Música & Badalo

“Não fazemos músicas para ganhar likes, mas contribuir com evolução social”, diz Ravi Lobo, do Rap Nova Era

O rap soteropolitano, assim como outros gêneros musicais da Bahia, ganham cada vez mais a aceitação do público sem perder essência combativa e pedagógica

Publicado em 07/09/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Com Fernanda Quevêdo

Um dos principais pilares do hip hop soteropolitano, o grupo Rap Nova Era lançou o terceiro disco. Se nos dois primeiros, o protesto fazia parte das letras, agora as músicas dão espaço a uma arte mais madura, afetiva e todo o trabalho musical em “Renovação”, título do álbum, consagra 10 anos de trajetória permeada pela militância e pela veia artística característica das periferias do país. O grupo formado por Ravi Lobo, Moreno e DJ Kbça, começa a expandir seus horizontes, firmando parcerias como a com a lenda DJ Cia, o DBS Gordão Chefe, e ninguém menos do que a percussionista Yzalú. “Toda a agressividade que tínhamos era uma característica do momento em que começamos a compor e cantar. Agora, queremos mais falar de positividade e ideias que possam contribuir com as pessoas. Optamos por um som mais leve para que possa ser ouvido até mesmo ao acordar”, destaca Ravi, um dos líderes do grupo. “Não estamos nessa onda da ostentação, drogas e mulher. Temos família e entendemos que o sucesso é um processo que precisa ser trabalhado dia após dia. No final das contas, estamos dizendo as mesmas coisas dos dois discos anteriores, só que de outra forma”, completa Ravi. 

Ravi e o grupo de rap Nova Era fazem show em casas de detenção para contribuir com a ressocialização de presos (Foto: Italo Anndre)

De fato, “Renovação” marca um novo momento na carreira do trio, especialmente pela leveza do som. Entre as questões sociais que permeiam Nem Tente Contar com a Sorte” (2009) e “Brutality” (2015)”, a violência policial e o preconceito racial são as temáticas mais fortes.  Agora, em 2019, o disco retrata de forma fiel, todo o esforço na disputa dentro do cenário musical. “Muitos artistas, especialmente do rap, ainda têm a ilusão de ser encontrado por um grande produtor ou viralizar uma música no Youtube. Só que a nossa caminhada nos mostra que não é bem assim. E para que o público se identifique, precisamos retratar a nossa realidade”, defende o rapper.

O projeto musical do grupo já soma 4 videoclipes, sendo que a faixa “Terror e Verdade”, ultrapassou mais de 160k visualizações no Youtube e faz uma conexão entre as ruas de Salvador e os becos do Capão Redondo, em São Paulo. O trabalho promissor conta ainda com  produtores como Gedson Dias, beatmaker que já trabalhou com Racionais Mc’s.

Com os pés no chão, Ravi comemora a celebração do novo álbum e também da carreira como rapper. “Passam-se os anos e a gente continua levando mais alegria e representatividade para as pessoas, sem forçar nada, como tentar fazer música para ganhar curtidas nas redes sociais. Nosso trabalho também é social, uma vez que realizamos ações nas comunidades onde moramos, e buscamos propagar a educação, por meio das letras de rap, assim como aconteceu comigo enquanto estava preso, e como venho me educando por meio da música, em todos este anos”, declarou Ravi ao Site Heloisa Tolipan

Rap Nova Era (Foto: Icaro Luan)

O grupo segue com agenda em todo o país, em grandes festivais de música, Sesc’s entre outros espaços que acolhem a diversidade da música brasileira. Rap Nova Era, assim como outros artistas do rap, também realizam shows em casas de detenção, como uma forma de contribuir com a ressocialização dos presos. 

 

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