Música & Badalo

Mariene de Castro “roda a baiana” no Rival contra o preconceito e a intolerância

Cantora recebe Tia Maria do Jongo em show inédito, nesta sexta e sábado, na tradicional casa de espetáculos do Centro do Rio.

Publicado em 29/03/2019 | Por Heloisa Tolipan

A cantora Mariene de Castro estreia show inédito Roda a Baiana no Teatro Rival (Foto: Mila Cordeiro/ Divulgação)

*Por Rafael Moura

A cantora Mariene de Castro abre curtíssima temporada do show inédito “Roda a baiana”, no Teatro Rival Petrobras, na Cinelândia, com sessões nesta sexta, 29, e sábado, 30. O projeto, que contará com a participação do Grupo Cultural Jongo da Serrinha e terá as bençãos de Tia Maria, é um verdadeiro encontro de gerações e sonoridades. “Misturaremos o samba de roda da Bahia com a roda de samba carioca. É uma reverência à Nação de Angola, que eu conhecia pouco e é muito forte aqui no Rio, assim como a umbanda. Desde que me mudei para cá passei a entender mais e a fazer parte dessas manifestações”, conta Mariene ao Site HT. O nome do projeto é, segundo a intérprete, um trocadilho em torno da roda, da gira, do giro, da vida. “É também um manifesto contra a intolerância religiosa, o racismo, a homofobia e o desrespeito aos direitos humanos”, explica.

“Roda a baiana” nasceu do encontro da artista com o jongo, apresentado ocasionalmente pelos filhos Bento, Pedro, João Francisco e Maria. “Eles trouxeram um CD que nós ouvíamos tanto que se tornou parte do nosso dia a dia. Depois fui visitar a Casa do Jongo da Serrinha, em Madureira, participei de um show do grupo, com mais de 50 anos, e tive a oportunidade de conhecer Tia Maria do Jongo. Um orgulho enorme”, detalha ela, que se converteu em referência da nova geração de sambistas, ao lado de Teresa Cristina e Roberta .

O icônico morro da Serrinha é um dos berços do samba carioca e do jongo, uma das mais antigas comunidades da cidade que ainda preserva a atmosfera da “roça’ com as suas antigas casas e os seus verdes quintais. “Estamos criando de forma orgânica uma conexão que promete elevar a cultura popular desses dois estados tão conhecidos pelo samba e pela revelação de ícones da música brasileira. Tia Ciata, com a sua força, atravessou tantas barreiras trazendo o samba da Bahia para o Rio. Tia Maria do Jongo, resistente, resiliente, imagem viva das pretas velhas e dos pretos velhos que trouxeram da África toda a sua sabedoria. Vou cantar o encontro dessas águas paridas nos navios negreiros em meio à tanta dor. Vou cantar a história desse povo que, chorando, aprendeu a sambar para curar a dor”, diz Mariene.

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Serviço

Mariene de Castro – “Roda a Baiana”

Teatro Rival Petrobras – Rua Álvaro Alvim, 33/37 – Cinelândia – Rio de Janeiro.

www.rivalpetrobras.com.br

Maiores informações: (21) 2240-9796

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