Gretchen celebra ‘Freak Le Boom Boom’ (1979) viralizar este mês na web e prepara revival de outro hit dos anos 80


Um vídeo antigo de Gretchen no Programa “Gugu” voltou a circular nas redes e impulsionou o resgate de “Freak Le Boom Boom”, hoje cotada como forte candidata a hit do carnaval 2026. A música, lançada em 1979, registrou crescimento de 10% no Spotify em menos de uma semana, saltando de 900 mil para 990 mil streams. O fenômeno da explosão renovada, amplificada por públicos que sequer eram nascidos quando a música chegou ao rádio, também reativou vídeos da cantora em programas como Planeta Xuxa e Domingo Legal. Embalada pela redescoberta, Gretchen planeja revisitar seus sucessos dos anos 1980. Entre eles, está o relançamento de “Tcha Tcha Tcha Boom Boom”, em nova versão

Gretchen comenta sucesso de Freak Le Boom Boom na internet e anuncia relançamento de outro hit dos anos 80 no verão (Reprodução/Pablo Roniere)

*por Vítor Antunes

Ela é imparável — e talvez seja justamente esse o traço mais constante de sua carreira. Desde o início de dezembro, um vídeo antigo de Gretchen, extraído de uma participação no programa do Gugu (1959-2019), viralizou na web com uma de suas músicas mais conhecidas e lançada em 1979. Circulando com a força na internet, atravessando gerações, timelines e algoritmos, o efeito foi imediato: o hit ressurgiu e já é forte candidato a se tornar a música do Verão 2026. Estamos falando de “Freak Le Boom Boom“.

No dia 22 de dezembro, “Freak” contabilizava cerca de 900 mil ouvintes no Spotify. Menos de uma semana depois, na última consulta realizada pelo site Heloisa Tolipan, no dia 29, o número já havia saltado para 990 mil streams — um crescimento de 10%. O dado, isolado, poderia parecer apenas mais um pico estatístico. Mas ele ganha densidade quando observado ao lado de outro fenômeno simultâneo: a reativação de vídeos antigos de Gretchen em programas de auditório, como “Planeta Xuxa” e “Domingo Legal”, que voltaram a circular com vigor nas redes.

O curioso é que esse novo fôlego não nasce de uma estratégia formal de mercado, mas de um mecanismo espontâneo de memória coletiva, mediado pelas redes. Gretchen observa com surpresa o retorno de “Freak Le Boom Boom”, faixa lançada em 1979, que nunca deixou o circuito de seus shows, mas que agora experimenta uma explosão renovada, amplificada por públicos que sequer eram nascidos quando a música chegou ao rádio. “Me surpreende, sim, porque apesar de ser uma música que eu sempre cantei nos meus shows, o ‘Conga Conga Conga’ sempre era a preferida”, diz a cantora.

Capa do primeiro disco de Gretchen, “Freak Le Boom Boom” (Foto: Reprodução)

O movimento não parou aí. Embalada pela redescoberta digital, outra canção do seu repertório — igualmente antiga, de 1980 — deve ganhar uma nova versão. A própria Gretchen antecipa o plano, já orientado por uma escolha clara: revisitar o auge dos anos 1980, período em que construiu sua imagem pública como sinônimo de presença, dança e simpatia. Ainda estou pensando em lançamento [para 2026], e devo dar preferência para os hits mesmo dos anos 80. Devo fazer um remix de ‘Chá Chá Chá Boom Boom’, que estão pedindo”, revela 

Eu fico muito feliz e amando tudo isso. “Freak Le Boom Boom” já está no nosso repertório de carnaval – Gretchen

Gretchen deve relançar "Cha Cha Cha Boom Boom" , em 2026 (Reprodução/Pablo Roniere)

Gretchen comenta sucesso de Freak Le Boom Boom na internet e anuncia relançamento de outro hit dos anos 80 no verão (Reprodução/Pablo Roniere)

A redescoberta de “Freak” também vem no rastro de um resgate: o de uma participação do Programa “Gugu”, na Record, onde Gretchen dizia tornar disponível para a atriz Viviane Araújo, que recém havia saído vitoriosa de “A Fazenda“, as suas próprias músicas, como se Viviane fosse a sua herdeira musical. Entre as canções, cujas bases estariam prontas, a sequência de canções que também virou meme nas redes: “Freak le boom boom’, ‘Conga Conga’, ‘Piripipi’, ‘Tcha Tcha Tcha bumbum’”.

Há algo de sintomático nesse retorno seletivo: a internet não apenas revive, mas reordena o passado, criando releituras dentro da própria obra de um artista. No caso de Gretchen, essa reordenação reafirma uma trajetória marcada pela capacidade rara de atravessar décadas sem pedir licença ao tempo — ora como ícone pop, ora como meme, ora como lembrança afetiva, ora como hit de pista. O que muda não é a música, mas o contexto. E, nele, Gretchen segue exatamente onde sempre esteve: no centro do barulho.