Música & Badalo

Roberto Carlos confessa: CD novo, biografia de próprio punho e fase onde até beijo gay vale em novela!

Em bate-papo al mare a bordo do MSC Preziosa, o artista demonstra estar menos suscetível ao TOC e fala dos novos projetos!

Publicado em 10/02/2014 | Por Alexandre Schnabl

*Por Nayanne Louise

Roberto Carlos continua solteiríssimo e, talvez por isso, é o mais novo usuário de redes sociais. Essa foi uma das novidades que o astro contou para a gente neste sábado (8), durante mais uma noite de sonhos para seus fãs, que embarcaram no transatlântico MSC Preziosa para ver o cantor no cruzeiro que vai até quarta-feira (12). No navio, o cantor recebeu a gente para uma conversa, aberta aos hóspedes viajantes – caso inédito no mundo inteiro – para falar sobre os dez anos do projeto “Emoções em Alto Mar”, seus próximos shows internacionais, um prometido disco novo e uma biografia autorizada, entre outras coisas. Mas, esse é só o início dessa nova fase moderninha do artista, que completa 73 anos dia 19 de abril e, em comemoração, lançará um compêndio que reúne fotos, rascunhos musicais e registros de sua carreira.

Em clima descontraído e com uma hora de atraso (perdoável, claro, afinal ele é o rei!), Roberto foi logo quebrando o gelo com um comentário brincalhão, seguido de uma gostosa gargalhada, daquelas bem abertas, logo após perceber que estava sentado em uma cadeira roxa, contrariando seu transtorno obsessivo compulsivo: “Acho que estou melhorando do TOC, sentei até em uma cadeira roxa, ninguém me avisou nada e também não reclamei. A próxima deve ser marrom…”, afirmou em tom de bom humor.

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Fotos: Patrícia Sales

Mesmo com o pretexto de comemorar o decênio dos seus cruzeiros temáticos, o astro acabou revelando que o principal motivo de ter topado o bate-papo era anunciar o Collector’s Book, o livro de fotografias que homenageia sua trajetória, desde os tempos da Jovem Guarda até o período mais romântico, incluindo a redescoberta da fé na sua vida. Com tiragem limitadíssima (considerando seu séquito) de 3.000 exemplares, esse será o grande lançamento da Toriba Editora, totalmente impresso na Itália. O projeto demorou cinco anos para ficar pronto por conta das minúcias impostas por Roberto, que fez questão de acompanhar tintim por tintim de cada etapa: “Demoro mesmo para fazer minhas coisas. Mas felizmente tenho o respeito das pessoas que trabalham comigo para opinar”. Traduzindo: o esmerado processo deve ter consumido uma boa dose do notório TOC do músico, que provavelmente gastou horas a fio, enlouquecendo, mas orientando seus colaboradores, determinando o que era ou não permitido. Natural em se tratando de alguém com sua estatura.

E, depois de Jerusalém, RC já revela que esse ano fará um mega show no MGM Arena, em Las Vegas, tipo Frank Sinatra, conforme anunciou Luiz Carlos Miele, que abriu a apresentação. Sim, se o cantor é puro showbiz, nada melhor do que Miele para fazer vezes de mestre-de-cerimônias, não é mesmo? E, com o papo fluindo a todo vapor, o Rei não para por aí: anuncia logo que também está escrevendo um livro. Bom, nada de romance ou suspense, o que vem por aí é a própria biografia escrita por ele mesmo: “Ninguém melhor do que eu sabe contar vivi. Não vou esconder nada, nenhuma tristeza ou alegria”, dispara. E ainda deixou no ar a hipótese de sua história virar um filme ou uma peça. Quem sabe? Afinal, atualmente o Brasil vive um momento em que os musicais nacionais, inspirados em lendas da MPB, fervilham nos teatros e cafés-concerto. Basta inclusive lembrar que no vitorioso sucesso “Tim Maia – Vale Tudo, o Musical”, o espetáculo montado por João Fonseca a partir do best seller de Nelson Motta com Thiago Abravanel e Danilo de Moura se revezando no papel-título, o próprio RC comparece em várias cenas, interpretado pelo ator Reiner Tenente. Daí para um espetáculo só seu, que evoque sua carreira ímpar, é somente coisa de um pulinho.

Obviamente, faz todo sentido o desejo do artista em pretender controlar a informação a seu respeito, sobretudo depois do imbróglio envolvendo a biografia escrita por Paulo César Araújo sem sua autorização, devidamente embarreirada, assunto que deu pano para manga. “É preciso equilibrar o direito à privacidade e a liberdade de expressão, é fundamental encontrar uma solução para o meio termo. Hoje em dia, eu já concordo com a biografia não autorizada, mas muitas outras coisas precisam ser estudadas. Eu me considero dono da minha história. Um biógrafo, por melhor que seja, escreve o que eu vivi. Mas a história é minha, não é propriedade de quem escreve e a comercialização das minhas histórias nas mídias é um direito meu de decidir”, afirma enfático.

E, nesta nova fase, Roberto faz questão de mostrar que anda desprendido de idéias pré-concebidas e que está a par com todo tipo de realidade. Inclusive, conhecido como ‘noveleiro’ na praça, Roberto aproveita e comenta na bucha, sem receio algum, sobre a polêmica cena do beijo entre os personagens de Mateus Solano e Thiago Fragoso no último capítulo da novela “Amor à Vida”: “Foi feito com muita elegância e não me choca, não. Vejo as coisas com bastante naturalidade: duas pessoas que se amam se beijam na boca, normal. Os gays também têm esse direito, já que todo ser humano deve poder ser feliz.

E mais: disposto a se atualizar com as delícias da tecnologia, o dono do calhambeque bibi confessa ter aderido às redes sociais para ficar mais próximo aos fãs. Tanto  que, durante a entrevista, os admiradores virtuais puderam enviar vídeos com perguntas para o rei responder através da hashtag #rcresponde. “Olho meu site todos os dias, assim como o Facebook, só para saber o que está rolando. Gosto de saber aquilo que as pessoas estão dizendo, as mensagens dos fãs, mas não sou de ficar duas ou três horas na internet. Faço as minhas consultas, leio notícias do mundo inteiro, mas não tenho tempo para ficar interagindo. Entro, vejo, respondo e saio fora, mas respeito quem fica. É divertido”.

E, entre todas as novidades, Roberto vai logo entregando mais um jogo: um novo CD está previsto para esse ano e, surpresa! O rock’n’roll até deixa saudades, mas ele não nega simpatia pelo funk: “É um ritmo maravilhoso e contagiante. Não há quem não se mexa. Pode ser que eu grave sim”.

Após a entrevista, foi a vez do jantar, em clima de hit italiano e com a expectativa do show do artista, grande motivo para todos estarem ali. No teatro do navio, o anfitrião da noite estacionou seu calhambeque vermelho (inflável!), vestiu todo o charme de um terno branco e gravata com detalhes vermelhos e não economizou naquelas historinhas de introdução, emocionando senhorinhas e senhores, jovens e crianças com os sucessos mais marcantes de sua carreira. Mais do mesmo? Okay, mas quem disse que quem está ali quer ver alguma coisa diferente? A ideia é sempre repetir uma inesquecível experiência sensorial já vivida, o que pode ser ótimo. Alguns pela primeira vez e outros pela décima, como o caso das amigas Juraci Almeida, Lana Pedrosa e Vilma Borges que acompanham o navio desde 2005, quando foi dada a partida na viagem al mare. “Ele é o amor de nossas vidas, até nossos maridos já sabem disso”, se diverte Vilma, aposentada de 67 anos, embora haja certeza dessa informação. O trio há 10 anos embarca nessa aventura, mas confessa sentir um friozinho na barriga cada vez que vêem o rei no palco: “Quem é rei jamais perde a majestade, e ele é um ser humano ímpar. Tem uma luz sem igual e não tem quem não se emocione e se identifique com suas canções. Até minhas netas mais novas curtem”. Por isso, não poderia faltar aquele momento em que todas as mulheres disputam as tais rosas distribuídas pelo artista no final do show, que, apesar de secarem ao morrer, ficam eternizadas no coração.

 

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