Música & Badalo

Nome de ouro dos teatros, Bruce Gomlevsky lança seu primeiro disco, fala de amor como ninguém e solta o verbo: “Artista vive refém dos patrocínios”

O álbum “EU ME RECUSO A ABANDONAR MEU ROMANTISMO” será lançado no dia 6 de julho, no Theatro Net Rio. Em conversa com HT, Bruce disse que “é um disco muito pessoal, sem máscara" e questiona: "Quem nunca sofreu de amor?"

Publicado em 27/06/2015 | Por Lucas Rezende

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O que se espera de um homem que inaugura sua carreira musical com álbum chamado “EU ME RECUSO A ABANDONAR MEU ROMANTISMO” é um currículo de amores intensos e boas palavras quando o assunto é o coração. E Bruce Gomlevsky, 40 anos, não nos decepciona. “Eu já tive grandes amores. E acho que a gente tem grandes vários amores durante a vida. Eu acredito muito que depende da capacidade do sujeito de amar. Se eu for para a Suécia, eu vou amar. Se eu for para Tóquio, eu vou achar um amor. Mas, às vezes, a gente se ilude. Eu sou um cara apaixonado. Quando me apaixono, eu não tenho medo. Eu me entrego, faço música, imploro, me humilho. Eu amo com todas as forças”, nos disse ele, sem nenhuma vergonha. Pelo contrário, cheio de orgulho no peito.

E Bruce não fica só nas palavras. Ele prova que é realmente intenso com “EU ME RECUSO A ABANDONAR MEU ROMANTISMO”, seu primeiro álbum, que será lançado no dia 6 de julho, no Theatro Net Rio. O trabalho tem 12 canções de “amor e fúria”, como ele prefere denominar. “É um disco muito pessoal, sem máscara. É o Bruce desnudado. Estou falando de meus afetos, das minhas paixões”, contou ele que se inspirou em uma mulher específica para compor. “Quem já não sofreu de amor? Frustrações, dor de cotovelo? Todo mundo já passou por isso. É um disco feito para ‘alguéns’ (sic). Digo que 80% são para uma pessoa e outros 20% são para três ou quatro. A maior parte é para uma pessoa só. É quem me inspirou”, disse entregando o jogo.

“Mas o curioso é que eu não me relaciono com essa pessoa há quatro anos. O disco tem um percurso. Tem um cara que sofreu de amor, foi no fundo do poço, ressurgiu das cinzas, tem uma luz no fim do túnel, e hoje canta essas músicas com distanciamento”, explica. O percurso a que ele se refere são os três anos que o trabalho demorou para ficar pronto. Tempo mais que necessário para muitas transformações na vida de um homem intenso. “Na medida que você coloca a música no mundo, não é mais só para aquela pessoa. Não penso para ela. Mas a pessoa sabe. Ela não ouviu o disco, mas sabia que eu estava compondo”, conta.

O disco visceral, daqueles em que se entrega para o público o íntimo do artista, veio calhar perfeitamente com sua primeira inserção ao mercado. Mas ele garante que, a princípio, “não foi uma decisão mental”, e sim “uma condição”. Bruce ainda nos disse que as 12 canções autorais inéditas não o fizeram desenvolver uma metodologia de composição. “Tem músicas que a letra e melodia vêm junto. Tem outras que a letra chega, mas só depois de um tempo que eu sento com o violão e experimento uma melodia em cima”, disse ele, que admitiu o suor frio com esse álbum-pontapé. “Eu posso falar que nunca fiquei tão nervoso para subir em um palco. Como é o Bruce sem personagem, é uma confissão. Uma auto exposição”, afirma.

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O “Bruce sem personagem” é, digamos, um desafio para um compositor e cantor que também é ator e diretor teatral. “Dirigi nove espetáculos em 2014 e três este ano. Dois deles, o ‘Anti-Nelson Rodrigues’ e o ‘Um Estranho no Ninho’ vão voltar em breve”, conta. Ele, apesar de participar dessa volta dos espetáculos, está focado mesmo é no disco e nas viagens que planeja pelo país. Momento, aliás, que demorou para acontecer. “Demorou um pouco pelo fato de ser uma produção independente, sem patrocínio. Eu gravei no estúdio, eu masterizei com recursos próprios. Fui fazendo no tempo que foi possível. São 11 músicos e é um projeto muito caro”.

Bruce até tentou viabilizar o projeto do show em editais, mas nada conquistado até agora. A saída? Criativa e que merece aplausos: disponibilizar o álbum completo na internet. Se você gostar, paga, ali mesmo na web, a quantia que achar justa. Um típico “passar o chapéu”. “Nesse país a gente enquanto artista vive refém dos patrocínios. E eu também não quero mais ser refém de edital. Temos que viabilizar nossos projetos independentes de edital. Para viver de arte, tem que se desdobrar em mil”, critica ele, que está tentando a distribuição física com alguns selos. Mas, independente disso, tem que tocar o projeto. Até por que, Bruce é um realizador.

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“O mercado é difícil, claro. Temos que matar um leão por dia. Mas eu preciso me comunicar com meu público. Estou fazendo show, bancando do meu próprio bolso”, disse, no momento em que o lembramos que alguns artistas, como os da turma do Procure Saber, estão numa queda de braço ferrenha com os serviços de streaming de música, pela forma do pagamento. Logo, em um momento de reclamações contra a música gratuita, ele faz exatamente isso: não cobra nada pelo seu som. Mas nos explica. “Concordo quando se fala que não pagam o que eles merecem. Esses artistas têm, sim, que ter repasse. São o que gente tem de melhor no nosso país e a música tem que ser muito valorizada. Eles tem razão quando estão falando. Mas eu quero ser ouvido. Eu tenho a opção de disponibilizar de graça. Eu quero ganhar no show. Se eles me ouvem, eles tendem a ir”, disse.

Bruce, que já planeja, além do Rio, shows em São Paulo, Brasília e no Nordeste, tem dois filhos, os leva para escola, cuida dos afazeres, ensaia com a banda, cuida dos preparativos do show e se prepara para reestreia com duas peças. Lógico, confirma falta de tempo. Ao HT, disse que ama tocar para os filhos, e que compõe até em fila do banco. Questionado sobre o melhor lugar para tocar, esperto que só, nos indicou ir ao Theatro Net Rio no dia 6 de julho. A data do lançamento do disco. Mas quem termina tentando insistindo sobre o tema amor somos nós. Afinal de contas, por que ele insiste no romantismo? “Porque eu sou idealista. Eu acredito no amor. Eu acredito que é importante ter um relacionamento”, responde. Só nos bastou um eu “concordo” e boa sorte!

Serviço

DIA: 06 de julho 

LOCAL: Theatro Net Rio (Rua Siqueira Campos, 143 – Copacabana / RJ  Tel: 21 2547-8060)

INGRESSOS: R$ 60 e R$30 (meia-entrada)

Duração: 60 minutos

Capacidade: 622 lugares

Classificação: 14 anos

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