Música & Badalo

Rock In Rio Day 4: com Dona Onete, Fafá, Gaby Amarantos, Emicida e Baco Exu do Blues, o Sunset vai do carimbó ao rap

O calor subiu, na Cidade do Rock, com as bandas Francisco, El Hombre, Monsieur Periné, Lucas Estrela, Jaloo, Ibeyi, Agir, Rael, Rincon Sapiência e a Nova Orquestra do maestro Éder Paolozzi

Publicado em 04/10/2019 | Por Heloisa Tolipan

Emicida mostrou a força do hip hop junto com a dupla Ibeyi (Foto: divulgação)

*Por Rafael Moura

Francisco, El

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Hombre e Monsieur Periné apertaram o play do segundo final de semana do Rock In Rio trazendo um calor, assim como o dia que estava escaldante. A banda brasileira juntou forças com os colombianos numa apresentação cheia de energia, e protestos. Acionando o Caribe, o início dessa jam priorizou canções da Monsieur. O telão mostrava imagens de Marielle Franco (1979 – 2018), Dilma Rousseff, a jogadora de futebol Marta, Luiza Erundina, a ativista Greta Thunberg, entre outras.

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A energia continuou com o calor do cidade banhada pela Baía do Guarajá, afinal Dona Onete pedia passagem para explodir a Cidade do Rock com muito carimbó e fazer todo mundo tremer com muito jambu. A professora de história com 80 anos comandou esse show inédito e exclusivo para o Palco Sunset (Bem que o Rock In Rio podia fazer um DVD com essa apresentação). Com todos os sucessos na ponta da língua, o público cantou bem forte ‘Jamburana’ e ‘No Meio do Pitiú’. Lucas Estrela foi o primeiro convidado que mostrou para o mundo a força da guitarrada paraense, expondo pesquisa musical que parte dos sons regionais, como o próprio carimbó e o tecnobrega, mas incorpora a eles sons com efeitos da sua guitarra Stratocaster.

Dona Onete no show Pará Pop, no Palco Sunset do Rock In Rio (Foto: divulgação)

A próxima a subir ao palco foi Gaby Amarantos, que mostrou o poder do pop para o tecnobrega, com canções como ‘Xirley’ e ‘Ex Mai Love’ e confessou “É a primeira vez que eu subo num palco sem meia calça. Liberdade para os corpos e abaixo os padrões”. O sempre encantador e carismático Jaloo, e Manoel Cordeiro, um dos fundadores da guitarrada paraense, aumentaram a temperatura para a chegada de Fafá de Belém que fez um grito de alerta pela Amazônia e cantou ‘Vermelho’ emocionando a plateia. Vale ressaltar que esse espetáculo foi milimetricamente bem conceituado, até os figurinos: Dona Onere representava uma Deusa da Floresta, a Mãe Terra; Gaby Amarantos, a flora brasileira; Jaloo, a fauna, Lucas Estrela, a nossa arte e cultura; e Fafá, as águas.

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Saímos do Pará e Embarcamos para São Paulo, afinal era a vez de Emicida. O rapper que chegou com o ‘pé na porta’ em uma apresentação que mostra a força e a importância do hio-hop nacional. “Eu não tenho modéstia. Eu me acho um cara foda, mesmo. Eu não tenho problema com essa parada. Eu faço música para tirar onda, mano. Para me conectar. E essas expectativas todas foram cumpridas. Fiquei muito feliz, mano. Eu tô feliz para caralho”, revela o músico que é um dos grandes representantes do gênero. “A gente trabalhou pra caramba para essa apresentação e o mercado estarem neste ponto, mas ainda falta muita coisa”, enfatiza. O cantor subiu ao palco junto com as irmãs gêmeas franco-cubanas Lisa-Kaindé e Naomi Díaz, do Ibeyi. O artista revela que conheceu a dupla pelo skype que foi um match instantâneo. Essa sintonia se deu na apresentação que mostrou a força e o crescimento desse mercado que ‘tomou de assalto’ o gosto do público.

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Como um furação, o show de encerramento do Palco Sunset no Rock In Rio deixou todos boquiabertos. Afinal foi um encontro histórico. O Hip Hop Hurricane foi um verdadeiro concerto. Baco Exu do Blues, Rael, Rincon Sapiência e Agir, cantaram ao som da Nova Orquestra do maestro Éder Paolozzi, misturando a música clássica e de rua. Segundo o cantor português Agir a mensagem dessa show é o “Viva a cultura e abaixo as armas”. O portuga cantou sucessos como ‘Parte-me o Pescoço’, ‘Nada’ e ‘Estou Bem’. Rincon Sapiência ao cantar ‘Meu Bloco’ levou a plateia ao delírio com todo mundo pulando e vibrando numa mesma sintonia, depois seguiu com ‘Mundo Manicongo’ e ‘Ponta de Lança’.

Rael chegou chegando com o reggae ‘Flor de Aruanda’ e o samba ‘Envolvidão’. “O hip hop ensinou-nos que se tivermos cultura, saúde e educação, para que é que precisamos de uma arma na mão?”, manifestou n palco. Para completar o time, veio o ‘ursinho baiano’ Baco Exu do Blues que considera que foi agraciado pela grande visibilidade na mídia e por tantos prêmios. “É um momento que a gente foi agraciado, graças aos fãs que gostam muito da gente. Tanto do lado acadêmico com premiações, mídia e imprensa quanto o público ‘popularzão’. É muito louco ter essa junção das duas coisas. Sempre quis, mas não sabia que seria tão rápido”, ressalta o rapper, que ainda alfinetou o Kanye West. “Eu sou mais simpático que ele, e tão genial quanto. E eu não voto na extrema direita”.

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