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Morando em Los Angeles, Jo Pratta diz que tem vontade de voltar ao Brasil: “Meu coração pulsa no ritmo do meu país”

A cantora e dubladora vem ao Brasil para gravar EP com Mu Chebabi e fala ao site HT sobre carreira e mercado da música internacional

Publicado em 01/08/2019 | Por Heloisa Tolipan

Jo é cantora e dubladora e sua voz pode ser reconhecida em muitas obras brasileiras (Foto: divulgação)

*Por Domênica Soares

Jo Pratta desembarca no Brasil este mês de agosto para gravar dois singles do seu novo EP com Murilo ChebabiBarreiras e The Path of love. O compositor já participa da carreira da cantora há alguns anos em suas produções musicais. Em 2016, a dupla garantiu o prêmio Global Musical Awards e, neste ano, os dois estão juntos mais uma vez. Direto de Los Angeles, ela nos conta: “Eu já era fã do Mu há bastante tempo, da brasilidade gostosa do som que ele faz. Mas desde que ele produziu o meu primeiro EP, “Mystical Ride”, passei a ser fã também do ser humano Mu Chebabi, e nas minhas relações pessoais eu prezo muito essa troca de energia que é criada durante um encontro. “Mystical Ride” foi o meu primeiro trabalho como cantora e compositora e a segurança que ele me passou, entendendo e respeitando o meu processo criativo me deu a paz necessária para seguir em frente. O resultado dessa co-criação musical foi premiado no exterior no Global Music Awards, coroando ainda mais toda a experiência”. 

Em relação ao seu novo EP, ela discorre que essa brasilidade interna de Murilo vai ser elemento essencial em sua produção visto que a essência desse novo disco tem como mote suas próprias questões intrínsecas ao coração, momentos que está vivendo agora desde o lançamento do seu primeiro EP, e além disso, vai abordar também suas andanças e reinvenções pessoais enquanto mulher, artista, co-criadora e brasileira vivendo no exterior. A partir disso, a mistura “Brasil+mundo” surgirá como o fio condutor de todo esse processo. “Como parte das minha composições são em inglês, a sonoridade brasileira sempre foi muito importante dentro do meu processo criativo como compositora, e eu acho que, nos últimos anos, isso foi se tornando cada vez mais importante, porque eu sinto que é como eu me comunico melhor musicalmente, dentro dessa mistura de coração brasileiro e cidadã do mundo que reverbera muito fortemente dentro de mim”.

Em entrevista exclusiva ao site Heloisa Tolipan, Jo comenta sobre as diferenças entre o mercado da música brasileira e o internacional. Ela explica que Los Angeles é um polo da música internacional, mas que o Brasil possui muitos talentos inigualáveis, mesmo com todas as barreiras que o país enfrenta: “Aqui, nos Estados Unidos, também existe muita desarmonia, mas acho que, como tudo no Brasil, o músico já enfrenta uma dificuldade extra que muitos outros países não têm, como a fome, a mortalidade infantil, a corrupção, e isso tudo reflete no mercado artístico, na dificuldade que temos que vai desde equipamentos caros até a dificuldade de lançar um trabalho independente. Com certeza, a internet mudou muito a forma de fazer música, e consequentemente o mercado, que, agora, é bem mais democrático dentro desse âmbito digital”. 

Jo Pratta mora em Los Angeles há quatro anos, mas pretende voltar ao Brasil (Foto: divulgação)

Sobre a ótica do digital, a cantora menciona que a internet e o desenvolvimento de novas formas de consumir a apreciar música realmente mudaram o panorama dessa arte no Brasil e no mundo. Ela analisa que, atualmente, um grande número de artistas desenvolve o seu conteúdo unicamente para a distribuição digital e que o lançamento de um produto físico, como um LP por exemplo, não é mais tão necessário como antes. A cantora diz que os singles possuem uma força enorme graças às plataformas de distribuição digital e destaca que esse fato é de extrema importância para os músicos independentes. “Os artistas independentes conseguem uma abertura que não tinham antes na distribuição das obras também. Tudo isso desconcentrou o poder que antes ficava muito mais nas mãos das gravadoras e trouxe de volta para o artista. É claro que uma gravadora ainda pode ajudar enormemente em qualquer etapa da carreira, mas saber que existe um outro caminho mais independente é muito libertador’. Ela cita que esse avanço foi essencial para sua própria carreira já que faz parte dessa geração de criadores independentes e que usam os formatos digitais como seu principal meio de trocar informações e sentimentos com pessoas de diversos lugares do mundo. “Até quando eu estou dormindo na minha casa, em Los Angeles, pode ter alguém escutando minha música do outro lado do mundo, ou aqui do meu lado, e eu acho essa ideia fascinante, porque essa troca de energia alimenta a minha alma para produzir mais música”. 

Ainda que Jo viva nos Estados Unidos sua voz chega até ao Brasil através de outro meio além da música: a dublagem. Pode-se reconhecer sua voz no desenho animado Kiko, no canal ZooMoo e na novelinha teen “Chica Vampiro”, no Gloob, canal infantil da Globosat, do qual a artista também dirigiu o time de dubladores e adaptou as músicas para o português.

Jo Pratta lança seu novo EP cheio de brasilidade

Apesar de viver nos Estados Unidos há quatro anos, Jo Pratta cita que tem vontade de estar ainda mais presente no Brasil, revelando que possui o desejo de voltar a morar em seu país natal. “O meu coração pulsa no ritmo do Brasil e uma parte fundamental da minha criatividade parte da minha essência de filha da minha amada terra brasilis. No entanto, agora, morar no exterior ainda me permite trabalhar de forma a me sentir mais próxima dos meus sonhos de viver da minha arte, das minhas expressões artísticas”. A atriz, que se define em três palavras – alegria, arte e magia- comenta que suas maiores inspirações são: seu coração, pais, família, ancestrais, o Brasil, entre outros de sua vasta lista. Apaixonada pela carreira, ela descreve que seu principal sonho é ter uma vida confortável, trabalhando como artista e poder ver seus filhos e netos crescendo em um mundo de união. “Eu vejo o poder incrível de transformação que a arte exerce na minha vida e sempre acreditei que quanto mais vidas eu puder transformar através do meu amor pela arte, mais a minha vida própria e minhas experiências farão sentido. Eu acho que esse é o propósito maior, o sonho “não tão utópico” que guia as minhas ambições e me dá o combustível necessário para acreditar que a transformação de um, ajuda a transformar o todo, e isso é muito revolucionário, porque o amor e a arte são revolucionários por natureza”, conclui.

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