Música & Badalo

“Hoje temos um acúmulo de novidades que nenhuma mente consegue acompanhar”, dispara Eramos Carlos

Com mais de 600 músicas em seu repertório, o Tremendão estreia 'Quem Foi Que Disse Que Eu Não Faço Samba?', um projeto de samba-rock que é o nome do novo EP do cantor com faixas inéditas e regravações de sua própria autoria dia 16, no Teatro Riachuelo. Sobre a corrida hoje em lançar singles nas plataformas e um mundo high tech, ele afirma: "Eu me tornei um escravo da rede social. Eu gosto muito dessas ferramentas e tenho uma equipe que me ajuda bastante. Ninguém hoje em dia consegue viver sem internet. Alguns ainda resistem, mas não tem volta. É preciso se adaptar"

Publicado em 15/11/2019 | Por Heloisa Tolipan

Eramos Carlos (Foto: Guto Costa)

*Por Rafael Moura

Com 620 músicas em seu repertório, Eramos Carlos pode ser considerado um dos maiores compositores da música brasileira. E ‘com a força do meu canto’ o cantor estreia uma turnê e um lança um EP focada no samba. ‘Quem Foi Que Disse Que Eu Não Faço Samba?‘ tem start amanhã, dia 16, no Teatro Riachuelo, no Rio, e dia 22 desembarca em São Paulo, no Blue Note. Com uma carreira dedicada ao rock, MPB e à Jovem Guarda, o Tremendão demonstra todo o seu amor pelo ritmo, que faz parte da identidade brasileira, em um novo projeto autoral com oito faixas, entre inéditas e regravações de sua própria autoria. “Esse novo trabalho surgiu de um sonho antigo de compartilhar com o público o meu lado sambista. Minhas influências são o rock’n roll e o samba, que vieram mais ou menos na mesma época. Sou músico e compositor, sempre fiz sambas, mas as pessoas nunca prestaram atenção nisso. Fiquei muito feliz com o resultado desse projeto com a Som Livre e espero que o público curta muito”, comemora.

Erasmo vai mostrar a verve compositor de samba (Foto: Guto Costa)

O cantor aos 78 anos e mais de 50 de carreira revela que poucas pessoas conhecem esse Eramos amante do samba. “Apesar de muitas composições, eu só fiz sucesso com ‘Cachaça Mecânica‘ e ‘Coqueiro Verde’. Quando eu comecei minha carreira, em 1958, tinham dois ritmos que faziam muito sucesso no Brasil: o rock and roll e a Bossa Nova, que eu não tinha acesso, porque era uma turma elitizada, da Zona Zul, e eu era da Zona Norte. Sempre caminhei com o samba, na Tijuca (bairro onde nasceu), e participava de bloco de carnaval no qual eu tocava surdo. Então, eu vou mostrar o meu samba, o samba do Erasmo, um samba rock”.

Um dia antes da estreia, hoje, dia 15 de novembro, sai a primeira faixa inédita, ‘A História Da Morena Nua Que Abalou As Estruturas Do Esplendor Do Carnaval’ em todas as plataformas digitais. “Eu me tornei um fã dessas plataformas digitais e acredito muito na força delas. Não sabemos direito para onde elas vão. A única verdade é que elas existem e precisamos ter uma boa relação e interação”, ressalta. Erasmo conta que adora fazer canções bem-humoradas por isso traz a regravação de ‘Moço’. “Foi uma música que tocou bastante e foi sucesso na novela ‘O Bofe’ (1972), cantada na voz do Betinho e eu quis regravar”. Além dessa, o EP traz ainda ‘Sem Anjo na Multidão’, ‘Samba Rock’, ‘Maria e o Samba’, ‘Samba da Preguiça’, ‘Medley de Samba’ e ‘Mané João’. O setlist, do show, se completa com os sucessos ‘É Preciso Saber Viver’, ‘Festa de Arromba’ e ‘Mulher’.

Confira abaixo a nossa conversa com o mestre do rock and roll que se aventura no samba:

Heloisa Tolipan: O que acha da fluidez das músicas atualmente que são lançadas em plataformas e, por vezes, esquecidas rapidamente?

Erasmo Carlos: São sucesso muito momentâneos, músicas de consumo rápido. As plataformas facilitaram o processo de lançamento. Antigamente, tínhamos um caminho mais longo e duradouro. Hoje em dia acontece um acúmulo de novidades que nenhuma mente consegue acompanhar. É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.

HT: Aderiu a essa corrida de lançar singles em plataforma?

EC: Eu danço conforme a música, seguindo as regras que existem. O sistema é quem manda. Eu contribuo com a minha parte, que é fazer boas músicas. Ninguém sabe para onde ir e como ir, aos poucos estamos encontrando o nosso caminho. Eu me tornei um escravo da rede social. Eu gosto muito dessas ferramentas e tenho uma equipe que me ajuda bastante. Ninguém hoje em dia consegue viver sem internet. Alguns ainda resistem, mas não tem volta. É preciso se adaptar.

HT: Como avalia o motivo de suas músicas serem inesquecíveis?

EC: Eu acredito que é porque as minhas letras falam de amor. Esse sentimento existe, é o mais puro, e sempre existirá. Ele se renova todo dia e alguns já tiveram, outros estão tendo e muito ainda terão. Ninguém escapa do amor. Esse é um dos segredos da minha sobrevivência como pessoa e como cantor.

HT: Como avalia o cenário da música brasileira hoje no exterior? Anitta o representa?

EC: A música brasileira é uma das mais complexas do mundo. Ela tem muitos ritmos e muitas referências. Estamos exportando o funk e a música pop para o mundo todo, que é uma tendências muita forte atualmente. Eu não participo, apenas vejo e acompanho. Anitta tem o seu mérito como empresária e como cantora.

HT: A ditadura do que toca nas rádios ainda é uma realidade?

EC: Não diria uma ditadura, mas acredito na força das rádios, acredito mesmo. Muitas vezes eu acabo discutindo com as pessoas sobre essa importância. O rádio ainda é o meio imbatível de divulgação. É que vai fazer sua música conquistar o grande público, mesmo com todo o poder da internet.

HT: Quem são seus ídolos de ontem e os de hoje?

EC: Meu ídolos estão todos mortos: Elvis Presley, João Gilberto, Tom Jobim, Charles Chaplin, Walt Disney, Salvador Dali… Vivos eu tenho pessoas que admiro.

HT:  Como é sobreviver de música tanto tempo em um país como o Brasil?

EC: É uma dádiva, apesar de todas as dificuldades. O mercado ganhou mais espaço por conta das plataformas digitais, o que possibilita o surgimento de novos nomes. Mas, ao mesmo tempo, temos um mercado com pouco investimento, como na cultura brasileira em geral.

Eramos Carlos lança um projeto inédito de samba-rock (Foto: Guto Gosta)

HT: A febre dos clipes. Acha hoje extremamente essencial aliar o audiovisual com a música?

EC: É uma tendência. Se o mercado e o público pedem você precisa satisfazer. Não pode ficar de fora, se não ‘morre na praia’. Todos estão apresentando suas novidades, e eu estou aqui. As ideias vão se transformando. O meu trabalho é surpreender ao público com propostas que ninguém espera, que ninguém sonha, como é o caso desse projeto de samba-rock.

HT: Qual o seu maior sonho de vida a ser realizado?

EC: Sonho é uma palavra muito forte, muito profunda, eu tenho desejos, um deles era gravar esse projeto de sambas. Eu estou satisfeito com tudo o que conquistei com o meu trabalho. Não peço mais nada a Deus, eu já tenho tudo e muitos mais.

HT: Como é o Erasmo na vida pessoal hoje. O que ele almeja?

EC: É um pai dedicado cheio de energia e vida. Confesso que tenho vontade de ter mais um filho com a Fernanda (Passos, sua atual mulher. O cantor é pai de Alexandre Pessoal, Alexandre Esteves e Gil Eduardo).

Serviço:

Data: 16 de novembro, às 20h
Tipo de Evento: Show
Classificação: 16 anos
Duração: 90 minutos

São muitas composições que Erasmo Carlos fez ao longo de sua carreira, muitos ritmos, grandes sucessos e lindas canções. Nesse vasto repertório de mais de 620 músicas em parceria, vários sambas surgiram e foram interpretados em outras vozes. Agora, Erasmo Carlos o artista inquieto, regrava esses sambas que estavam guardados, circulando pelo Brasil com um novo projeto que promete mais emoção e alegria para o público.

 Preços: Plateia VIP – R$ 110,00  (inteira) R$ 55,00 (meia) / Plateia – R$ 90,00 (inteira)  R$ 45,00 (meia) / Balcão Nobre – R$ 80,00 (inteira) R$ 40,00 (meia) / Balcão – R$ 50,00 (inteira) R$ 25,00 (meia)

 Teatro Riachuelo: Rua do Passeio, 38/40, Centro, Rio de Janeiro

Tels:99566-7469 / 3554- 2934

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