HT: É um fim definitivo?
MBQESC: Não sabemos ainda. Vamos tentar uma festa ou um banho de mar para nos despedirmos.

HT: O cinema brasileiro, apesar de perder o bloco mais querido, tem motivos para celebrar o Carnaval 2016?
MBQESC: O cinema tem muito a celebrar sim. Temos filmes diversos, temas diversos, temos cineastas criando histórias impressionantes. Temos um cinema que é reconhecido e premiado em diversos festivais internacionais.

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