Música & Badalo

Para a gente ele guardou o amor – Nando Reis em um papo só love, sem saudades dos Titãs e em busca do famoso All Star azul. Só entrar!

Nando disse que as músicas que fez são sempre cantadas para quem faz bater seu coração mais forte, que a escolha de seu repertório depende do estado do espírito e ainda lembrou a morte do amigo Marcelo Fromer, ex-guitarrista dos Titãs

Publicado em 09/09/2015 | Por Lucas Rezende

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(Fotos: Camilla Baptistin/Divulgação)

Não é difícil achar alguém que já precisou convencer o outro de um amor sincero com os versos de “De a Janeiro a Janeiro“. Muito menos um amigo que se identifica com “Relicário” ao ser arrebatado por um amor inesperado. E aquele que vive em céu de brigadeiro com os olhos brilhando de paixão que não pode ouvir “Sei” que se derrete? O amor é capaz de tudo e HT conhece poucos que saibam falar tão bem desse sentimento como Nando Reis. Dono da voz que eternizou esses sucessos e tantos outros, o paulistano de 52 anos dispensa o rótulo de hitmaker, mas sabe amar tão bem quanto canta. E não é coisa da boca para fora. Tanto que todas as músicas feitas por Nando Reis são sempre cantadas para quem faz bater seu coração mais forte. Palavras do próprio, que se declarou recentemente na turnê intimista que vem saracoteando o Brasil: “Todos os amores que eu amei se dispersam em uma só e ela sabe que é ela”.

Não é preciso de gastar muito neurônio para saber que os olhos de Nando brilham é pela psicóloga Vânia Passos, junto dele – apesar de um hiato – desde 1985. E talvez por cantar um sentimento tão nobre, que faz matar e morrer, chorar e sorrir, que selecionar um setlist – mesmo com tantas faixas emblemáticas e na ponta da língua de quase duas gerações – não é tarefa mecânica e demanda de um autoconhecimento. HT questionou se estávamos certos na previsão e…”Matou a charada, respondeu por mim”, confessou. “Por ser aberto, por estar exclusivamente na minha imediata decisão, o repertório é decidido no camarim, e pode ser alterado durante o show ou não. Dependendo do meu estado de espírito, uma ou outra coisa acontecerá… E se não for assim… qual seria a graça?”, perguntou.

Nenhuma, Nando. Nenhuma. Aliás, para dar mais gracejo às suas apresentações intimistas – que faz só com voz e violão, sem sua banda “Os infernais” – ele contou com uma senhora mãozinha de sua filha, Sophia Reis, atriz, que já atuou em filmes como “Meu tio matou um cara”. Filha de Nando com Vânia, Sophia foi na cerne do conceito: a elaboração do roteiro. Tudo começou no projeto “Sala de estar”, do Sesc. Mas nada que pudesse continuar influenciando o pai. “Sophia deu uma enorme mão, na elaboração do roteiro, cujo conceito era apresentar ao público aquilo que o artista tocaria em sua sala. Ela escreveu magnificamente, pois Sophia, como ninguém, sabe quem é o pai dela, e o que ele toca na sala de estar [dele]”, explicou.

Pouco depois da virada do último IMG_5550 (1)milênio, Nando Reis fez um rompimento tão inesperado quanto seria a tensão das pessoas pelo bug que aconteceria ao pipocar dos fogos do Reveillon: deixou o baixo do Titãs e seguiu em carreira solo. À época, disse que sua decisão de deixar o grupo se dava “única e exclusivamente a uma incompatibilidade de pensamento em relação ao futuro da preparação do que seria o próximo disco”. Lembrando do fato, HT quis saber: “O que faz mais falta e o que menos tem saudade de fazer parte de uma banda?”. Nando nem titubeou. “[Sinto mais falta da] convivência, da presença do Marcelo. Não tenho nenhuma saudades de nada (fala incisivo) do que aconteceu depois que ele morreu”. O Marcelo a que Nando se refere é Marcelo Fromer, guitarrista dos Titãs, que faleceu em 2001 após ser atropelado por um motoqueiro em São Paulo.

Depois da saída, o mais perto que chegou de uma banda é tocando com “Os infernais”, banda carioca que o acompanha em shows pelo país. Com uma temporada focada em apresentações intimistas, ele rejeita totalmente quando falamos de um paralelismo na carreira. E ainda tira onda brincando com as linhas imaginárias geográficas. “Que paralelo? Meridiano? Projeto paralelo? Não tem nada disso. É tudo simultâneo e convergente. Não tem essa de paralelismo não”. E já que Nando abre espaço para gracejos, ao lembramos que logo mais no dia 18 ele sobe ao Palco Sunset do Rock in Rio para uma homenagem a Cassia Eller ao lado de artistas como Arnaldo Antunes e Zélia Duncan, bateu a curiosidade de saber por onda o All Star preto de cano alto que gostava tanto do All Star azul de Cássia. “Nos pés de um dos Reis, um dos meus herdeiros. No caso, o Sebastião (com 20 anos)”, entrou na brincadeira.

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