
*Com Luísa Giraldo
MANEVA, no dialeto suaíle – dos povos africanos com raízes no centro e sul da África, que compartilham uma família de línguas e uma cultura rica – significa “prazer”. E este prazer esteve em total conexão entre os integrantes da banda de reggae e o público que vibrou durante o show gratuito realizado na Praia de Icaraí, em Niterói, como parte integrante do Festival ID:RIO 25, multiplataforma que impulsiona a identidade/energia criativa da moda e empreendedorismo do estado do Rio de Janeiro em sinergia com a música e gastronomia.
Um desfile conta com uma trilha sonora e as modelos apresentam as novas coleções dos designers em conexão com a batida da música. São múltiplas as sensações. Os festivais de música proporcionam inspirações para os looks usados pelo público. Moda é atitude e os universos criativos são traduzidos em estilo de vida.
Compreender a potência do microempreendedorismo de moda no estado do Rio de Janeiro, exige uma atenção a uma cadeia produtiva em constante transformação. Em consonância, o evento, cujo tema desta edição “Empreender é nossa praia”, viabiliza que os holofotes sejam direcionados para todos os talentos da força criativa que move o estado. Mesclando saberes ancestrais, o handmade e inovação, ele valoriza a autoralidade de estilistas, artesãos e pequenos produtores na construção de uma moda autoral, resiliente e conectada com o futuro.

O Festival ID:RIO foi palco para a comemoração dos 20 anos de carreira do Maneva (Foto: Divulgação)
Conversamos com exclusividade com os integrantes do Maneva. Tales de Polli (voz), Felipe Sousa (guitarra), Fernando Gato (baixo), Diego Andrade (percussão) e Fabinho Araújo (bateria) compõem a banda com duas décadas de estrada e que nasceu de um sonho de cinco amigos que queriam viver da música autoral. “A sensação de felicidade, liberdade e bem-estar é sentida pelo público a cada show realizado, a cada álbum ou single lançados. Fãs que não economizam no coro, endossam a ideia de que o que nasce como verdade no coração do homem irá florescer”. Esta é a filosofia que permeia cada experiência vivida pelo grupo. Maneva é uma referência. São 15 álbuns gravados, entre produções de estúdio e ao vivo; 1 bilhão de streams e quase dois milhões de inscritos no canal no Youtube.
“(…) Que cheiro de flor/Que tem meu amor/Pressentimento de prazer/Corpo de deusa/Vestido de seda/Te acendo, pra me acender (…)”, diz o trecho da música “Vestido de Seda”. Perguntamos aos músicos como avaliam a importância da moda e do estilo para a música.
Com a palavra, o vocalista Tales de Polli:
A moda e a música andam juntas. Acredito que elas se misturam, mas que independem uma da outra. Podem seguir rumos completamente diferentes. Quando é possível somar essas duas artes, de uma maneira elegante e leve, funciona bem demais. Apesar de serem distintas, juntas são invencíveis. Quem resiste a uma boa música com um bom estilo?

Banda Maneva comemora 20 anos de estrada (Foto: Paulo Grotto)
O baixista Fernando Gato ressalta que “a música também é muito ligada ao lifestyle”, já que o papo transcende a noção dos figurinos no palco. Isto é, moda é identidade e forma de representação das canções. “A pessoa pode usar um tipo de roupa no palco e, no dia a dia, optar por outra completamente diferente e vice-versa. O conjunto moda e música tem total conexão. Não há como ser uma coisa só”, avalia.
A banda Maneva celebra 20 anos em 2025. Como parte da comemoração, os integrantes apresentam a turnê “Maneva 20 Anos, Origem”, cujo objetivo é explorar a trajetória de duas décadas, revisitar canções e projetos e, é claro, refletir sobre a “origem” do grupo. A apresentação em Niterói, como parte integrante do ID:RIO, é uma prévia do que vem por aí de Norte a Sul.
Para o ID:RIO 25, o Maneva preparou um repertório especial que revisita os grandes momentos da trajetória, com sucessos como “Saudades do Tempo”, “Pisando Descalço”, “Seja Para Mim” e “Lágrimas de Alegria”.

Maneva dá o start à turnê “20 anos Origem” (Foto: Divulgação)

Maneva dá o start à turnê “20 anos Origem” (Foto: Divulgação)
Desde a primeira edição, em 2021, o Festival ID:RIO valoriza a presença de microempreendedores, gente com garra e com vontade de fazer o diferencial. O objetivo do evento é incentivar os talentos dos mundos da moda, música e gastronomia. Cientes dos desafios, Tales De Polli reflete sobre o início da carreira. “É necessário entender onde está pisando, entender o seu mercado, aonde deseja chegar e, é claro, entender o seu estilo. Depois, vem a fase da persistência, de ‘cair para dentro”, pontua.
O vocalista reconhece que, “mudaria o começo da carreira do Maneva para não ter tantas entraves”. O segredo é, então, pesquisar, aprofundar os conhecimentos e, aí sim, investir. Hoje, a banda é uma das mais conhecidas do gênero musical no Brasil. Maneva é bastante ativo nas plataformas digitais, onde fortalece mais ainda os laços com o público, que também comemora o aniversário de duas décadas do grupo.
Tales reforça que a pressão das redes e do streaming não os levam a compor músicas. “O Maneva é sempre uma banda muito de álbum. É legal haver uma tendência de mercado para termos um norte, mas nem todas as normas da indústria servem para a gente e para o nosso trabalho”, analisa.
No momento que há uma cobrança demasiada ou uma inverdade para o seu negócio ou projeto profissional, deve ser usada a cautela. Não adianta lançar uma música por semana se não é do perfil do nosso público consumir uma música assim – Tales De Polli.
O cantor enfatiza a importância “de compreender a visão macro e entender se serve ou não para você”. Ele pondera que, para a indústria funcionar com tanta velocidade, agentes culturais propuseram essa mudança. Embora a correnteza seja forte, é válido se manter fiel ao seu trabalho. “A tendência é achar o seu espaço e fazer as coisas do seu jeito de uma maneira que faça sentido. Também para ter esse boom [sucesso], para mudar o seu patamar e, até mesmo, o mercado. Nada é impossível”.
Ídolos da Geração Z
Porta-voz da banda Maneva, Tales De Polli avalia a possibilidade de artistas da Geração Z se consagrarem “eternos”, tal qual Gal Costa (1945-2022), Rita Lee (1947-2023), João Gilberto (1931-2019), Belchior (1946-2017), Sérgio Mendes (1941-2024) e Elza Soares (1930-2022). “A percepção que tenho é que poucos artistas ficarão para a Geração Z. Do que está rolando por aí, poucos vão ficar. Até porque, na nossa geração, não tiveram muitos também”.
Para exemplificar, ele relembra de uma experiência especial que viveu: assistir a um show da turnê “Tempo Rei”, de Gilberto Gil. “A nostalgia está no ar. Fui ao show do Gilberto Gil e vi um público de 25 a 45 anos. Se for olhar para os 80 anos de Gil, ainda são músicas novas e que circulam. O eterno será eterno para sempre”, finaliza.
O ID:Rio 2025 é apresentado pela Enel com patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. O Festival conta com o apoio da Secretaria Municipal da Mulher de Niterói e do Clube Central de Icaraí, com realização da Equipe de Produção.
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