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Na Sapucaí de Milton Cunha, Marcelo Crivella cai para o grupo de acesso: “O prefeito mama nas tetas do lucro do Carnaval”

"Eu acho que a cidade encaretou. E isso rebate fatalmente na mais libertina das festas, que é o Carnaval, o desfile da escolas de samba. Mas me estranha mesmo é que o Rio de Janeiro, por ser a capital mundial das escolas de samba, poderia aumentar os investimentos nas agremiações, para ganhar cada vez mais", diz o expert em Carnaval

Publicado em 18/02/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Lucas Rezende

Descendo uma ladeira que parecia não ter mais inclinação, Marcelo Crivella, prefeito do Rio de Janeiro, confirmou o corte de verbas públicas para o Carnaval da cidade. Não bastante, causou a fúria do povo do samba ao dizer que o “Carnaval é um bebê parrudo que precisa ser desmamado e andar com as próprias pernas”. Para o bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, “o Carnaval precisa cada vez menos de recursos da Prefeitura”.

HT então foi logo conversar com Milton Cunha, comentarista de Carnaval da TV Globo e carnavalesco com Beija-Flor de Nilópolis, Unidos da Tijuca e União da Ilha no currículo. Para Milton, a cidade mudou muito com Crivella, uma vez que sua eleição representa a “ascensão de um poder extremamente conservador e religioso”: “E o Rio, com seu passado de vanguarda, de Luz del Fuego (1917-1967), Madame Satã (1990-1976) e Leila Diniz (1945-1972), sempre conversou justamente com o contrário”.

(Fotos: Alex Cunha/Acervo Público)

“Eu acho que a cidade encaretou. E isso rebate fatalmente na mais libertina das festas, que é o Carnaval, o desfile da escolas de samba. Mas me estranha mesmo é que o Rio de Janeiro, por ser a capital mundial das escolas de samba, poderia aumentar os investimentos nas agremiações, para ganhar cada vez mais. E, na contramão, o prefeito fala em desmamar. Mas quem mama no Carnaval, quem lucra muito é a municipalidade. E se as escolas de sambas desmamassem o município, então, transferindo a festa para outra cidade, já que não é bem aceita aqui? Vai, levando o lucro para outro município que queira de fato investir dinheiro no produto cultural escola de samba….”, refletiu.

Comparando, segundo Milton, investimento e lucro, “quem mama é o Crivella, que mama nas testas do lucro do Carnaval”. “E mama, mas não resolve todo o resto: saúde, habitação, violência, e fica jogando a população contra o Carnaval. Ele transformou o Carnaval em algo mais hostil. E, como ele critica, as escolas o colocam como diabo…”.

Histórico

Em novembro último, a Mocidade Independente de Padre Miguel chegou a colocar um cartaz na porta do barracão da escola, na Cidade do Samba, informando que o local ficaria fechado “em virtude da indefinição relativa ao repasse de verbas por parte da prefeitura”.

No mesmo mês, Crivella disse que decisão da Uber de retirar o patrocínio de R$ 500 mil a cada escola de samba do Grupo Especial foi “por razões de gestão, falta de transparência e prisão de seus líderes”.

Só em dezembro, então, com o cancelamento de ensaios técnicos de rua e na Sapucaí, a prefeitura do Rio enfim autorizou o repasse de R$ 1 milhão para cada uma das 13 escolas de samba do Grupo Especial.

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Em coletiva de imprensa no Palácio da Cidade, em Botafogo, o prefeito Marcelo Crivella confirmou que a prefeitura reduziu em 15% o número total de desfiles na cidade. A nível de comparação, em 2018, foram 608 desfiles; em 2019, são 498 aprovados. Concretizou-se ainda a mudança dos megablocos para a Avenida Antônio Carlos, no Centro.

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