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Stella McCartney arma chá das cinco para apresentar nova parceria com a C&A e diz: “Fico intrigada com as brasileiras”

Por ocasião do lançamento da segunda coleção com a department store, a fashion designer abre o verbo e elogia Costanza Pascolato, em merecida rasgação de seda entre ambas

Publicado em 06/11/2014 | Por Alexandre Schnabl

*Por João Ker

Como foi esperado e anunciado, a passagem de Stella McCartney pelo Brasil foi ligeira, profissional e super eficiente. Mas, o que ninguém esperava, é que uma das estilistas mais importantes do mundo, filha de um dos astro do pop mais consagrados da história, também fosse simpática, charmosa, paciente e surpreendentemente jovem para os seus 43 anos – tanto na aparência como na maneira de pensar e falar. No início da tarde desta quarta-feira (05/11), a designer recebeu imprensa e convidados em São Paulo para falar sobre a sua segunda coleção em parceria com a C&A, no melhor clima de chá das cinco, com uma tranquilidade na voz que até parecia que fazia o evento na sala de estar sua casa, em um típico happening britânico. Entre elogios a Costanza Pascolato e a exata escrição de como conseguiu adequar a sensualidade brasileira ao estilo clássico do seu universo fashion, HT revela como é passar 15 minutinhos cronometrados na presença cativante da premiada designer.

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Stella começa trocando elogios mútuos à empresa, dizendo que é uma honra e uma alegria voltar para a C&A depois do sucesso comercial que foi a sua primeira colaboração para a marca. Já começa logo mostrando seu lado fofa e a britânica até arrisca dizer as siglas da loja em português, comentando em seguida: “Assim fica bem mais charmoso do que a versão em inglês”. Apesar de já ter assinado peças para a Adidas, as Olimpíadas, Disney e H&M, a estilista afirma que em todas as parcerias ela sempre se mantém fiel ao seu estilo, inclusive no caso da loja de varejos holandesa: “É tudo muito ‘Stella'”. E o que isso quer dizer? “Como mulher, eu sei como as outras se sentem e às vezes quero ser capaz de apenas colocar um salto alto que combine com as minhas calças e estar pronta para sair à noite. Ou usar um vestido que seja tão bom para o dia quanto para escapadela noiturnas”. A praticidade aparece na forma de calças de alfaiataria, blazers, terninhos e até uma releitura do clássico vestido que imita a ilusão da silhueta, lançado em 2011. E por aí vai. “As peças icônicas estão aqui”, diz.

O estilo com pegada  masculina, tanto da própria Stella – sim, a estilista estava usando um blazer off-white, uma calça de alfaiataria e saltos confortáveis – quanto de sua marca homônima pode surpreender quem acha que brasileira gosta mesmo é de ser ousada,com o corpo e os cortes das roupas, mas a designer acredita que faz um bom trabalho de uma maneira universal. Em outras palavras, não importa a sua nacionalidade, você irá gostar de Stella McCartney: “As mulheres daqui não são tão diferentes das de Nova York ou das de Londres. Elas gostam de cultura, são sensuais… Na verdade, tenho que dizer, muito sensuais. Mas eu olho para cada uma de vocês e vejo fico intrigada em perceber como vocês escolheram o que vestir hoje e como isso se traduz para suas individualidades. Eu sempre andei entre o feminino e o masculino e achei que mulheres também podem ser sexies usando uma camiseta e um par de calças. Sempre, desde o início, amei a androginia e essa linha tênue, onde os dois gêneros se beijam”, revela.

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Sobre como conseguiu adequar essa sensualidade brasileira ao universo tomboy de sua marca, a estilista é categórica: “Eu provo as roupas que desenho e sou emocionalmente atraída por elas. Até agora, enquanto olho para esses manequins, eu penso: ‘esse corte está muito bom, eu fico feliz pelo fato de que outras mulheres poderão vivenciar isso também. Dependendo de onde as calças apertam, elas podem te deixar diferente, com outra atitude. Essa força do vestuário é algo que eu entendo e que posso traduzir para minhas peças através de cores ou padronagens. A sensualidade através das roupas é algo que não precisa de ser obviamente sexual. Apenas algo que  traduza a personalidade e faça com que as pessoas te leiam da maneira correta. É, por exemplo, isso que eu tento fazer quando mostro que a mulher pode ser sexy mesmo usando peças masculinas”. Após o discurso, uma surpresa: Costanza Pascolato começa a aplaudir a fala da estilista, ao que ela responde “Eu já tinha te visto e adorei o seu estilo”. Mais tarde, ao fim do evento, a consultora de moda comenta: “Ela sabe se articular muito bem. Eu já tenho 50 anos de profissão, cansei de ouvir estilista falando e falando… Mas ela se expressa de maneira ótima”.

Quanto à forte faceta de advogada das causas ambientais, que cultiva desde o início da carreira e que já lhe rendeu alguns prêmios honorários como o Green Designer of the Year no ACE Awards, ela diz que esse traço é uma herança de família e ainda explica como consegue exercer isso, muito além da simples proibição de couro em suas criações: “Tanto meu pai quanto minha mãe – Paul e Linda McCartney – sempre foram bem conscientes em relação a isso. Como eu cresci no meio rural, sempre tive uma ótima noção da natureza, das estações e de como devemos algo àquilo que nos cerca. Então, como estilista, eu tento traduzir isso de uma maneira moderna, me recusando a usar couro, PVC e coisas do gênero”. Outra problemática que entra na equação? A efemeridade do fast-fashion e a febre de coleções-cápsulas que são mensalmente  substituídas por novas peças de desejo, que acabam deixando as antigas para escanteio, bem antes da hora. “Eu tento promover uma abordagem na qual a coleção seja sustentável em outras maneiras. A moda pode ser ‘fast’, mas também pode ser atemporal e é isso que eu tentei criar agora: peças que sejam um verdadeiro investimento e que durem o máximo de tempo possível. Não me preocupo em fazer itens que estejam ‘na tendência do momento’, mas sim roupas que durarão uma vida inteira, mesmo fabricadas por uma loja de depaertamentos”.

Paulo Correa, vice-presidente comercial da C&A, acredita que a parceria com Stella McCartney é fruto direto desse novo perfil de consumidora globalizada que, através da internet, tem ciência de tudo o que acontece no mundo, inclusive na questão de moda, e deseja para si os melhores designers. “Nós investimos tentando entender as particularidades de todas as mulheres que vivem em um país tão extenso como o Brasil. As pessoas falam muito sobre a democratização da moda e eu acredito que é exatamente isso que estamos fazendo: levando esses designers de luxo a uma parcela maior de consumidores por um preço mais acessível”.

Papo legal, papo bacana, mas não é só a moda que está com os dias corridos. Mesmo dizendo que queria ficar mais – “Estou devastada de ficar aqui por tão pouco tempo” -, Stella precisa voltar para Londres e fotografar sua nova campanha, além de cuidar dos quatro filhos que largou por lá. Enquanto ela se despede do país, os convidados VIPs que vão de Laura Neiva e Isabella Fiorentino a Michelli Provensi e Marina Morena, que aproveitam o chá servido, que englobava um bufê de doces tão delicados que pareciam ter sido feitos pela própria Stella.

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