Música & Badalo

Geraldo Azevedo fala da “problemática sertaneja” e conta para quem daria carona no táxi-lunar: “Para corruptos e daria só ​a de ida​”

Nessa entrevista exclusiva ao HT antes de cantar no Teatro Rival e no Circo Voador, o nordestino fez um balanço da carreira: “O que é feito com verdade, qualidade e amor tem grandes chances de acontecer e se estabelecer. Acho que foi o meu caso, modéstia a parte. O boca a boca foi a minha divulgação"

Publicado em 28/01/2016 | Por Lucas Rezende

Assim que soubemos que o mais porreta dos cabras de Petrolina, no interior de Pernambuco, cantaria no Rio de Janeiro seus maiores sucessos (e aqui a lista é extensa: “Dona da Minha Cabeça”, “Sabor Colorido”, “Moça bonita”, “Táxi Lunar” e por aí vai) no Teatro Rival, no Centro da cidade, e no Circo Voador, no dia 30 deste mês; tratamos de puxar uma prosa ligeira, daquelas vapt vupt. Geraldo Azevedo, um dos maiores expoentes – se não “o” – da música nordestina para o restante dos circuitos culturais, vai, na companhia de seu violão, entoar quatro décadas de composições –  incluindo as de seu último álbum “Salve São Francisco”.

(Fotos: Márcia Moreira)

(Fotos: Márcia Moreira)

E começamos, já no ritmo quente, querendo saber de política, já que ele conhece muito bem a região nordestina que, historicamente, é grande receptora de programas como o Bolsa Família, uma das principais bandeiras do governo petista. A análise de Geraldo? “Independente de posição política, o povo nordestino precisa de atenção. Não podemos negar que os programas atuais tiraram muitas famílias da miséria. Talvez não seja o ideal, mas já demonstra uma mudança, um novo olhar à problemática sertaneja”.

Para ele, “existem muito​s​ problemas a serem resolvidos”. Ah, e não se limita à região, bom citar. Segundo Geraldo, as mazelas são de extensão nacional. Mas, já que o assunto é nordeste, vamos assumir a verve nostálgica e lembrar como foi deixar o sertão em busca da cidade grande?  “Quando eu comecei não tinha esses rótulos para a minha música: regional ou nordestina. Estou falando do final da década de 60 quando vim para o Rio tocar com Eliana Pitmann. Nessa época tocávamos grandes temporadas, passávamos meses em cartaz muitas vezes de quarta a domingo”.

O cantor e compositor lembra ainda, com felicidade, dos festivais de música – uma mão na roda na divulgação do trabalho -, que ele adjetiva como “representativos demais” e das emissoras de TV que “basicamente tocavam o que era feito no Brasil”. Por isso, e não só, no começo de sua carreira emplacou músicas em novelas. Mas nem tudo foram flores. “Quando a música americana entrou com força total e o sistema de jabá iniciou é que e a coisa ficou mais difícil. Sabemos que o que é executado e difundido não significa que tenha qualidade, mas muitas vezes há um marketing imenso”, critica.

E daí, para o resto do Brasil, foi ficando difícil, ele continua. Mas, tratando-se da musicalidade de Geraldo Azevedo um problema deixa de ser problema. “O que é feito com verdade, qualidade e amor tem grandes chances de acontecer e se estabelecer. Acho que foi o meu caso, modéstia a parte. O boca a boca foi a minha divulgação, tanto que na primeira vez que lancei um álbum independente, ele vendeu mais de 100 mil cópias. A internet também trouxe facilidades e é com ela que contamos muito hoje em dia”, nos conta. O saldo da carreira, lógico, é positivo. “Sinto-me bem feliz por ter chegado aos 70 anos em plena produção. Estar no palco me mantém jovem ​e ativo”.

Geraldo Azevedo 2

Para encerrar – a gente não disse que seria vapt-vupt? -, momento bate-bola, jogo rápido. Com quem você gostaria de ter um grande encontro que não teve? “João Gilberto“. Do que tem saudade? “Dos banhos no Rio São Francisco, cercado pela natureza, ainda preservada”. E, por fim, para quem você daria uma carona no táxi para a estação lunar? “Para corruptos e daria só ​a carona ​de ida​, por  ​motivos óbvios”, gargalha. A gente te entende, Geraldo.

Serviço

Geraldo Azevedo – o cantor apresenta os sucessos de carreira num show acústico “voz e violão”

Onde: Teatro Rival Petrobras (Rua Álvaro Alvim, 33/37 – Cinelândia – Tel: 2240-4469)

Quando: Dia 28 de janeiro, quinta-feira, às 19h30

Abertura da casa: 18h30

Preço: Setor A / Mezanino: R$ 55 (Meia-entrada) | Setor B: R$ 50 (Meia-entrada)

Classificação: 16 anos

Capacidade: 458 lugares

Serviço

Geraldo Azevedo no Circo Voador – Noshow Noite de Frevo

Abertura: Grupo Zanzar

Quando: Sábado, dia 30 de janeiro de 2016

Entrada: 1 Kg de alimento não perecível

Capacidade: 2 mil pessoas

Classificação: 18 anos

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