No primeiro dia de Monsters of Rock, Black Veil Brides abandona o palco, Motörhead cancela show e Ozzy Osbourne salva a noite


Festival leva os maiores nomes do rock a São Paulo e ainda teve no line-up os gigantes do Judas Priest

São tempos positivos para os brasileiros amantes de rock: as maiores lendas do gênero – e suas inúmeras vertentes – têm incluído o país em suas rotas de shows. Neste fim de semana, por exemplo, o Monsters of Rock, dedicado ao heavy metal e ao hard rock, tem lotado São Paulo com grandes ídolos no line-up, apesar de ter ignorado fortemente nossos talentos nacionais nessa 21ª edição, com apenas a banda Doctor Pheabes nos representando. Ainda assim, este sábado marcou o início do evento em uma Arena Anhembi amontoada de fãs, que sentiram na pele a essência do rock: irreverência e muitas polêmicas ao longo da noite.

Quem começou os trabalhos por lá, sob um tórrido sol de meio-dia, foi o De La Tierra, grupo latino que traz em sua formação o brasileiro Andreas Kisser (Sepultura) na guitarra, os argentinos Andrés Gimenez (A.N.I.M.A.L.) nos vocais/guitarra e Sr. Flávio (Los Fabulosos Cadillacs) no baixo e o baterista americano Alex González (Maná). Apesar da energia do grupo, foi apenas no segundo show, apresentado pelos alemães do Primal Fear, que o público se fez presente e agitado de verdade.

Com a ajuda do baterista sul-africano e radicado no Brasil, Aquiles Priester (Hangar), o Primal Fear, que vira e mexe dá as caras por aqui, conseguiu segurar o público com empolgação, mostrando que 20 anos de carreira lhe deram o jogo de cintura para se apresentar em um festival onde grande parte da plateia se mostrava ansiosa com as atrações principais. O fato, entretanto, não foi repetido pelos norte-americanos da Coal Chamber, que subiram ao palco por volta das 14h20 e, mesmo tendo a única mulher a se apresentar em todo o festival, a a baixista Nadja Peulen, não conseguiu aquecer de vez o público.

Ganhando pouco a pouco a confiança e o respeito de tal plateia, os californianos do Rival Sons deram um verdadeiro show: de rock e de profissionalismo. Sem se intimidar pela frieza dos presentes, o vocalista Jay Buchanan mostrou sintonia musical com o guitarrista Scott Holiday e, pouco a pouco, conquistou os presentes com seu som cheio de referências setentistas e solos psicodélicos. “Nós estamos aqui para tocar rock ‘n roll”, anunciou o vocalista, atendendo perfeitamente ao pedido subliminar do público.

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É preciso frisar: formado por metaleiros irreverentes, o público em questão do Monsters of Rock não estava ali de brincadeira. Foram muitas as vezes em que dedos do meio foram erguidos ao ar, por gente que estava mais a fim de conversar do que realmente curtir o som das bandas menores que as atrações principais. E, mesmo com o profissionalismo que é necessário nesses festivais, nem todo artista tem paciência ou “sangue frio” para aguentar a indiferença. Foi exatamente o que aconteceu com os americano do Black Veil Brides.

Com bastante maquiagem e pouca atitude, o vocalista e modelo Andy Biersack subiu ao palco com 15 minutos de atraso, o que já era motivo para irritar a plateia, ansiosa para o próximo show do line-up. “Sei que vocês não estão aqui necessariamente para nos ver, mas obrigado mesmo assim”, disse em determinado momento. Com poucos fãs no país, o representante do glam rock tentou se manter calmo, mas entre vaias, dedos do meio – que foram devolvidos por ele – e gritos pedindo o Motörhead, decidiu deixar o palco com a banda após 20 minutos de show. Os músicos voltaram logo em seguida, mas, claro, a recepção não foi nem um pouco calorosa e o leite já estava derramado.

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Os roqueiros que tanto vaiaram e desprezaram as bandas menores, tiveram que ir embora sem o show do Motörhead em sua plenitude: o vocalista Lemmy Kilmister, de 69 anos, sofreu “distúrbio gástrico e desidratação”, o que provocou o cancelamento da banda no festival. Ainda assim, os fãs tiveram um pequeno prêmio de consolo: três integrantes do SepulturaAndreas Kisser (guitarra), Derrick Green (vocal) e Paulo Jr. (baixo) – subiram ao palco com o guitarrista Phil Campbell e o baterista Mikkey Dee, do Motörhead, para apresentarem três clássicos da banda: “Orgasmatron”, “Ace of Spades” e “Overkill”.

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A primeira grande atração real do festival chegou através dos britânicos do Judas Priest, que agradeceram aos fãs por “manterem o metal vivo”. Com um show estendido, eles caminharam pelas mais de quatro décadas de sucessos, levando os amantes do gênero à loucura. O vocalista Rob Halford, de 63 anos, começou a setlist com a recente “Dragonaut” lançada no álbum “Redeemer of Souls” (2014), e executou ainda os clássicos “Devil’s Child”, “Victim of Changes”, “Breaking The Law”, “Jawbreaker”, “Turbo Lover” e “Hell Bent For Leather”, com direito a motocicleta no palco e tudo. O show terminou com “Living After Midnight”, que mostrou por que o grupo é a única atração a tocar nos dois dias de festival.

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Fechando o primeiro dia de Monsters of Rock, o Príncipe das Trevas, Ozzy Osbourne, realizou um verdadeiro culto ao rock no palco do festival. Em seu primeiro show desde agosto do ano passado, o artista mesclou os sucessos de sua carreira solo com clássicos do Black Sabbath, sempre empolgado e se divertindo durante a apresentação e até jogando espuma na plateia. O espetáculo terminou com um bis de “Crazy Train” e “Paranoid” para felicidade geral.

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