Música & Badalo

Indicados ao GRAMMY de Melhor Álbum de Reggae, os americanos do SOJA vão do dub ao samba e conquistam o público carioca

Banda de Washington D.C. faz uma de suas melhores apresentações na Cidade Maravilhosa e passa a energia positiva de Jah aos cariocas

Publicado em 06/12/2014 | Por Alexandre Schnabl

*Por Yuri Hildebrand

A notícia chegou primeiro no Rio de Janeiro. A Fundição Progresso, tradicionalíssima casa de shows da cidade, recebeu na noite desta sexta-feira (5/11) o grupo americano Soldiers of Jah Army (SOJA) que, em uma apresentação inspirada, fez valer a pena o ingresso e não deixou o público parado uma só vez. Em meio ao balançar natural dos corpos diante da dançante música jamaicana, a banda trouxe aos fãs uma ótima notícia: a indicação para o GRAMMY de Melhor Álbum de Reggae, marcando o auge do sucesso dos americanos no cenário mundial.

Em turnê pelo Brasil – e que turnê! –, o SOJA é quase da casa. Além de ter o país como destino garantido todo ano, a banda chegou a gravar uma versão da música “Everything Changes” com o vocalista d’O Rappa, Falcão. Em São Paulo, o grupo chegou a se apresentar com a presença do brasileiro, coisa que ainda esperamos acontecer em terras cariocas. No show desta noite, ao começar a música em que há tal participação, Jacob Hemphill (vocalista e guitarrista) criou uma certa expectativa no público, que acabou celebrando a faixa mesmo sem a presença de Falcão no palco. Há um ano, as duas bandas já haviam se apresentado (separadamente) no Summer Break Festival, na Cidade Maravilhosa, como HT contou aqui.

 

Vídeo de “Everything Changes”, do SOJA com participação de Falcão

Antes de o show começar, o Reggae tocava ininterruptamente nas caixas de som. Na trilha sonora, de Bob Marley a Pink Floyd – claro, com suas devidas modificações. A casa enchia gradativamente; quando os dreadlocks começaram a surgir no palco, a pista já estava totalmente tomada. A energia do público contagiou os americanos, que logo se soltaram e deram o seu melhor. Mesclando músicas dos dois últimos CDs com antigos sucessos, a banda foi dividindo sua vibe com os presentes, que cantavam todas as letras – ou simplesmente se deixavam levar, dançando e curtindo a essência da reggae music. O SOJA, diferente de outros nomes do estilo, aproveita influências de diversas vertentes, com o teclado sintetizado, as guitarras sujas durante os solos e os instrumentos de sopro, incorporados em 2011 após a passagem da banda por Porto Rico – culminando na entrada de Hellman Escorcia (saxofone) e Rafael Rodriguez (trompete). Portanto, unem-se ao reggae a batida do dub, a energia do rock e a intensidade da música latina, dando ao som do grupo um toque diferenciado.

Em determinados momentos, fica evidente a coletividade da banda. Algumas músicas – em sua maioria de álbuns antigos, como Be Aware”, do álbum Get Wiser” (o terceiro deles, lançado em 2006) – eram protagonizadas pelo baixista, “Bobby Lee” Jefferson, que se mostrava tão bom quanto Jacob Hemphill como frontman do grupo. Além disso, diversas vezes destacavam-se a percussão e a bateria, responsabilidade de Kenneth “Ken” Brownell e Ryan “Bird” Berty, respectivamente. Sem falar nos solos de Trevor Young, com a outra guitarra; e a base da banda, com o teclado de Patrick O’Shea. Ao contrário de outros grupos, o SOJA não segue a tendência de ter um componente em destaque; todos são peças-chave nas composições e apresentações.

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No bis, a música gravada com o brasileiro Falcão, “Everything Changes”, animou o público, que cantou em coro e reverenciou a banda com muitos aplausos – devidamente agradecidos pelo vocalista. A surpresa veio depois, com uma verdadeira bateria de escola de samba, que teve direito até a comando de um dos porto-riquenhos da banda, incorporando o melhor do estilo carioca. A elevada musicalidade do grupo dava um quê a mais ao espetáculo, que terminou com a característica rotatividade de protagonistas, fechando uma noite de muito som e muita energia ao lado dos Arcos da Lapa. Certamente, o show desta sexta foi especial; tanto para eles quanto para o público, que deixou a Fundição Progresso com o sorriso estampado no rosto e a certeza de que voltará a ver os americanos por aqui – provavelmente, premiados pelo GRAMMY, saudando o público que soube primeiro da indicação. O reggae animou os cariocas e ressaltou a mensagem de paz, de irmandade e de solidariedade. Como na música da própria banda; Peace in a time of War é do que todos nós precisamos.

 

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