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No luau da Água de Coco, Claudia Leitte fala sobre a carreira internacional: ‘Encaro como um passo natural’

Cantora falou com site HT sobre a ponte aérea Los Angeles-Salvador por conta das gravações sob a batuta da Roc Nation, de Jay-Z, como se prepara para ser rainha da Mocidade Independente de Padre Miguel e a participação no The Voice Brasil

Publicado em 21/11/2015 | Por Bia Medeiros

Claudia Leitte foi responsável por dar o start no fim de semana de comemorações pelos 30 anos da grife Água de Coco, no Beach Park, em Fortaleza. A loura desembarcou na capital cearense nesta sexta-feira, em um jatinho particular, vinda diretamente de Salvador, especialmente para o luau da grife como contamos aqui. Contratada da Roc Nation, super gravadora que tem Jay-Z como sócio e nomes como Rihanna e Shakira no casting, Claudinha atualmente se divide entre Salvador, sua base no Brasil, Rio de Janeiro, para gravar cada etapa do reality musical The Voice Brasil, e Los Angeles, para onde se mudou temporariamente com a família para trabalhar em seu próximo álbum com os executivos e produtores da Roc Nation.

Cláudio Junior, irmão e sócio da loura, nos explicou que ela sempre desejou “cantar para o mundo inteiro”, desde quando brincava de ser cantora na infância,  e a carreira internacional começou após receber o convite para gravar uma música para um video game da Zumba, feito diretamente por Beto Perez, criador do estilo de vida que busca cuidar da saúde através da dança e é febre no mundo todo. A partir desta parceria, a cantora conquistou notoriedade em outros países e começaram a chegar as propostas de trabalho e também de empresários que queriam trabalhar a carreira dela no mercado mundial “Os empresários foram unânimes ao afirmar que a Claudia é um produto brasileiro que consegue exportar brasilidade para o mundo inteiro de forma comercial e artística”, comenta. “Tudo isso culminou com  o contrato com a Roc Nation, que, agora, é a administradora da carreira de Claudia, trabalha com grandes artistas em todo o mundo e tem Jay-Z entre os sócios. ele, por sua vez, é dono do Tidal, que tem a Madonna e outros importantes nomes mundiais envolvidos, e agora Claudinha está ali. A brasileirinha arretada está no meio daquela galera querendo apresentar o trabalho e a brasilidade dela”, afirma o irmão.

Antes de subir ao palco do luau da Água de Coco, no Beach Park, Claudia conversou com HT sobre a carreira internacional, seu próximo CD, a responsabilidade de ser rainha de bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel no Carnaval carioca e o trabalho junto à ONG Amigos do Bem, que com ajuda da Água de Coco, trabalha para dar assistência e levar água até famílias do sertão nordestino.

Show de Claudia Leitte na Festa de 30 anos da Grife Água de Coco, no Espaço Coqueiral do Beach Park de Fortaleza - CE (Foto: AgNews)

Show de Claudia Leitte na Festa de 30 anos da Grife Água de Coco, no Espaço Coqueiral do Beach Park de Fortaleza – CE (Foto: AgNews)

A paixão pelo Nordeste
“Tudo meu começa aqui no Nordeste. Nasci no Rio de Janeiro e vim com cinco dias de vida para cá. Não acredito em acaso, Deus é muito bom o tempo inteiro, ele faz tudo certo. Aqui é onde as coisas funcionam para mim. Tenho um projeto incrível aqui: o Amigos do Bem, no qual a Água de Coco também está envolvida, que ajuda famílias do sertão nordestino, onde a seca impera. Sou madrinha desta ONG, e onde não chegava água e educação, agora está chegando. Temos professores voluntários e uma delas, inclusive, canta lindamente, quero levá-la para o The Voice Brasil.”

A admiração pela Água de Coco
“Os 30 anos da Água de Coco são mais do que louváveis. Vocês vão ver um pouco do que eles passaram, do que essa família toda construiu para chegar até este momento, quando é referência de moda no mundo inteiro. Porque eu vou com os meus bodies para os Estados Unidos, eu paro o trânsito! Todo mundo me pergunta: ‘De onde é? De onde é?’, e eu mostro o site da marca. É uma coisa incrível o que a Liana e o Renato fazem.”

Renato, Liana e Rebeca Thomaz com Claudia Leitte (Fotos: Luciana Prezia)

Renato, Liana e Rebeca Thomaz com Claudia Leitte (Fotos: Luciana Prezia)

A paixão por moda
“Sempre amei moda, é algo natural na minha vida. Acho que moda, arte, música e esporte estão muito associados. Não conseguiria fazer os meus shows se não tivesse o preparo físico porreta como eu preciso ter. Fazer aquilo em cima do palco é loucura, seis horas em cima de um trio também é louco. Arte também está ligada, porque música é algo visual, estamos vivendo a era da imagem, do Youtube, e é preciso ter um visual massa no seu cenário. A moda entra também, porque a roupa expressa a sua personalidade. Quando eu entro no palco, se a minha roupa não estiver em sintonia com o que a minha música está dizendo, não vai ser confortável. As pessoas têm que entender toda a mensagem e uma coisa complementa a outra”.

Carreira internacional e a vida entre os Estados Unidos e o Brasil
“Minha rotina é essa loucura (cheia de viagens), mas meu CEP sempre foi Salvador, minha base é lá. Inevitavelmente minha vida continua igual, não houve uma mudança brusca. As pessoas falam muito em carreira internacional, escuto muito isso, mas encaro como um passo natural. Assim como saí do Babado Novo e fiz minha carreira solo, isso veio a acontecer comigo. A Roc Nation me convidou para ser parte do casting, é muito especial. É a minha caminhada, não é uma mudança brusca, não estou fazendo nada que não fazia antes. Sempre gostei muito de cantar em outras línguas, desde o primeiro álbum do Babado Novo, quando gravei uma versão de Dyer Maker, do Led Zeppelin. Canto em espanhol também e flerto com o italiano, acho que tudo é possível através da música, não tenho uma separação, e, agora, estou fazendo carreira internacional, que é uma expansão. O CD está em fase de produção e está tudo muito bem azeitado. Vamos nessa!”

Os aprendizados e a experiência na Roc Nation
“Neste processo de produção do álbum aprendi que existe hora para tudo e ter uma educação musical é muito importante, coisa que aqui no Brasil nós de fato não temos. Somos jogados na cara do gol, sem ter aprendido nada antes, somos expostos e aprendemos durante essa exposição. Isso é completamente desleal, porque produzimos um material que vai ser eternizado. Tudo bem que é parte da minha história e tenho orgulho dela, mas vamos assistir (a esse material) depois de alguns anos e percebemos que poderíamos ter caprichado mais para ficar bem feito, daquela maneira especial, e eles se preocupam com isso desde o início. O mais importante nessa caminhada é perceber que de fato existe uma indústria. Nós do Brasil somos muito importantes, somos parte dessa indústria, e precisamos aprender a valorizar o que é nosso. Eles me respeitam e me valorizam muito, tudo o que nós fazemos é grandioso, mas se tivéssemos educação, aulas de artes, de música, incentivo ao esporte e cultura de um modo geral no nosso país, poderíamos passar isso além com mais propriedade. É só o que falta para nós. Isso é o que eu mais percebo na minha relação com a Roc Nation.”

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O Carnaval na Mocidade Independente de Padre Miguel
“Nunca imaginei que ia sentir uma emoção tão grande como a de quando desfilei na Sapucaí neste ano pela primeira vez, como rainha de bateria da Mocidade. Fui sambando do início ao fim da Avenida, me doando inteira. Não sabia em que momento a câmera ia me pegar, então eu queria sambar muito e só no final, quando me disseram que já podia relaxar, a câmera me pegou, brincando com os ritmistas. Neste ano, estou mais experiente, já sei exatamente onde ficam os jurados, onde estão as câmeras, onde tem torcida… Me sinto mais preparada, mas o último Carnaval foi uma emoção que não consigo traduzir em palavras, foi tudo perfeito. A maneira como fui recebida pela comunidade me fez Mocidade eternamente. Não consigo dar a assistência à escola que uma rainha de bateria que vive o Carnaval carioca tão de perto consegue, mas as pessoas da escola são muito compreensivas comigo e sabem que represento a comunidade, então é diferente. Tenho dois compromissos com a Mocidade antes do desfile do Carnaval. O amor e compreensão da escola são tão grandes que estou à vontade com isso.”

Carnaval 2016 em Salvador4
“Ainda não posso falar sobre o Carnaval na Bahia, porque estou preparando uma surpresa. Mas Bloco Largadinho, Coco Bambu e eu sambando no Rio de Janeiro como rainha de bateria estão certos!”

A popularidade do The Voice Brasil e os memes criados pelo público
“Acho tudo o máximo (os memes e piadas feitos com o programa). Tudo o que acontece no programa é avassalador e é sensacional essa participação do público. Agora eu não consigo mais participar ao vivo e twittar durante a exibição. Então, eu posto uma foto ou outra no Instagram, mas, no geral, eu curto junto com eles (o público), me divirto o tempo inteiro. Nenhuma piada feita comigo me abala. Amo coisas engraçadas e é importante tirar sarro de si mesmo.”

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