Música & Badalo

No Palco Sunset, Iza e Karol Conka fazem bonito em parcerias com atrações estrangeiras e Cidade Negra reúne clássicos de Gilberto Gil em show inédito em homenagem ao cantor

Como atração principal, o norte-americano CeeLo Green se apresentou com Iza e empolgou o público do festival. Além deles, os colombianos do Bomba Estéreo convidaram Karol Conka e o Cidade Negra cantou ao lado de Digital Dubs e Maestro Spok. Quem começou o sábado de shows no Palco Sunset foi o grupo baiano Quabales que convidou Margareth Menezes e Di Ferreiro

Publicado em 24/09/2017 | Por Julia Pimentel

Mais do que um encontro entre improváveis artistas, ontem, o Palco Sunset também foi o espaço de vários ritmos no Rock in Rio. Com a democracia musical como norte na programação, tivemos do axé da Bahia ao ritmo dançante da Colômbia. No line-up, a noite fechou em clima muito animado com um super show de CeeLo Green, responsável por vários hits que estavam na boca da galera, e participação de Iza. Aliás, que dobradinha! Poderosa, a brasileira foi a cereja do bolo de uma apresentação que, para terminar em ainda mais alto astral, teve o Quabales empolgando a galera. Com seus tambores e gingado, o grupo baiano voltou ao Palco Sunset depois de ter sido o primeiro a se apresentar no sábado. Ainda no começo da tarde, o Quabales trouxe o axé de Salvador para uma mistura com Margareth Menezes e Di Ferreiro. Para completar a programação, os colombianos da Bomba Estéreo se apresentaram com a potente Karol Conka e Toni Garrido fez um show inédito com o Cidade Negra homenageando Gilberto Gil. Vem ler os detalhes!

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CeeLo Green convida Iza

“Eu acho que a minha ficha não caiu ainda, mana”. Em êxtase após o show no Palco Sunset, Iza não escondeu a emoção por conta da sua estreia como artista no Rock in Rio. Entre tantos abraços e aplausos que recebeu dos amigos no backstage do festival, a jovem cantora transbordou a alegria em lágrimas e comemorou a oportunidade de cantar ao lado do super produtor e compositor de hits norte-americano. “O CeeLo pediu a indicação de alguma artista brasileira para o Zé Ricardo (diretor artístico do Palco Sunset) e ele falou meu nome. Eu fiquei muito feliz que ele aprovou e que tudo deu certo. A gente criou uma química muito especial e ficamos todos muito amigos”, contou Iza que, neste clima, revelou ter feito novas parcerias. Na verdade, amigas. Na banda de CeeLo Green, apenas dois integrantes são homens. De resto, “as minas que mandam”. ‘A gente criou uma máfia e nós todas nos amamos agora. Inclusive, estamos planejando sair depois do Rock in Rio. Elas falaram que querem ir para Santa Teresa e eu já estou bolando vários planos. Essa vai ser uma noite carioca de comemoração com muita música e generosidade”, disse Iza na saída do show.

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Show de CeeLo Green e Iza no quinto dia de Palco Sunset (Foto: Divulgação Rock in Rio)

Desta química, nasceu uma parceria que, de fato, deu super certo. Ao lado de CeeLo, Iza cantou em inglês, se desafiou e empolgou uma legião que estava ali para lhe assistir. No entanto, engana-se quem pensa que toda aquela sintonia entre Iza, CeeLo Green e a banda do astro fora construindo em muitos dias de ensaio. Virginiana, a brasileira confessou ter ficado desesperada para a apresentação que teve apenas um encontro antes do grande momento. “O entrosamento foi todo no truque. Nós só ensaiamos um dia antes do show. Sendo que eu sou virginiana e estava desesperada. Mas, no fim, deu tudo certo e foi ótimo”, comemorou Iza que, para fechar com chave de ouro, ainda dividiu espaço com o grupo baiano Quabales. Com o calor do Pelô, eles encerraram o show de CeeLo com a energia lá no alto e com direito a “Deu Onda” no saxofone e nos tambores baianos.

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Com o carimbo do Rock in Rio na sua carreira, a cantora acredita que o festival nunca mais será o mesmo em sua vida. Personagem da Cidade do Rock desde 2011 como parte dos milhares de fãs que lotam os shows, Iza parecia não acreditar que os papeis tinham se invertidos e, na noite de ontem, ela estava em cima do palco cantando para uma multidão. “O Rock in Rio nunca mais vai ser igual para mim. Eu sempre fui muito fã do festival e venho desde 2011. Adorava fazer parte da plateia e tinha muito orgulho disso. Quando eu estava lá embaixo e a luz iluminava a galera, queria fazer um show na multidão e um espetáculo para o artista. Então, eu sempre tive um sentimento muito especial pelo Rock in Rio e acredito que, agora, depois desse show, tudo vai ser diferente”, disse a cantora que, por mais que já tivesse se apresentando para um grande público antes, acredita que nada se compare à sensação de estar no palco do Rock in Rio. “Eu já tinha cantado no Carnaval do Rio em cima de um trio elétrico. Mas, nesse caso, são milhares de pessoas andando com você, mas não necessariamente te olhando e estando ali por sua causa. No Rock in Rio, eram 60 mil pessoas olhando na minha cara, me aplaudindo e dando força. Foi muito especial”, completou.

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Bomba Estéreo convida Karol Conka

A tenda dedicada à música eletrônica era em outra ponta da Cidade do Rock. Mas, com os colombianos da Bomba Estéreo no comando do Palco Sunset, o clima de festa tomou conta do Rock in Rio e o festival ganhou status de boate. Animados, eles ainda tiveram a musa Karol Conka como convidada especial, o que garantiu a animação completa do público. Mais do que honrada em fazer parte do line-up do festival, a cantora brasileiro comemorou a chance de ser atração do Palco Sunset que, para ela, sempre foi o espaço preferido em meio à diversidade do Rock in Rio. “Eu estou muito feliz de estar no evento para me apresentar especificamente no Palco Sunset. Sou uma mulher que amo festival e estar com diferentes pessoas e artistas. E é aqui que a gente tem a chance de aprender mais e levar novidades para o público”, disse Karol que afirmou ser enriquecedor para ela ter uma experiência como essa. “Em um festival como o Rock in Rio a gente tem acesso à diversidade e isso é a melhor coisa do mundo. Eu sou daquelas que defendo os diferentes elementos, gostos e estilos. Apesar de eu ter uma sonoridade ligada ao rap e ao pop, eu me considero rock porque não tenho medo do que falo e me assumo como sou. Isso é rock’n roll”, completou.

Bomba Estereo com Karol Conka (Fotos: Vinicius Pereira)

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Aliás, que Karol Conka nunca passa desperecida nós já sabemos. Em meio a uma edição tão engajada, em que a todo momento os artistas emprestam sua visibilidade para levantar bandeiras, a expectativa pela cantora não foi diferente. Com uma personalidade que, naturalmente não se omite dos discursos contemporâneos, Karol trouxe o colorido e a alegria do movimento gay para o palco do Rock in Rio. “Eu faço isso com muito carinho e pé no chão. Essa é uma missão que eu carrego na minha carreira. Para mim, não valeria a pena eu só subir em um palco com uma roupa linda e um som maneiro se eu não passasse uma mensagem que contribuísse para a educação brasileira”, disse.

Karol Conka (Fotos: Vinicius Pereira)

Para isso, Karol Conka elegeu um look nada discreto que tinha a intenção de potencializar sua mensagem. Produzido há três meses especialmente para a noite no Palco Sunset, a cantora destacou a sintonia de sua roupa com o momento em que vivemos. Na semana passada, um juiz federal assinou uma brecha em nossa Constituição em que admite tratamento psicológico para aqueles que tenham reversão sexual. Ou seja, a polêmica e equivocada cura gay. “Eu trabalho nesse look há três meses com as estilistas e acho que ele ficou ainda mais atual nesses últimos dias. Em um momento em que estamos vivendo essa palhaçada de tratar o homossexual como doente, eu considero o meu figurino como a verdadeira bandeira contra a homofobia. Eu tenho asas coloridas para mostrar que a gente está aqui para voar”, disse Karol que possui um discurso muito forte contra o preconceito e a homofobia. “A única possibilidade que temos de curar a maior doença do mundo que é a homofobia é o amor. E eu estou aqui representado isso”, completou Karol Conka que fez bonito no Palco Sunset. Orgulho das nossas brasileiras!

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Cidade Negra canta Gilberto Gil e convida Digital Dubs e Maestro Spok

A missão era criar um show inédito que reverenciasse um dos maiores nomes da música brasileira. Nada fácil quando se trata do repertório de Gilberto Gil. Para a apresentação no Palco Sunset, Toni Garrido lembrou da crise que viveu para selecionar apenas 2% de uma carreira brilhante que Gil carrega até hoje no cenário cultural de nosso país. No Rock in Rio, o Cidade Negra homenageou o ícone e ainda trouxe dois elementos que completaram o ineditismo da performance. “Foi uma dificuldade maravilhosa, a mais gostosa que já tivemos. Para começar, tínhamos mais de 600 músicas do Gil para trabalhar em nosso repertório e precisávamos chegar a apenas 13. Quando chegamos a 50, era uma mistura de choro e riso porque sabíamos que estava ficando uma seleção importante e significativa, mas ainda precisávamos reduzir mais”, lembrou Toni que, apesar de satisfeito com o resultado, ainda lamentou não poder ter escolhido outros clássicos de Gil. “Faltou muita música importante porque em uma seleção de apenas 13 faixas não tem como falar de tudo o que queremos”, acrescentou.

Cidade Negra liderado por Toni Garrido, com Digital Dubs e Spok Orquestra ( Fotos: Vinicius Pereira)

Mas as mais importantes estavam ali. No repertório que reuniu hinos da cultura brasileira como “Não Chores Mais”, “Realce” e “Anda com Fé”, o Cidade Negra ainda teve um super apoio de seus convidados, que garantiram mais energia e potência ao show. “A gente não podia estragar uma música de Gilberto Gil. Todas as 13 que escolhemos já eram perfeitas. Também não tinha como melhorar porque ele mesmo já tinha feito o limite. Então, coube a nós trabalhar com muito amor e bom-gosto”, contou Toni que, mesmo involuntariamente, reconhece que as músicas ganharam novas formas nesta mistura apresentada no Rock in Rio. “A gente só faz o que somos. Não tem como inventar outra personalidade, senão o público percebe e a gente passa vergonha. Por isso, o que temos que fazer é respeitar o nosso jeito e a nossa verdade. Quando a gente toca uma música que não é nossa, só o fato de ela passar por um corpo diferente já dá outra identidade. E foi isso o que fizemos”, explicou.

Cidade Negra liderado por Toni Garrido, com Digital Dubs e Spok Orquestra ( Fotos: Vinicius Pereira)

O que também passou pelo corpo e pela voz de Toni Garrido no show do Palco Sunset ontem à tarde foi a indignação com a atual situação do país. No palco, o vocalista do Cidade Negra se juntou a tantos outros artistas que nesta edição se manifestaram politicamente e socialmente em prol daquilo que acreditam. Sobre este posicionamento em cima do palco para um público e uma visibilidade grandiosa, Toni garantiu não se esquivar. “Já faz muito tempo que eu perdi o medo de falar sobre o que não agride. Eu não gosto de comentar sobre assuntos agressivos e virulentos. Por isso, o mais importante é pensar antes de falar. Mas, quando tem amor e verdade, está tranquilo”, disse.

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Quabales convida Margareth Menezes

O encontro era para ser o calor da Bahia no palco carioca do Rock in Rio. E foi. Mas, no show que abriu os trabalhos no Palco Sunset ontem à tarde, a mistura ganhou toque de pop-rock com a participação especial de Di Ferrero. O vocalista do NX Zero se juntou à mistura do batuque do grupo baiano com a voz potente de Margareth e trouxe sucessos da banda teen em ritmo totalmente novo. Aprovamos o resultado. “Como eu já estou acostumado a tocar músicas como “Só Rezo” e “Cedo ou Tarde”, ter uma batida diferente me deu um ânimo especial e uma renovada que foram incríveis. O resultado ficou bem mais vibrante porque foi uma energia que veio do batuque. Eu fico arrepiado só de lembrar”, disse animado.

Quabales recebe Margareth Menezes (Fotos: Vinicius Pereira)

No comando desta mistura, Marivaldo dos Santos, líder do Quabales, foi o responsável por dar ainda mais calor para a voz de Margareth Menezes a arrepiar o pop-rock de Di Ferreiro. No palco, os jovens do grupo baiano fizeram verdadeiras performances em que os tambores ganhavam vida e, além de ditarem o ritmo do show, ainda dançavam nos ares e nos corpos dos percursionistas. “O Marivaldo é um maestro. A gente decide como vai ser a música e ele já organiza tudo com a banda. Os meninos são muito bons e conseguem traduzir tudo aquilo que pensamos em sons e movimentos maravilhosos”, disse Margareth Menezes sobre a mistura.

Show do grupo Quabales com Margareth Menezes e Di Ferreiro no quinto dia de Palco Sunset (Foto: Divulgação Rock in Rio)

Como resultado, a Bahia ganhou o Rio de Janeiro e a energia de Salvador contagiou os quatro cantos da Cidade do Rock. Mesmo em alguns momentos o som e as vozes não chegando perfeitamente ao público, clássicos como “Faraó” foram unanimidade entre os que chegaram cedo para o festival. “Essa foi uma experiência musical bastante diferenciada. Porém, foi tudo muito fácil. Nos ensaios, a gente se encaixou muito bem e não tivemos dificuldade”, contou Margareth que só amarrou o show para a apresentação de sábado faltando duas semanas para subir ao palco.

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