Música & Badalo

Prestes a cantar 40 horas no carnaval, Bell Marques avalia ACM Neto e solta: “Eu acho, sim, que o politicamente correto, às vezes, é chato”

Antes de voar de para Guarapari (ES), onde cantará no Multiplace Mais, Bell falou sobre seus planos assim que o Carnaval passar: "É lançar meu DVD, que gravei no último réveillon de Fortaleza. Tive o prazer de contar com a participação de Wesley Safadão e dos meus filhos Rafa Marques e Pipo Marques"

Publicado em 29/01/2016 | Por Lucas Rezende

“Eu acho, sim, que o politicamente correto, às vezes, é chato, mas, em alguns casos, é saudável, porque nos mantém alerta”. Assim passou a pensar Bell Marques depois da primeira quinzena de dezembro último. Foi quando “Cabelo de Chapinha”, sua música de trabalho, teve sua letra alterada depois de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Ministério Público da Bahia (MP-BA). O motivo? Houve acusação de conter conteúdo racista por cantar “ô mainha, mas eu só gosto do cabelo de chapinha, mainha. Ô tá liso, tá lisinho. Tá liso, tá lisinho”. A composição de Felipe Escandurras, Fagner e Gileno agora canta: “Cabelo crespo, cabelo liso, cabelo black, cabelo loiro” e “Lindo é seu jeito, todo mundo gosta de te ver”.

Bell marques

Em conversa com HT antes de voar de para Guarapari (ES), onde cantará no Festival de Verão do Multiplace Mais nesta sexta-feira (29), Bell Marques tratou de frisar: “Em toda minha carreira, sempre fugi de polêmicas, sempre tive como único objetivo levar alegria às pessoas. Quando percebi que algumas estavam insatisfeitas com a música, não podia ignorar. Fui ao MP e pedi uma orientação do que podíamos fazer”. E, daí, veio a tal alteração.  “A música continuou com a frase do cabelo de chapinha! Os compositores mudaram de ‘eu só gosto’ para ‘eu também gosto’, para que as mulheres, negras ou não, que não tenham cabelo liso não se sintam piores do que aquelas que escolhem, com todo o direito, alisar”.

E Bell prossegue: “A música é uma brincadeira, animada, a cara do Carnaval e fico feliz que as mudanças agradaram o público, que já está colocando ela entre as melhores do Verão 2016”. Com intuito de colocar fim à polêmica e reiterar sua responsabilidade social, o baiano relembrou outras causas as quais já se dedicou. “Sempre emprestei minha imagem e voz a diversas campanhas, sejam contrárias à violência contra a mulher, a favor da paz no Carnaval, até a campanhas do Tribunal Superior Eleitoral nas últimas eleições. Sou extremamente a favor de tudo que torne o nosso país melhor, mais pacífico, melhor de se viver. Não tenho dúvidas de que devemos continuar atentos neste sentido, a fim de que a discriminação, em todos os sentidos, seja cada vez menor”, disse.

Nesse papo com HT, Bell Marques também foi questionado sobre a crise da venda de abadás no carnaval baiano, de seu novo show, se sairia novamente do Chiclete com Banana, como fez, caso voltasse (boatos de Salvador davam conta de que um retorno estava sendo ensaiado na surdina); quais os reflexos do mandato do prefeito ACM Neto na folia momesca e detalhes do DVD. Avante.

HT: Como estão os preparativos para o Carnaval?

BM: Esse vai ser um Carnaval bem interessante, talvez o mais longo de minha carreira. Serão oito shows em seis dias. Puxo o bloco Vumbora! na sexta e no sábado e o Camaleão, no domingo, segunda e terça. Ainda tenho dois camarotes na sexta e na segunda, logo depois do percurso. Serão cerca de 40 horas cantando!

HT: E a venda de abadás? O que mudou com a crise?

BM: Estamos começando o Carnaval com um clima muito bom. A cidade de Salvador já está com muitos turistas e, exatamente por conta da crise, do dólar alto, muitas pessoas ficarão no Brasil e investirão no Carnaval daqui. As vendas já superam as do ano passado. O sábado do Vumbora, por exemplo, já está esgotado e começamos já comemorando.

HT: O mandato do ACM Neto em Salvador é bom para a turma da folia?

BM: Em termos de entretenimento e Carnaval, que são assuntos que dizem respeito ao que faço, acredito que ele esteja fazendo um bom trabalho. Viemos aí do maior réveillon do Brasil para a maior festa de rua do planeta, com programação cheia de coisas, pra todos os gostos, idades, bolsos, enfim, que valorizam nosso turismo e nossa economia.

Foto2-Bell-Marques

HT: O Chiclete com Banana é talvez uma das bandas mais amadas do Brasil e muitos “chicleteiros” viraram “bellzeiros”. Sua carreira solo só cresce a cada dia. Hoje, algum tempo depois de sair da banda, como avalia tudo isso? Sairia novamente?

BM: Minha decisão de sair no Chiclete foi muito firme. Eu já tinha isso em mente há um bom tempo, não foi da noite pro dia. Estou feliz com a decisão e com como as coisas estão acontecendo. Estou bem contente com o que tenho alcançado.

HT: E o seu show Camaleão Prime, como é?

BM: O Camaleão é uma marca muito forte no Brasil. Quem vem ao Carnaval de Salvador pode não sair comigo, mas já ouviu falar de toda sua tradição. São centenas de fãs de todos os cantos com a patinha tatuada no corpo, o que me deixa muito feliz. Resolvi passear pelo Brasil com essa marca, que sempre esteve apenas em Salvador, e fazer eventos um pouco menores, mais exclusivos, com um show um pouco mais longo.

HT: Quais novidades podemos esperar de Bell Marques em 2016?

BM: Depois do Carnaval, meu principal objetivo é lançar meu DVD, que gravei no último réveillon de Fortaleza, no Marina Park Hotel. Tive o prazer de contar com a participação de Wesley Safadão, dos meus filhos Rafa Marques e Pipo Marques, da banda Oito7Nove4, e com uma estrutura gigante. Foi um super desafio que faço questão de compartilhar com o público que não pôde estar presente o mais rápido possível.

Serviço

BELL MARQUES COM CAMELÃO PRIME NO MULTIPLACE MAIS

Data: 29 de janeiro

Valores: R$70,00 (pista – meia), R$600,00 (mesa para 4 pessoas – vendas pelo telefone 27-3272-1565 e e-mail reveillon@multiplacemais.com.br) e R$120,00 (camarote individual sem reserva de mesa)

Pontos de venda: Multiplace Mais (R. A, Lote 09 – Meaípe, Guarapari – ES)

Pesquisas relacionadas