ID:Rio 25: Vitor Kley lança álbum ‘As Pequenas Grandes Coisas’ e os looks são fruto do upcycling de jeans da família


Em entrevista exclusiva, o músico gaúcho foi mega aplaudido na linda apresentação no palco do evento que faz a sinergia moda, empreendedorismo e música. Agora, com meu álbum novo, “As Pequenas Grandes Coisas”, tenho o figurino todo com jeans upcycling, com reaproveitamento de peças que marcam pequenos grandes momentos da vida. Inclusive, esses jeans são de familiares: da minha mãe; do meu pai; da minha tia-avó e de pessoas que são especiais para mim, simbolizando as pequenas grandes coisas”

Vitor Kley é uma das atrações do festival ID:Rio 2025 (Foto: Murilo Amancio)

Festival ID: Rio 25 chega na Praia de Icaraí com desfiles, shows e palestras em Niterói

*por Luísa Giraldo

No Festival ID:RIO 25, Vitor Kley fez bonito no palco do evento na Praia de Icaraí, em Niterói, e lançou seu projeto mais ousado: “As Pequenas Grandes Coisas”. Após “O Sol”, hit que marcou sua estreia na indústria fonográfica em 2018, o disco reúne 11 canções repletas de sentimentos reprimidos, mensagens sobre a esperança e impressões pessoais sobre o mundo. É a primeira vez, em sete anos, que ele se entrega a um projeto tão íntimo, sobretudo depois de ter sentido a dor da morte do pai, o tenista Ivan Kley (1958-2025). Os fãs esperavam ansiosos pelas novas músicas do cantor e, com certeza, se surpreenderam com a maturidade musical.

O cantor e compositor foi convidado pela segunda vez para subir ao palco do Festival ID:Rio, que foi criado em 2021. A iniciativa reforça o vínculo com a economia criativa e empreendedorismo da moda autoral, em conexão com sustentabilidade e economia circular dos polos de moda do estado do Rio de Janeiro. A ideia é promover o desenvolvimento das cidades por meio de uma economia mais inteligente, com especial atenção ao microempreendedorismo. O evento multiplataforma propõe uma sinergia entre moda, capacitação, empreendedorismo, feira de design, jornada de conhecimento, gastronomia e música.

O músico gaúcho Vitor Kley também lança um olhar para a moda como ferramenta de comunicação: “Vejo uma conexão total entre moda e música. Agora, com meu álbum novo, “As Pequenas Grandes Coisas”, tenho o figurino todo com jeans upcycling, com reaproveitamento de peças que marcam pequenos grandes momentos da vida. Inclusive, esses jeans são de familiares: da minha mãe; do meu pai; da minha tia-avó e de pessoas que são especiais para mim, simbolizando as pequenas grandes coisas”.

Apresentado pela Enel Distribuição Rio e pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, o festival, comandado com maestria por Cláudio Silveira, faz também da música uma grande energia em conexão com a moda, capacitação e empreendedorismo no evento que já se torna um marco para o Estado do Rio de Janeiro.

Esse álbum é um marco na minha vida. Tenho muita certeza de tudo que foi feito, de cada pessoa que está ali, cada arranjo e cada acorde. Tive que ter coragem em muitas decisões, encerrar ciclos, sair de gravadora e seguir de forma independente — Vitor Kley.

Emocionado com a potência do trabalho, ele pontua a importância de olhar para as chamadas “pequenas coisas”, experiência facilitada pelo disco: “Fico muito feliz com tudo que está acontecendo com ‘As Pequenas Grandes Coisas’ porque vejo um céu azul se abrir mesmo. Vejo que as pessoas que ouvirem esse álbum vão olhar para os pequenos gestos e os pequenos ‘porquês’ da vida, que formam depois da união de todos eles, um grande motivo, um grande sentido da vida”.

Vitor Kley no palco do ID:RIO 25, na Praia de Icaraí (Foto: Divulgação)

Vitor Kley all jeans no palco do ID:RIO 25, na Praia de Icaraí (Foto: Divulgação)

Ivan Kley teve um papel de destaque no tênis brasileiro. Durante a década de 1980, o pai de Vitor Kley participou de torneios como Roland Garros, Wimbledon e US Open, chegando à 81ª colocação no ranking da ATP (Associação de Tenistas Profissionais).

“Meu herói de olhos azuis agora é de fato o maior farol. Pai, tu se tornou infinito! Ainda tinha 2 coisas que eu queria ter feito contigo… uma delas eu sei que tu vai ouvir de onde estiver, vai por mim. Enfim, agora tu tá com a mente e o coração em paz. Descansa tranquilo e na boa que a gente vai te honrar por aqui. Te amo, doutor, cachorrão. Já te sinto mais forte e presente. Vamos por mais!”, desabafou Vitor nas redes sociais.

Porém o trabalho não é movido apenas pela dor. Kley relembra ter encaixado elementos diversos que o tocaram positivamente em “As Pequenas Grandes Coisas”: Portugal, Porto Alegre e o Rio de Janeiro, lugares que o receberam “muito bem”, além de acordes, vocais e notas especiais. Com esse projeto, o cantor e seu empresário, Bruno Kley, arriscaram-se em uma iniciativa empreendedora, já que é um disco independente. Os irmãos desfizeram os vínculos com as “grandes gravadoras”.

Entendemos o sentido da vida e chegamos no nosso álbum — Vitor Kley.

Arte está em todos lugares

Na contemporaneidade, a criatividade se desdobra em telas, ritmos e sensações. Moda e música sempre foram expressões potentes que se inspiram mutuamente e se amplificam por meio de experiências, que alcançam públicos diversos e ao redor do mundo.

Juntas as duas formas de fazer arte podem carregar mensagens políticas, crenças e transmitir visões de mundo. Ao longo da história, artistas como Madonna, David Bowie (1947-2016) e Lady Gaga usaram o estilo para reforçar discursos e posicionamentos. Atualmente, essa troca se reflete em passarelas, videoclipes e capas de álbuns – nos desfiles, em especial, estilistas usam músicas para dar o tom emocional e cultural da coleção e, até mesmo, inspiram-se em gêneros musicais ou artistas para criar as roupas. Além dessa conexão, colaborações entre músicos e grandes marcas de moda vêm se tornando cada vez mais comuns, transformando cantores em verdadeiros ícones fashion.

Vitor Kley revela curiosidade sobre o novo álbum, que será lançado daqui a algumas semanas (Foto: Murilo Amancio)

Vitor Kley: “Na turnê do álbum novo, ‘As Pequenas Grandes Coisas’, temos o figurino todo com jeans upcycling” (Foto: Murilo Amâncio)

Inspirado pela potência criativa da moda e do empreendedorismo, Kley pontua a importância da escolha do tecido para os novos trabalhos.

O jeans é pelo fato do azul ser a nossa nova cor, além da continuação do arco-íris, que sai do roxo e entra no azul. A moda tem total conexão com o álbum e com a música. Acredito que a música traz algo visual, já que você imagina. Esse cuidado de como vamos nos vestir e como vamos nos colocar é muito bonito. A moda e a música andam de mão dada. São artes — Vitor Kley.

Desafios do início da carreira

Artista independente, Victor Kley se alinha com os valores empreendedores do ID Rio Festival 25. Ele relembra obstáculos e dificuldades do início da trajetória profissional – geralmente, empreendedores e microempreendedores enfrentam diversos desafios quando integram o mercado. Para vencê-los, o cantor reconhece a importância da família no processo de desenvolvimento e autodescoberta profissional.“É muito importante ter pessoas que nos amplifiquem, ou seja, pessoas do bem, que nos coloquem para frente. No caso, a minha família me incentivou muito desde pequeno. Tenho a nítida impressão que isso foi um grande privilégio. Vejo, hoje, que faz muita diferença ter começado a estudar música cedo”.

Assim que possível, a gente precisa parar de se sabotar. E começar a estudar e tocar nos festivais de música da escola, depois no Teatro Municipal da cidade e em bar. É muito legal para ir se soltando e ganhando confiança. Cria segurança também – Vitor Kley.

Kley descreve ser grato pelas conquistas como músico, sobretudo “As Pequenas Grandes Coisas”. Ele comemora a possibilidade de fazer música à sua maneira, livre de pressões externas. “A vida tem esses desafios para nos testar. A gente deve ter consciência que é assim para viver uma vida que a gente deseja, principalmente no ramo da música. São muitos desafios, muitos “nãos” que a gente não pode abaixar a cabeça, tem que voltar para casa com as críticas construtivas, evoluir e seguir em frente. É seguir a voz do coração. Fazer a arte do seu jeito, que é o diferencial: ter o seu próprio trabalho e as suas letras. E, obviamente, ser uma pessoa correta, do bem e profissional”.

O artista tem uma postura low profile” nas redes sociais, isto é, compartilha apenas o que julga ser necessário — movimento que contraria a lógica das pessoas “cronicamente online“, meme bolado pela geração Z para descrever alguém que é viciado em postar. Segundo Vitor, o mercado da música caminha para um modus operandi que valoriza a rapidez e a produtividade excessiva. “O mercado está mudando muito com o passar do tempo. Está muito veloz, com a pressa e a necessidade de ter algo logo. Mas converso de outra forma com o meu público. Quero que escutem as minhas músicas várias vezes para entender, para imaginar as histórias e viver as experiências”.

Ele revela como lida com a pressão para novos lançamentos por parte da indústria fonográfica: “Sou totalmente diferente [da lógica de lançar novas músicas a cada semana para bombar nos streamings]. Lancei o último álbum há quase cinco anos. Até lancei uns singles. Mas não tenho essa cobrança toda semana ou a todo mês. A arte vem ao natural e nós precisamos estar sempre incentivando e instigando que essa arte venha”.

Precisamos tomar cuidado. É impossível escrever uma música nova, que venha do coração, a cada semana. Pretendo que todas as minhas canções venham do coração e que façam sentido, então não consigo lançar de semana em semana – Vitor Kley

Vitor descreve acreditar que “tudo tem o seu tempo”, inclusive a criação musical. O sucesso “O Sol” veio à tona em 2016, em um momento de pausa. O lançamento, descrito por ele como “quase despretensioso”, invadiu rapidamente todas as rádios e baladas. “Vai acontecer quando for para acontecer. Não existe uma fórmula, mas pode haver estratégia e planejamento, que são fundamentais. Quando a parada é do coração é que bomba”, aconselha.

Felizmente, os admiradores sintonizam com essa forma de fazer música e respeitam o processo criativo de Kley. O artista opina, por outro lado, como fazer para fidelizar seu público, outro conceito essencial para o empreendedorismo: “Conversar francamente com o público e contar a sua vida do jeito que ela é. Tenho uma ideia de viver a vida no hoje, nas pequenas coisas e ações. A vida é aqui. O celular é uma ferramenta. Não podemos inverter a ordem. Sempre faço as coisas pensando nas pessoas que amo e são o meu combustível. São as pessoas que querem me ouvir de peito aberto”, sugere ele, orgulhoso da postura de distanciamento das redes sociais.

Sinto que as minhas canções e a minha maneira de levar a vida são uma forma de inspirar eles também. Tenho total consciência dessa responsabilidade e amo isso. Amo estar com eles da forma como eles são e da forma como eu sou, da maneira mais fiel – Vitor Kley.

Relação com os fãs

Vitor Kley colhe os louros pela entrega íntima aos fãs, cujo ápice está em “As Pequenas Grandes Coisas”. “Tenho muito prazer em viver. Amo a vida. Amo essa vida. Tenho o privilégio de viver essa vida. Procuro me conectar com as pessoas que me fazem bem. Não me conecto pelas pessoas por coisas fúteis, como números, mas pelo tamanho da grandeza na alma”, reconhece.

O artista pontua, então, que esse olhar o inspira nos sentidos profissional e pessoal, além de levá-lo a manter fé na vida e positividade. Ele estabelece uma conexão entre os seus fãs e a sua energia. É um aprendizado mútuo, de acordo com o cantor.

“Obviamente, essa troca transparece no meu trabalho, nas canções, na maneira que me visto, que falo e me olho para o mundo. Pretendo inspirar novas pessoas a terem esse olhar para a vida. A gente está aqui, com a arte, para poder fazer com que eles tenham essa inspiração. É uma música além da música, como uma filosofia de vida”.

Ícones da música brasileira

Grande parte dos fãs de Vitor Kley pertencem à Geração Z – em 2016, no lançamento de “O Sol”, muitos aproveitavam a época da adolescência. O cantor gaúcho revela quais bandas e músicas brasileiras acha que serão eternizadas pelo seu público.

Prestes a lançar o álbum 'Pequenas Grandes Coisas', Vitor Kley revela estar trabalhando agora como artista independente (Foto: Murilo Amancio)

Prestes a lançar o álbum ‘Pequenas Grandes Coisas’, Vitor Kley revela estar trabalhando agora como artista independente (Foto: Murilo Amancio)

“Tem muita banda boa e muitas músicas vão ficar. Terno Rei, que estava ouvindo esses dias, o próprio O Terno, Anavitória, Lagum, Gilson’s, Os Garotin, JP, Gabriel Elias. É tanta gente fazendo música boa”.

É só dar uma vasculhada, hoje, nas plataformas digitais e parar para dar atenção nessas músicas bonitas, que vão ficar para sempre. Espero que as minhas músicas também sejam assim. A minha missão é essa – Vitor Kley.

Ele finaliza a entrevista ao afirmar que “fazer músicas que ficam para sempre leva tempo, estudo e amadurecimento”. A lógica de lançamentos desenfreados interrompe o processo e impacta na qualidade da entrega, é claro.

O ID:Rio 2025 é apresentado pela Enel com patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. O Festival conta com o apoio da Secretaria Municipal da Mulher de Niterói e do Clube Central de Icaraí, com realização da Equipe de Produção.