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O rock é resistência sempre: Vem conhecer Lambretta, a banda que conseguiu uma sinergia com integrantes da MPB

A banda integrada por Daniel Massa, Elir Filho, Pedro Garcia e Marcelo Teteu lançou o EP “Prisioneiro” e contou com participações de Zeca Baleiro, Emílio Dantas, Bruno Gouveia (Biquíni Cavadão), Jimmy London, Luana Camarah, Egypcio, Fabiano Carelli, Fernando Magalhães e Maurício Barros (Barão Vermelho)

Publicado em 07/08/2019 | Por Heloisa Tolipan

O grupo Lambretta lança o seu EP de estreia (Foto: Vinícius Giffoni)

*Por Iron Ferreira

Com fortes influências do rock brasileiro e internacional, a banda carioca Lambretta acaba de apresentar ao público o seu EP de estreia, intitulado “Prisioneiro”. O nome do projeto nasceu a partir de um diálogo do filme “Blade Runner” (1982), dirigido por Ridley Scott, que evidência o fato de todos sermos prisioneiros dos nossos medos e segredos. Apostando na força de suas composições e em uma sonoridade distante do que toca nas rádios atualmente, a banda convidou nomes de peso para participações, como Zeca Baleiro, Emílio DantasBruno Gouveia (Biquíni Cavadão), Jimmy London, Luana Camarah, Egypcio, Fabiano Carelli, Fernando Magalhães e Maurício Barros (Barão Vermelho). Segundo o vocalista, Daniel Massa, as canções que mais fazem sucesso hoje no Brasil não primam pela qualidade da letra, sendo facilmente esquecíveis após um determinado período de tempo: “Nos anos 80 e 90, as composições eram mais valorizadas. Hoje, isso se perdeu um pouco. Claro que ainda temos muitos artistas que prezam pela qualidade dos seus trabalhos, mas nem todas as músicas que fazem sucesso irão resistir ao teste do tempo. Canções como “Faroeste Caboclo”, do Legião Urbana, por exemplo, resistiram muito bem e são cantadas até hoje. Não sei se o que toca nas rádios atualmente terá o mesmo destino”.

Capa do disco “Prisioneiro”, com arte produzida por Tiago Rodrigues (Foto: Divulgação)

Criado em 2018, pelos amigos Daniel Massa, Elir Filho, Pedro Garcia e Marcelo Teteu, o grupo se conheceu nas noites do Rio de Janeiro, entre as apresentações em bares e casas de show. Unidos pelo amor em comum ao rock, eles decidiram que era hora de lançar um material autoral, que pudesse imprimir suas particularidades e deixar suas marcas no cenário artístico. “Embora a formação tenha se consolidado em 2018, os integrantes já se conheciam há tempos. Como temos o gosto pelo rock em comum, decidimos nos juntar e produzir um som próprio. O trabalho autoral nasceu da vontade de expressar o que sentíamos e deixar a nossa marca no mundo. O músico que trabalha na noite precisa ter um profundo conhecimento musical e tocar um pouco de tudo. Essa característica eclética nos ajudou na hora de construir o nosso material”, diz Daniel.

Mesclando referências musicais que vão de Lulu Santos aos britânicos do Deep Purple, os artistas vêm buscando seu lugar ao sol: “São diversas influências que inspiram o nosso trabalho, não só do rock, mas da MPB. Nomes como Lenine, Renato Russo, Lô Borges, Lulu Santos e Suricato servem de inspiração para nós. Da galera internacional, The Beatles, Cat Stevens, Deep Purple e The Rolling Stones estão entre os principais”.

Grandes nomes do rock nacional e internacional estão entre as inspirações do conjunto (Foto: Vinícius Giffoni)

O EP “Prisioneiro” tem seis canções e consegue transmitir a identidade sonora do grupo. O destaque para a faixa “Valentina”, parceria com o maranhense Zeca Baleiro. A música é inspirada na força feminina e na voz das mulheres, que vêm ganhando força com o passar dos anos. “A canção com o Zeca nasceu da admiração que sentimos por ele, tanto como letrista como pessoa. Foi uma história engraçada, pois não tínhamos nenhum contato dele. Quando entramos no site oficial, só tinham e-mails genéricos, dos quais pensávamos que nunca obteríamos respostas. Eu chutei um deles na minha cabeça e acertei. Fiquei surpreso ao receber uma resposta do próprio Zeca dizendo que gostou da nossa composição e que aceitaria gravar conosco”, afirmou Daniel.

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Em conversa com o Site Heloisa Tolipan, o próprio Zeca falou sobre o prazer que sentiu ao trabalhar com a banda e apontou as dificuldades de fazer rock atualmente: “Tem que ser maluco para fazer rock nestes tempos anti-tudo. Por isso que topei participar do EP do Lambretta. Galera genuína, com garra de fazer barulho com música e atitude real”.

Imbuídos pela missão de provar que o rock resiste e resistirá sempre, os músicos acreditam no poder do gênero e no carinho dos fãs. O vocalista revela, no entanto, que a cobertura imprensa hoje não é a mesma em relação a outros estilos mais populares, como o sertanejo e o funk, o que contribui para essa situação: “O rock não tem o mesmo espaço que tinha há anos atrás. Nos grandes veículos de comunicação e até nas rádios, o estilo não é tão disseminado quanto aqueles que estão em alta”.

A banda acredita no poder do rock e na fidelidade dos fãs para que o seu espaço artístico seja conquistado  (Foto: Vinícius Giffoni)

Para o futuro, o Lambretta pretende lançar um clipe da canção “Prisioneiro”, com participação de Emílio Dantas, promover o lançamento do EP no Rio e em São Paulo e cair na estrada, investindo fortemente na agenda de shows.

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